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PROFISSÃO DE ALTO RISCO - Mateus Cosentino

Postado por Rilvan Batista de Santana 09/08/2017

PROFISSÃO DE ALTO RISCO

Reflexões de educadora de Itabuna-BA revelam o estresse da docência.

As pessoas alegam logo que os jovens não têm perspectivas. Nunca a juventude contou com assistência tanto quanto agora. E não digam que é politicagem. As escolas de hoje, a maioria é ajardinada, arejada, arrumada, com professores interessados em ver o crescimento intelectual e moral dos alunos. É projeto de música, leitura, ciências; bolsa-auxílio, lanche, livro, provinha fácil para o menino não ficar ansioso, não se sentir inseguro, acolhimento de toda parte e os resultados são os mais pífios. Bolsa para estudo extra até os 29 anos; universidade sem estresse de vestibular; possibilidade de intercâmbio, de premiação em Festival de música, de jogos, oportunidades que as gerações anteriores jamais imaginaram.

Alunos arrogantes que não sabem ler, nem escrever, porque foram promovidos ano a ano pelas leis que os iludem; que quando são convidados à leitura em classe, respondem na lata: Quero ler não!!! Que armam briga, barraco na escola sem o menor constrangimento. Que chamem pai, mãe, o bispo, o papa, a diretora. E vejam que aluno que vai estudar não tem queixa de professores, somente os estúpidos.

Quem se sente confortável trabalhando num local onde as pessoas necessitadas do serviço que vai oferecer – por dever e direito – tem que passar por bullying de filhos da espécie humana? No mínimo constrangedor, pois ninguém estuda mais que professor, que para fazer jus a uma “merreca” tem que estar em constante formação. Muitos médicos não querem trabalhar em postos de saúde, por quê?

Certos alunos não precisam usar droga. Basta ser chamado a melhorar a letra, já fica com ódio. Dia desses um aluno convidado a refletir sobre sua agressividade saiu-se com essa: “Tenho tio promotor, posso fazer o que quiser que não acontece nada comigo. Professor pra mim não é nada. Na hora que eu quiser, arrebento professora que se acha e fica por isso mesmo”. As pedagogias “psi” aparecem logo com uma série de justificativas vãs cujo resultado é o embrutecimento social.

Será que alguém estuda, chega a ser promotor para ajudar parente a ser mais um vândalo, mais um estúpido social? A tentativa do aluno de intimidar as pessoas de sua convivência tem a mesma finalidade coronelista,/cangaceira: “Sabe com quem está falando? Se meta comigo, não!!!”

O ódio aumenta se a professora conta a história da menina paquistanesa que quer escola para todas as meninas, razão de quase ter morrido assassinada por uma instituição, perguntando: E vocês, o que fazem com a escola que têm? Com os professores e colegas que querem avançar nos estudos? A resposta é uma estrondosa vaia. A docência é uma profissão de alto risco, no mínimo estressante.

Precisamos agir rápido, porque nossas leis e nosso sistema educacional não educam o indivíduo. Se estivessem cumprindo o seu papel, as prisões não estariam abarrotadas de jovens que deveriam estar produzindo riquezas, formando suas famílias e uma sociedade mais justa e igualitária como todos querem, no lugar de estarem onerando a sociedade.

Educadora
PostDateIcon 3/ago/2013. 7:29

Comentários

Mateus Cosentino = Faço minhas as palavras da Educadora: "Precisamos agir rápido, porque nossas leis e nosso sistema educacional não educam o indivíduo. Se estivessem cumprindo o seu papel, as prisões não estariam abarrotadas de jovens que deveriam estar produzindo riquezas, formando suas famílias e uma sociedade mais justa e igualitária como todos querem, no lugar de estarem onerando a sociedade." 04/08/2017 - às 09:14

Efigênia Oliveira - Penso assim, caro Mateus. Esse texto é um fato real, foi comigo e eu escrevi no blog na sessão comentários. Os editores publicaram com autoria anônima, como artigo. Recebeu muitos comentários e um jornal da cidade também publicou como anônima. Recortei e li na sala de aula, onde aconteceu a situação. Povo de moral duvidosa resolveu atribuir à escola, a falta de caráter dos filhos. 04/08/2017 - 12 h

Mateus Cosentino - Não fico surpreso com o texto ser seu querida amiga Efigênia. Concordei tão plenamente com ele, que não poderia ser de outra pessoa. Parabéns amiga! 05/08/2017

Comentário a outra mensagem de Efigênia

Mateus Cosentino - Criar e educar são coisas diferentes. Cria-se porco e galinha, treina-se cão e gato, mas o ser humano, se educa. Os pais permissivos de hoje, que fazem tudo o que o filho quer, criam "reis" e "rainhas" domésticos. Saem de casa achando que todos devem se submeter a eles. Digo mais: Deve-se acabar com o hábito de chamar professores de "tio" ou "tia", os mestres não são da família e têm de impor o respeito que não mais existe em casa e serem respeitados e reconhecidos por todos. 05/08/2017.

Mateus Cosentino
Sampa – 09.08.2017


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