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Tipos de amigos virtuais - Mateus Cosentino

Postado por Rilvan Batista de Santana 07/12/2017

Tipos de amigos virtuais


Um velho camarada me disse que é perda de tempo ficar publicando na Internet artigos com mais de dez parágrafos e mais de 500 palavras, como tenho feito uma vez por semana. Disse-me que quase nenhum “internauta”, tolera textos escritos com mais de um parágrafo. E, acrescentou; “e o parágrafo deve ter, no máximo, três linhas”.


F:\MC_05)_PublicTextosBLOGs\07 IlustraçõesPublicadas\2 IlustrInventeModa\2017\Y71204Tipo de Miguxos.jpgEle nem precisava me alertar sobre isso, tenho uma boa quantidade de amigos com os quais mantenho uma rica e agradável troca diária de mensagens e até leem meus artigos. Mas, além desses, conheço os principais tipos de meus outros “miguxos” das Redes Sociais, que detestam ler mais de um parágrafo de três linhas. Vou descrever alguns:


  1. A imensa maioria é composta por aqueles que tornaram a Internet o veículo da imensa maioria de “voyeurs”. Essas pessoas só “veem”, só “curtem”, só respondem com figurinhas, ou só escrevem “kkkk”, “hahaha” e coisas afins.


  1. Porém, os “zap zap” estão formando gente, que enviam mensagens escritas em linguagem “internética”, o tal de “mixuguês”. Essa linguagem, já é um grande avanço para aqueles, cuja única escrita anterior, era assinar seu nome.


  1. As redes sempre foram, estão e permanecerão cada vez mais e predominantemente audiovisuais. São os adoradores de tudo “Youtube”... mas que não criam nada. É o grupo dos compartilhadores de filmes, fotos da natureza, com flores, bichinhos e crianças, além das frases, teses e sábios conselhos coloridamente apresentados em vídeos animados.


  1. Não devemos jamais esquecer, dentro desses “instagrâmicos”, os narcisistas, os grandes adoradores de sua própria e duvidosa beleza, São os “postadores” de “selfies” e até de “nudes”, buscando a admiração pública e abarrotando o sistema com suas caras e corpos. Tantas são as fotos de si mesmos, que até mudaram a maneira tradicional de se tirar fotografia. Só não entendo porque somos obrigados a ver suas caras à frente da Torre Eiffel, por exemplo, atrapalhando a paisagem só pra dizer: “Estava lá”. (Preciso admitir, entretanto que muitos desses “selfies” são realmente belos e agradáveis de ver.)


  1. Existem igualmente os dedicados adeptos da autoajuda psicológica, astrológica, filosófica, fisiológica, médica, religiosa, mística, ou pagã. Estes sempre começam dizendo “bom dia” e encerram com uma “boa noite”. Também sempre pedem para compartilhar, quando se concorda.


  1. Claro que há também os cândidos seguidores da “ajuda do outro”, praticamente limitada a um irrestrito e confuso amor ao próximo, complementado pelo exagerado núcleo de protetores de animais.  


  1. É preciso falar dos “políticos”, os raivosos, os desinformados ou os medrosos incitadores do “fora!”. Fora este, fora aquele, fora todo mundo. Entre esses, há os cultores de personalidades, adeptos do lema “o meu corrupto é melhor que o seu”. Muitos, sem nem saber disso, são propagadores do anarquismo radical, quando dizem; “se há governo sou contra!”.


  1. Têm também os “fakers”, os inventores de mentiras e tantos outros tipos de mal intencionados, que muitos desavisados aceitam sem perceber.


  1. Existem os que estão na Rede só para contrariar, fazer “cyberbullying”, os que lá estão só para ofender e até os “hackear”, de todos os tipos, A esses todos, trato como vírus e, na primeira manifestação, deleto imediatamente e sem dó.


  1. E, por fim, os “spans”.  Quando recebo uma mensagem cuja leitura não me interessa, mas que o acho útil e ou confiável, classifico-o como “spam” e coloco-o de quarentena por algumas horas. Antes de sair da Internet, abro um ou outro desse meu purgatório. Ao final do dia excluo-os todos definitivamente.  


Mesmo sabendo que a fauna “internética” é imensa e, portanto onde existem muitos outros tipos a descrever, paro por aqui. Queria fazer uma simples relação de “amigos virtuais”, mas está parecendo que só falo mal de todo mundo. Será preconceito meu ou toda essa gente é mesmo criticável?  


Claro que não! Até eu mesmo me vejo ora em uma, ora em outra dessas tipificações que acabo de fazer. O nosso Brasil é assim mesmo!


Além disso, o que está acontecendo no mundo “internético”, é parte de uma revolução cultural sem precedentes, onde uma imensa opinião pública está surgindo na Aldeia Global, expondo sua voz e gritando para quem quiser ouvir.


Essa maciça manifestação da opinião pública, já nos permite prever que serão redefinidos muitos conceitos atualmente vigentes. Entre eles os de República, de Democracia e do Politicamente Correto e muitas outros. Sentimos que ao final desse processo, surgirão imprevisíveis e profundas mudanças socioculturais.


Entretanto, desde já, duas coisas já me preocupam:
  • Por um lado, o baixo nível de informação e a baixa formação, demonstradas nessas manifestações das Redes.
  • Por outro lado, espanta-me o tempo gasto, de maneira viciante e cada vez maior, de pessoas que ocupam suas vidas penduradas em celulares, principalmente se ocupando com futilidades.


E em meio a tudo isso, um velho septuagenário como eu, ainda não consegue ter certeza, para onde essa revolta vai levar as gerações destas primeiras décadas do Século XXI.


De qualquer modo, muito provavelmente, não estarei lá para constatar. Mas tenho uma neta recém-nascida. Espero que ela viva em um mundo bem melhor.


Mateus Cosentino
Sampa – 04.12.2017


Nota Editorial:
Caro Mateus:



Aproveito a oportunidade para lhe desejar e família Feliz Natal e próximo Ano Novo. Que as bênçãos de Deus desçam sobre suas produções literárias sempre, não importa que tenha milhares de leitores ou nenhum leitor. Já pensou se Machado de Assis, que produziu no Brasil do Século XIX, pensasse como seu amigo sobre os leitores daquela época?  Hoje, não teríamos o legado gênio machadiano.
Agradecemos-lhe sobre seus “artigos quinzenais”, porém, não se preocupe deixar de produzir para o Saber-Literário, temos outras fontes de informação, todavia, iremos continuar com o nosso objetivo que é estimular a leitura e a escrita de jovens e adultos.
Os leitores que leem, somente, um parágrafo de no máximo de 6 linhas, é porque nunca leram, mas a Internet está lhes prestando um grande serviço que é o hábito da leitura, daqui a pouco, esse leitor estará lendo Euclides da Cunha e Guimarães Rosa, é o “hábito que faz o monge”...
Particularmente, não tenho essa preocupação, as minhas “bobagens” passam de 2 páginas, 3 páginas, etc., ficarei contente se apenas, um leitor lê-las. Recentemente, escrevi “Alcântara”, não sei quantos leitores tive, mas se no futuro longínquo algum estudante usá-lo  numa pesquisa sobre a história política de Itabuna, mesmo no além, ficarei realizado.
Não escrevo pra vender meu produto, pois “não é bom” como diria Monteiro Lobato, por isto, espalhei-o no portal do MEC, Domínio Público, Recanto das Letras, Amazon.com...
Não se preocupe com os leitores internautas, esses são leitores novos, audiovisuais, se preocupe com os leitores velhos e o que as próximas gerações dirão no futuro. Fraternalmente, Rilvan Batista de Santana.  Itabuna, 07.12.2917.




1 Responses to Tipos de amigos virtuais - Mateus Cosentino

  1. Caro amigo Rilvan

    Que seu Natal seja muito feliz junto aos seus familiares e que no novo ano, que logo chega, tudo se realize para você.

    Devo iniciar agradecendo ao seu “Saber Literário” a grande satisfação e alegria pela publicação de meus 59 artigos em tão pouco tempo (o primeiro datado em 30.08.2016). Sou muito grato por sua dedicação e paciência em transmitir aos seguidores do blog tamanha ousadia de escrever semanalmente, artigos cujos temas o acaso determinou. A inserção desses artigos nunca sofreu restrição de qualquer espécie, demonstrando sua índole generosa e libertária.

    Jamais tomaria a decisão de parar de participar do “Saber Literário”. Estou pensando em parar de escrever artigos com regularidade semanal, o que tenho feito desde maio de 2011. Aos 74 anos já não possuo mais tanta motivação para tal rigor produtivo. Penso em parar de me obrigar a tal regularidade “periodista”. Penso em substituir meus dois blogs por um novo e único, onde postarei “minhas coisas”, na medida em que surjam, sem imposição cronométrica.

    Estou certo que minha participação no “Saber Literário”, em nada enriquece o seu comprovado valor. Entretanto, incerto estou de que o trabalho constante que lhe dou, seja ou não seja, apenas uma incumbência gentilmente executada de um compromisso adquirido. De qualquer modo, devo-lhe um grande favor e, apesar de tudo, não pretendo perdê-lo, mas ao contrário, gostaria de manter viva nossa recente amizade.

    Se não escrevo, torno-me ocioso, um passivo espectador da vida, á espera do último suspiro. Desde que me entendo como gente, apesar dos muitos anos dedicados a ganhar o pão nosso de cada dia, nunca parei de escrever. Estou agora aposentado, com filhos criados e esposa companheira, tenho muito tempo no meu dia.

    Sou escritor e sou poeta. Certamente não tenha alcançado a excelência literária sonhada na puberdade, mas tenho consciência de que, para mim, escrever é preciso. Sei que se não escrevo, morro. Nem mais me preocupa estar sendo lido por jovens ou idosos, por muitos ou por nenhum leitor. Escrevo porque é a “minha natureza”. Nem penso mais se escrever é uma maneira de estender uma sobrevida. Tornei-me recentemente avô e me satisfaço com a sobrevivência genética.

    Manterei meus artigos ainda quinzenais por mais dois ou três meses. Portanto amigo Rilvan, continuo a contar com seu prezado favor de inseri-los no “Saber Literário”. Depois disso, vamos ver...

    Estimo que você e família estejam tão bem de saúde, como estamos todos nós aqui em casa.

    Um grande abraço do amigo

    Mateus Cosentino
    Sampa – 07.12.2017.


     

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