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O QUE LEVA UM JORNAL A PUBLICAR UM TEXTO DE JOSÉ DIRCEU?

Postado por Rilvan Batista de Santana 02/06/2017

O QUE LEVA UM JORNAL A PUBLICAR UM TEXTO DE JOSÉ DIRCEU?


Vou confessar ao leitor uma coisa: muitas vezes vejo meu papel como o de “media watch”, ou seja, de um vigia da imprensa, para apontar seu viés ideológico, sua quase hegemonia de esquerda. Adoraria usar esse espaço apenas para o debate de ideias, num nível mais elevado. Mas a imprensa não permite isso. Logo após a leitura dos principais jornais, sinto-me na obrigação de apontar as principais falhas, os maiores absurdos.

E hoje, sem dúvida, um artigo de opinião publicado na Folha de SP é o caso mais bizarro de todos. É assinado por ninguém menos do que José Dirceu, aquele do mensalão, do petrolão, da Lava Jato. Quão constrangedor deveria ser para um jornal colocar nos créditos essa descrição: “foi deputado estadual e federal pelo PT e ministro da Casa Civil (governo Lula). Foi condenado em primeira instância na Lava Jato a 32 anos de prisão”?

Há um limite – ou deveria haver – para o que se entende por “pluralidade”. Todos sabemos que a Folha pretende ser mesmo um grande saco de gato, abrigar de tudo ali dentro, apesar de ter claramente mais jornalistas de esquerda. Mas Guilherme Boulos, líder do criminoso MTST? José Dirceu? Por que não chamar também nazistas assumidos, saudosistas da KKK ou o Fernandinho Beira-Mar?

Acha que exagero? Ora, mas se é em nome da pluralidade, por que barrar essa turma? Talvez porque sejam extremistas e criminosos? Mas alguém por acaso vai afirmar, sem rir, que o PT não é extremista, que Dirceu não é um criminoso? Em seu texto, ele defende, com eufemismos, uma revolução socialista “democrática”. Qual? Sabemos a resposta: o modelo existente na Venezuela, que ele defende, que seu PT apoia!

Chamem logo terroristas islâmicos para ampliar a “pluralidade” do jornal, editores! Eis o que diz Dirceu, na maior cara de pau:

Não há espaço para conciliação. É necessário, para o bem-estar social do país, dar fim à armadilha de uma falsa harmonia nacional e um ludibrioso salvacionismo contra a corrupção.

O horizonte das forças populares e de esquerda deve ir além das próximas eleições presidenciais, agora ou no próximo ano. Podemos até vencer, mas sem ilusões: sob quaisquer circunstâncias, nosso norte é o avanço no rumo de uma revolução política e social, democrática.

A meta é lutar, resistir e preparar um governo de amplas reformas. Sob a proteção de um novo pacto constitucional, originário das urnas, se a casa-grande voltar ao leito da democracia. Pela força rebelde das ruas, se nossas elites continuarem de costas para a nação.

Precisa explicar? Preciso mesmo apertar a tecla SAP? Tomar pelas ruas o poder, fazer uma revolução comunista, enfrentar o “salvacionismo” contra a corrupção, ou seja, declarar guerra a Sergio Moro, às instituições, à própria democracia representativa, e em seu lugar colocar uma ditadura do “proletário”, que finge falar em nome do povo, mas obedece a uma cúpula poderosa, liderada pelo próprio Dirceu.

Exatamente aquilo que o PT tentou fazer no Brasil, mas não conseguiu. O propósito final do mensalão, do petrolão, da censura à imprensa, da compra de blogs sujos com dinheiro público, do aparelhamento do estado, do STF etc. Dirceu quer continuar o serviço inacabado, e conta com o espaço do maior jornal do país em tiragem para lhe dar voz. Tudo em nome da “pluralidade”, claro!

Leandro Ruschel comentou sobre esse absurdo: “José Dirceu, o grande bandido petista, ao invés de estar recolhido à cadeia, escreve artigo na Folha de São Paulo defendendo a transformação do Brasil numa Venezuela. Tudo graças a Gilmar Mendes e outros integrantes do STF que estão lá para proteger a quadrilha”.

Guilherme Macalossi também desabafou com ironia: “A Folha de SP é um colosso. Já teve no seu quadro de colaboradores o miliciano Guilherme Boulos, que faz de sua profissão a bandalha urbana e a depredação contumaz de patrimônio público e privado. Agora publica um artigo de José Dirceu, aquele que foi condenado a 31 anos de prisão pela Lava Jato. É o banditismo com ponto de vista político. O próximo passo é o jornal ceder um espaço na seção de esportes para uma coluna do goleiro Bruno”.

O que leva um jornal desses a um ato abjeto como esse? Será que o “consultor” pagou uma bolada para ter esse espaço? Ou será que os proprietários acreditam mesmo que abrem esse espaço para um declarado inimigo da democracia brasileira em nome da liberdade de expressão? Duvido, pois se fosse o caso, o jornal também teria figuras asquerosas e bandidos ligados ao que se denomina direita, e isso não ocorre.

À direita só temos pensadores sérios, gente como Pondé ou Coutinho, e ponto. Nada radical, nada extremista, nada criminoso. O duplo padrão entrega o viés ideológico. Uma sociedade que tem como maior jornal em circulação a Folha é uma sociedade carente de alternativas à “fake news”. Uma sociedade que tem “colunistas” como Dirceu escrevendo para fomentar sua revolução, mesmo depois de tudo que aconteceu, é uma sociedade muito doente.



Rodrigo Constantino



Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal

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