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MIGUXÊS - Mateus Cosentino

Postado por Rilvan Batista de Santana 03/05/2017

MIGUXÊS

Inexiste algo tão esdrúxulo como aqueles vetustos e inflexíveis arautos  da casticidade e imutabilidade vernacular”.

F:\MC_05)_PublicTextosBLOGs\07 IlustraçõesPublicadas\2 IlustrInventeModa\2017\Y70503Miguxês[2].jpgOs pobres “eruditos” ainda escreveriam como essa frase acima que praticamente ninguém mais entende  Quem ainda escreve assim, ignora que nossa língua está sempre em evolução. Nossa inculta e bela língua portuguesa é uma corruptela do latim vulgar, que por sua vez é uma corrupção do latim clássico. Nem é muito “pura”, considerados os “estrangeirismos” de povos bárbaros, ibéricos, árabes, indígenas, africanos... incorporados  no decorrer da história. Porque os idiomas mudam o tempo todo, absorvendo influências culturais vindas de todo lado.

Portanto, nesta aldeia global que a Internet transformou nosso planetinha, querer ser purista é, no mínimo, ser ridículo. Louve-se, nas Redes Sociais, a volta do hábito de escrever. Viva o Twitter, Facebooks e todas as que tais.

Claro que levei um tremendo susto, quando resolvi, apesar da provecta idade, me iniciar nas Redes Sociais. Repentinamente deparei-me com uma linguagem muito estranha para mim e que até parecia nosso idioma português. Inicialmente achei divertido. Afinal eram mensagens dos amigos que me convidaram para virtualmente papear.

Mas após aceitar todos os convites, primeiro percebi que a idade (ou mentalidade) média das minhas turmas estava abaixo dos 30 anos. Senti-me um estranho no ninho, entrando mundo de linguagem onomatopaica (desculpem a palavra). Espantou-me a comunicação é escrita com a imitação de uivos, gemidos, suspiros, risadas, barulhos e coisas do tipo tap tap, top top, ronrom, auuuuuuuuu, miauuuuu etc.  

Porém, depois de algum tempo, comecei a constatar que o pessoal estava lá só para se divertir em festa. É isso! A Rede Social é uma festa virtual. Tá bom, tá bom, todo mundo sabe disso. Mas eu não sabia, dá licença? Agora acho isso certíssimo, tem que ser assim mesmo. E é claro que de vez em quando pinta assunto sério de autoajuda,  preceitos religiosos e até avisos de utilidade pública. Porém, predominam coisas amenas, como comentários em fotos de bebês e animais, piadinhas sem graça e engraçadas, vídeos com músicas, gozações futebolísticas, assuntos tribais etc.

Estou me divertindo muito com isso e até já superei aquela fase em que estava me achando o bisavô de todos, com interesses totalmente anacrônicos e chatos. Com falar de política, literatura e administração de empresas. Entretanto, ainda há vezes em que tenho vontade de elogiar dizendo coisas como “legal paca”, “bacanérrimo”, “adivinhão” e outras coisas arcaicas, mas paro com medo que ninguém entenda que estou fazendo elogios.

Acho muito positiva esta minha preocupação, porque acabo atualizando meu próprio palavreado de septuagenário. Mas estranho muito quando a turminha diz coisas do tipo sincopado e de esquecimento do dedo no teclado. Por exemplo:: "ta xonadaa eh maria??? nao eh auhauh!!!! beijinhossssssssss muuuuuuuuuuuuuuuitosssssssss  kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk”.
É difícil para eu entender, concordam? Não? De qualquer modo então, para não ficar mais por fora do que umbigo de vedete (Xi, esta escapou!) fui procurar me socorrer na Wikipédia para tentar finalmente me atualizar.

E lá encontrei a definição que procurava:

.”Esse dialeto, ou melhor, esse 'sociolês' ou 'internetilês', tem origem recente e é usado correntemente em diversos sistemas de conversas instantâneas, celulares e sites de convivência”. Chama-se mais exatamente 'MIGUXÊS' (...) O nome que deriva de 'amiguxo', termo utilizado para 'amiguinho'.

Vamos usar como demonstração, a seguinte frase:

Olha aqui, amigo, você é um filósofo e não deveria escrever em miguxês. Escreva em português correto, puro e simples. Escrever errado é uma excelente estratégia para afugentar visitantes e leitores, para não ser levado a sério, e para jamais ter um blog bacana e conhecido”.

Há vários níveis de miguxês desde o mais suave, até o quase incompreensível. Vamos dar à frase acima uma “tradução” de “miguxês moderado”:

“Olha aki... migu... vc eh 1 filosofu i naum deveria escreve em miguxes... escreva em portugues korretu... puru i simples... escreve erradeenhu eh 1 excelenti estrategia p afugentah visitantis i leitores... p naum se levadu a seriu... i p jamais te 1 blog bacana i konhecidu...”

A Wikipédia ainda recomenda: “Seja amigo, mas não em miguxês. Não escreva; “pq, vc, msm” e “naum ixcreva axim”. Use acentuação - não escreva “neh”, “eh”. Não encha seu texto de palavras como “bróder”, “mermão”, “pow”, “véi”, “falow”, “d+” etc. Elimine a preguiça de escrever”.

Entretanto, até que me divirto. heheheheheheh. Acho uma graça essa preguiça mental e despreparo intelectual de alguns. hahahaha Mas afinal, quem entra na “rede” é peixe kkkkkk e só quer descansar, né? rsrsrsrsrsrsr Viva o miguxês!!! auuuuuuuuuuuu!

Mateus Cosentino
Sampa – 03.05.2017

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