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POEIRAS DE ITABUNA – Expedita Maciel Viana (*)

Postado por Rilvan Batista de Santana 28/07/2017

POEIRAS DE ITABUNA – Expedita Maciel Viana (*)

Itabuna, minha amada cidade, que me acolheu com suave abraço, de tuas poucas, mas gostosas ruas e praças.

Gostoso ouvir o som das águas do teu lindo Rio Cachoeira, em seus sussurros e murmúrios das cachoeiras, na maciez do teu ritmo que me encantava, levando em suas águas as sujeiras  da cidade, para que permanecessem limpa: folhas secas.

Com fartura o Rio alimentava em suas águas, os peixes e as aves que no Rio habitavam. As pessoas contemplavam suas águas, os casais e namorados ficam as margens para contemplar, a canção do rio. Perto da ponte dos velhacos, na Ilha do Jegue, eram as partes mais contempladas, principalmente, na enchente do rio. As águas corriam forte e os pescadores tiravam seus sustentos.

À noite, como era gostoso, a gente passear na beira rio. A gente via o brilho das luzes da cidade, refletindo nas águas do rio. Reluziam como as luzes da ribalta.

Aqui, cheguei, menina mãe, conheci muita gente boa. Mas foi aqui também, que fiz da cidade minha capital. Que vi o pecado capital, pecado da inveja, usura, luxuria e das histórias que eu ouvi das fortunas adquiridas com sangue de alguém que tombou.

Itabuna tuas arvores e áreas verdes, hoje arrasada vejo com tristeza, cada dia tombando tuas arvores quase centenárias; arvores idosas  e na melhor idade. Pelo homem que tem o poder da moto serra na mão e ignorando o que significa cada árvore, para a natureza e para tua beleza Itabuna. Destinando a ti uma cruel selva de pedras.

Aqui vi muitas amizades começarem e muitos amigos morrerem. Vi muita alegria. Estava sempre em festa, tinha até orquestra. Mas também muita traição.

Vi muito beijo de Judas. Muitos beijos dados e depois escarrados. Mas assim mesmo eu continuei e amando, pois neste lado humano, me mostrava que a humanidade é assim: que Judas, que traiu Jesus com um beijo, também era seu amigo. E o vendeu por ambição.

Aqui também existiram também Erotildes e Salomés! Que para agradarem ao senhor do poder; pediram a cabeça de um inocente.

 Vi também filhos  que tomaram as riquezas de seus pais, como até hoje acontecem.

Mas a maior traição Itabuna e o maior golpe na vida  foi ,  pelos teus filhos dados, por terem matado à natureza  que te floria, que te fazia cantar, que nos deixavam alegres. Arrasaram tuas arvores, afastando da cidade as aves, que habitavam em teu seio acolhedor; mataram a vida do teu belo rio, rio que te banhava, e as aves que aqui antes gorjeavam não mais se ouve. 
Itabuna 107 anos emancipação.

Itabuna  não fugiste do trágico destino das grandes metrópoles. Em teu seio hoje abriga; a traição da vida através das drogas, o avanço da criminalidade, que hoje, infelizmente, nós, teus filhos, vivemos assustados como  pássaros: prisioneiros atrás de  grades.
Obrigada, amada Itabuna, o meu amor por te continua. Peço a Deus e os santos que a te protejam e que te devolvam o amor à vida com segurança.


(*) Expedita Maciel – Graduada em Ciências pela UESC, mãe, avó, esposa do jornalista e escritor João Batista de Paula, funcionária aposentada pelo estado da Bahia, defensora dos animais abandonados , ecologista, e poetisa inquieta com as causas políticas e sociais.


1 Responses to POEIRAS DE ITABUNA – Expedita Maciel Viana (*)

  1. MUITO BEM.
    EXPEDITA E RILVAN BATISTA DE SANTANA, DISSERM TUDO.
    OBRIGADO, JOÃODEPAULA.

     

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