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ESQUERDA, DIREITA, VOLVER! - Mateus Cosentino

Postado por Rilvan Batista de Santana 07/06/2017

ESQUERDA, DIREITA, VOLVER!

F:\MC_05)_PublicTextosBLOGs\07 IlustraçõesPublicadas\2 IlustrInventeModa\2017\Y70607DireitaEsquerda.jpgDurante as eleições de 2014, foi realizada uma pesquisa entre os eleitores brasileiros de diversas cidades de todas as cinco regiões (Agência Hello Research, sic Site Instituto Geledés). A primeira questão foi se o entrevistado se considerava de “esquerda” ou de “direita”. O expressivo número de 41% dos entrevistados não soube se posicionar de um “lado” ou de outro. Entre os que se posicionaram, 9% declaram-se de direita e, em mesmo número, outros 9% se declararam de esquerda. Continuando a auto avaliação, 4% dos entrevistados declaram ser de centro-direita, 3% de centro-esquerda, 3% de extrema-esquerda e 2% de extrema-direita. Estranhamente 50% dos entrevistados não conseguiram indicar o posicionamento ideológico dos sete principais partidos políticos envolvidos na eleição.  Mas aqui nas redes sociais, as coisas são muito mais simples. Esquerdista é o mortadela comunista que vota no PT e direitista é o coxinha nazista que volta no PSDB. E pronto, não se discute! Lamento dizer minha gente, mas isso é o que deve ser chamado de “esquerda burra” e “direita burra”. Facções idênticas de pessoas desinformadas que adotam um lado sem se preocupar em se instruir e entender o jogo político. Adotam um lado religiosamente, ou melhor, fanaticamente por simpatia, desprezando, odiando e demonizando o outro. São os que ficam espalhando “memes”, quero dizer; imagens, frases, ideias, músicas etc., irados, ou engraçados, ou sem graça, em busca de popularidade, através de milhares de “likes”. E não os contrarie, porque eles deletam você e acabam com a amizade, não só a virtual, mas com amizades reais de longos anos.

Diante da vergonhosa corrupção que hoje vivemos, atingindo principalmente os poderes Executivo e Legislativo, mas afetando toda a sociedade nacional, onde dificilmente se pode ter certeza de quem não é corrupto e quem não seja corruptor. Porém, graças á confusão promovida pela mídia, ninguém diferencia quem é apenas acusado ou suspeito, de quem é julgado e condenado. Entretanto há um incrível combate virtual. Na maioria das postagens internéticas, tenta-se provar que “o meu corrupto é melhor que o seu”. Ora, não há corrupto bom e todos nós deveríamos estar lutando (e votando) para ver a totalidade desses corruptos e corruptores justiçados, pagando por seus crimes, independentemente de que sejam de direita, do meio, de esquerda, de baixo, de cima, de dentro, de fora, do par ou do ímpar, etc.

Essa divisão maniqueísta bipolar existente em nosso país, talvez seja uma das heranças do período da Ditadura Militar, quando passaram a existir artificialmente apenas dois partidos. A ARENA, considerada de direita porque apoiava o governo e o MDB, de esquerda porque aparentemente combatia a ditadura. Essa tacanha divisão em duas partes iguais abrangendo todas as nuances ideológicas da política partidária, até hoje pode estar continuamente não permitindo expor claramente a complexidade e as contradições da nossa sociedade.

Teoricamente os dois lados refletem posicionamentos antagônicos. A esquerda, associada à luta pelos direitos dos trabalhadores, busca promover a justiça social e a erradicação da miséria. Por outro lado, a direita associa-se ao conservadorismo e à elite, trabalhando pela livre iniciativa e a liberdade individual. Na prática hoje em dia, as palavras ‘esquerda’ e ‘direita’ designam diversos conteúdos, adotados por um lado e pelo outro, conforme diversas situações no decorrer do tempo e dependentes de estar ou não no poder, ou como se diz popularmente; “sendo estilingue ou vidraça”.

Em países politizados, principalmente na Europa, pode-se verificar os diversos posicionamentos em que os políticos em particular e as forças políticas em geral se posicionam. Na maior extensão pode-se colocar as seguintes posições ideológicas: Extrema-esquerda, Esquerda Moderada, Centro-esquerda, Centro, Centro-direita, Direita Moderada e Extrema-direita. Convenhamos que aí haja algum excesso de “lados”, mas em democracias, cada um pode se enquadrar como quiser.

Costuma-se definir como “posição de centro” a defesa do “status quo”, ou a situação político-social vigente com equilíbrio e equidistância de esquerdas e direitas. Mas o centro é uma abstração, visto que seus partidários sempre vêm alinhados à direita ou esquerda, para ser maioria e poder governar.

Dentro das várias posições possíveis pode-se encontrar muitas nuances partidárias. Nos partidos de direita encontram-se conservadores, democrata-cristãos, liberais, nacionalistas e até o totalitário nazismo, nos extremos. Na esquerda, por sua vez posicionam-se os socialdemocratas, progressistas, socialistas democráticos e ambientalistas. Na extrema-esquerda podemos encontrar os movimentos simultaneamente igualitários, autoritários, desde anarquistas, ou comunistas ou até fascistas. Enfim, todo totalitarismo, radical em qualquer lado, está nos extremos, todos antidemocráticos. É como se sabe; “os extremos se confundem”.

E por falar em confusão, aqui neste país tropical, todos os partidos (principalmente em ano de eleição) defendem teses tão similares em busca de voto, que o eleitor acaba escolhendo candidatos de sua simples simpatia, ou são indicados por amigos e parentes, ou – o pior – para evitar que “os outros que odeiam” ganhem a eleição, trocando o roto pelo rasgado.

Ao eleitor é muito difícil separar um candidato pela sua ideologia, mesmo porque ele, o próprio eleitor em sua maioria, não tem e nem quer ter uma ideologia. E como poderia tê-la quando todos, independente de serem de esquerda ou direita, igualmente defendem as mesmas coisas. Todos são a favor de uma economia mais justa e solidária, com maior distribuição de renda, do liberalismo econômico, da livre iniciativa, dos direitos à propriedade particular, da redução de impostos, da punição aos corruptos, do fim dos desmatamentos, da extinção da intervenção governamental na vida das famílias, da melhoria da educação, da saúde para todos com mais hospitais, do fim da violência e de tantas outras coisas mais?

Sei que não é fácil, mas já seria um enorme saneamento no parlamento e no governo, se todos procurassem votar em quem tem “ficha limpa” e que tenha construído um passado exemplar, indicando que poderá ser um represente digno de ser escolhido. É assim que tenho procurado escolher meus representantes.

Espero ter minimamente elucidado que ao invés de ficar cultivando santos e exortando demônios, o mais importante é se instruir e se informar, antes de sair pelas ruas, bater panelas, e sair gritando “fora isso, fora aquilo”, simplificando que a “direita” é o PMDB e a “esquerda” é o PT.

“Há muito mais coisas entre o céu e a terra”...
 
Mateus Cosentino

Sampa – 07.06.2017

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