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SOMOS TODOS UM POUCO MARICAS - Mateus Machado

Postado por Rilvan Batista de Santana 03/05/2017

SOMOS TODOS UM POUCO MARICAS -  Mateus Machado

É possível, nos dias atuais, que a homossexualidade tenha um papel educador, transmitindo os valores de uma época e sociedade, indo além dos interesses pessoais? Não seria a Ideologia de Gênero mais um elemento segregador?

 “Outrora, a catarse era a purificação das paixões através do fogo, hoje, é sua liquidação pelo fluxo” - Jean Baudrillard (Cool Memories IV)

I – O Banquete

A maioria de nós, ditos seres humanos, parecemos nos esquecer da nossa herança ocidental Greco-Romana. E apesar da interferência judaico-cristã, ainda nos debatemos com os seus velhos costumes e conceitos. Infelizmente poucos são os que se lembram que regras, valores, imposições, só foram oficializadas depois do Concílio de Nicéia.

Se voltássemos um pouco no tempo e revíssemos a obra de Platão (nascido na Grécia em 427 antes de Cristo), em particular, “O Banquete de Platão”, veríamos o quão absolutamente normal era o papel dos homens, considerados como detentores de toda sabedoria humana. Mais uma vez dito, em particular nesta obra, “O Banquete”, como de costume, senhores da alta sociedade econômica e filosófica reuniam-se a fim de discutir questões humanas/universais. Desta vez, o Amor foi o tema escolhido entre os senhores. Para quem se lembra da obra, cada um deles expôs sua visão sobre o que era o Amor; e fica claro o quanto era aceito a homossexualidade entre os homens mais velhos a fim de ensinar, passar o seu conhecimento aos mais novos. Sabemos que naquela época, a Grécia era caracterizada pelo politeísmo e que, no panteão dos deuses, já estava demarcada a bissexualidade; as relações homossexuais entre deuses, heróis e governantes, institucionalizando simbolicamente e moralmente a homossexualidade.

Na antiga Grécia não apenas a bissexualidade, mas também a Pederastia, eram aceitas e com certo louvor; o relacionamento entre um homem maduro (por volta dos 25 anos) e um jovem (adolescente entre 12 e 15 anos), com o consentimento dos pais, era aceitável, para que o homem mais velho pudesse instruir o adolescente, desenvolvendo uma amizade íntima entre eles até que o neófito atingisse seus 18 anos. Este fato era visto como um papel educador entre mestre e discípulo, onde a homossexualidade era, não apenas aceita, mas, aliada à instrução e à moral, como um rito de passagem da juventude para a maturidade. Através da homossexualidade se transmitia os valores da época e da sociedade.

II – Um pouco do que Herdamos

Nos dias atuais a homossexualidade ergue uma bandeira sem uma finalidade que vá além de exigir seus direitos, o que empobrece a causa dentro de um contexto social mais abrangente, encabeçada por um grupo que Nunca foi minoria, diga-se de passagem.

No entanto, diferente do que se conhece hoje, para os gregos, fora a pederastia e sua finalidade educacional, a homossexualidade só era aceita abertamente se fosse praticada entre os senhores e seus escravos; ao que parece havia restrições dessa pratica entre os próprios gregos.

Mas foi com o surgimento e ascensão da igreja católica, de tradição judaico-cristã, principalmente depois do Concílio de Nicéia, que a homossexualidade foi expressamente proibida e demonizada (em um ato de total hipocrisia), bem como as suas modalidades, entre elas a pederastia. De igual forma o politeísmo foi trocado pelo monoteísmo e sua postura patriarcal, inaugurando a homofobia aliada à religião.

Não nos esqueçamos do mito de Hermafrodito, filho de Afrodite e Hermes, que se transformou em um ser com os dois sexos ao fundir-se com a ninfa Salmacis. O arquétipo do hermafrodita é encontrado em várias mitologias no mundo todo e, em geral, aceito e bem visto. Tal mito vai além do conceito de gêneros; em um nível mais sutil podemos dizer que a Alma luta por uma união de opostos complementares, não pela separação.

Do nosso berço Greco-Romano herdamos o culto ao corpo perfeito e a busca da eterna juventude. Só que, se para os gregos o corpo perfeito estava atrelado a uma alma virtuosa, para a nossa atual sociedade o que prevalece é a egolatria do culto ao próprio corpo; que não deixa de ser uma variante homossexual. Decaímos uma oitava ao condenarmos nossa alma (mente) ao umbral da ignorância. Quando isso acontece o próprio corpo físico se desequilibra.

Do nosso berço Greco-Romano herdamos nossa postura machista, não necessariamente hetera, diante das mulheres; o papel fundamental das mulheres gregas era a procriação; eram obrigadas a dar bons rebentos ao Estado. Havia tanto subserviência quanto dependência do pai, do marido, ou até mesmo dos filhos, entre as gregas e as romanas. Não havia espaço para as mulheres pensarem. Daí que a Filosofia nascida no berço grego era sustentada por um machismo homoerótico, quando não homossexual.

III – Da Guerra dos Conceitos à Distopia de uma Era Vulgar

De todo esse programa pró-gay e das demais bandeiras ditas “minorias”, a heterossexualidade está se enfraquecendo em um mundo cada vez mais voltado ao que é semelhante; a busca da semelhança. Para alguns Teóricos da Conspiração, todo esse programa para afeminar o mundo faz parte de uma agenda global para moldar as massas segundo a Engenharia Social. Se o problema da Superpopulação pode encontrar algumas saídas para uma higienização planetária, entre elas o controle radical da natalidade, a relação homossexual pode vir a contribuir nesse processo, principalmente se os casais homossexuais adotarem crianças abandonadas, causando um impacto social positivo e proativo.

Deixando de lado toda e qualquer conspiração, ainda assim, estamos estagnados nas ideologias de gêneros e com isso a confusão vem à tona, longe de esclarecer, cria mais obstáculos e divisões, aumentando a segregação. Se há preconceito de heterossexuais contra homossexuais, há também a via contrária, do homo contra o hetero, e isso está em uma crescente. Pior, todo preconceito é um processo em trânsito, e não apenas de mão única. A hipocrisia, que é alimento para todo e qualquer preconceito, se fortalece entre os próprios homossexuais, a segregação entre grupos é generalizada, pandêmica.

Pandêmica também é a Masturbação Conceitual das Igrejas Cristãs Pentecostais, da Política Retrógrada e das Mídias de Caráter Duvidoso; não acrescento a Igreja Católica aqui, pois esta instituição faz tempo vem sofrendo com o Cancro Duro adquirido ao longo do tempo devido os abusos Político-Sexuais propriamente ditos, entre elas a Pedofilia, além de ter fomentado o Feminicídio ao longo de sua história.

E o que é o homossexualismo senão apenas um conceito? Heterossexualismo, Homossexualismo, Bissexualismo, Trans, entre outros. Tudo é Conceito. E tal conceito segrega, desumaniza como bem fazem as grandes religiões monoteístas.

Em um mundo cada vez mais homogeneizado; e isso é fácil constar na decadência da cultura popular, em especial o cenário musical, a guerra das ideologias de gêneros parece florescer usando como argumento a liberdade do discurso democrático, não para esclarecer, mas para confundir; ainda mais se tratando de uma sociedade pouco, ou nada, esclarecida nem enquanto indivíduo e muito menos como fenômeno coletivo. Política e Pornografia se canibalizam entre si.

Aqui no Brasil ainda nos debatemos com a polêmica Cartilha do MEC com Ideologia de Gênero. Não creio que se trata de um processo de educação. Muito antes de uma pretensa “Educação Sexual”, o que necessitamos é de uma Educação Mental mais humanista, que não segrega. Esse papel caberia primeiramente aos pais como primeiros educadores e formadores de valores, depois à escola. Nem os pais nem as Escolas estão preparados para esse desafio.

O mundo está se tornando excessivamente político e erotizado (o termo correto é Pornográfico; o erótico se manifesta de maneiras sutis), cada vez mais e de maneira vulgar, não no sentido moral, mas devido ao emburrecimento e a corrupção das massas. Emburrecimento, aliás, que nasce de um intelectualismo cada vez mais enlatado passando pelos alfabetizados funcionais. Resta-nos a distopia de uma Era Vulgar e extremamente tediosa e que nos leva à ultraviolência.

Se ao menos seguíssemos o exemplo dos Bonobos (Chimpanzé-pigmeu) que usam o sexo para evitar conflitos e criar laços afetivos. Na escala evolutiva nós usamos o sexo como status de Poder e dominação.

Antes, porém, o que precisamos é de uma desintoxicação dos (pré) conceitos que nos aprisionam, para isso temos que arregaçar as mangas e encarar nosso lado animal, primitivo, reconhecer essa energia instintual, que está sim desequilibrada, e nos elevar a um patamar acima na escala de Maslow, mas para isso temos que compreender melhor o Homem não apenas enquanto animal (mamífero), mas também como um enjaulado social. Todo mundo tem parte no trabalho sujo. Por isso precisamos abrir as jaulas que limitam a nossa Consciência, reconhecer e sentir o cheiro de Toda a Merda que existe lá.

MATEUS MACHADO

Teve Simioto na infância. Publicou livros de Poesia. É a favor do caos criativo. Detesta propagandas de cerveja. Não vê esperanças na política e nos demais centros de poder. Não tem ideologias. Fã do John Coltrane, Lou Reed, Cartola e São Francisco de Assis. Apaixonado por música, literatura, cinema & gatos. Mora em qualquer lugar..




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