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MARIA SILVA BASTOS DEIXA PRESIDÊNCIA DO BNDES: SINAL DE ALERTA NO AR E FESTA PARA “COMPADRES”

Maria Silva Bastos “pediu demissão” do comando do BNDES, supostamente por “razões pessoais”. É raro uma notícia dessas vir de outra forma que não sob esse manto de tranquilidade e normalidade, mas todos lembram que Maria Silva vinha sendo “fritada” na presidência do banco estatal, justamente sob críticas de que estaria “segurando o crédito”, ou seja, tentando adotar decisões mais racionais na gestão.

Na era lulopetista, sob o comando de Luciano Coutinho, o mesmo que na década de 1980 aplaudia a Lei da Informática, o BNDES virou a mãezona dos grandes grupos, esses mesmos metidos em diversos esquemas de corrupção agora, como a JBS e a EBX (talvez ter Batista como sobrenome fosse um critério importante, vai saber). O PT, “partido dos pobres”, selecionou seus poucos “campeões nacionais”, que retribuíram com centenas de milhões para campanhas e propinas. Quem perdeu foi o povo mesmo.

O Brasil não tem capitalismo de fato, liberal, e sim um modelo de “capitalismo de laços”, ou de compadres, em que a “amizade com o rei” vale ouro, mais do que qualquer coisa. A patota patrimonialista, que trata a coisa pública como “cosa nostra”, não estava gostando nada das mudanças em curso, tanto pela investigação da Lava Jato como pela postura mais firme e profissional de Maria. Morria de saudades dos nacional-desenvolvimentistas, como Coutinho, Mantega e Dilma.

O governo Temer negou há poucos dias que Maria fosse sair, mas sabemos que algo está prestes a acontecer na política quando as autoridades começam a negá-lo. Não deu outra. Maria está fora, e resta saber como será a gestão do banco agora. Mas eis a maior prova de que, o certo mesmo, é não ter esse tipo de instrumento, pois o risco de captura é muito grande. Repito, portanto, a conclusão do texto em que comentei a “fritura” da ex-presidente:

Só há uma coisa a ser feita aqui: acabar com o BNDES e deixar o mercado de crédito realmente livre. Sem o efeito que economistas chamamos de “crowding out”, a tendência é a taxa de juros cair para todo o mercado, em vez de acontecer como hoje, quando apenas os “amigos do rei” conseguem as taxas camaradas, e o restante paga mais por isso.

Roberto Campos, grande liberal, ajudou a criar o BNDE, na época sem o S de “social”. Deu tempo de se arrepender, de perceber o erro que cometera. Acabem logo com o BNDES, pois com ele será praticamente impossível evitar a pressão pelo “capitalismo de compadres”.

PS: Se mesmo com Maria Silva na presidência não houve maior transparência quanto ao passado recente do banco, com empréstimos para lá de suspeitos que são caso de polícia, agora a probabilidade de mais informações sobre essas bizarras operações sigilosas fica ainda menor. Lula e sua quadrilha agradecem…

PS2: Temer foi rápido no gatilho e, em poucas horas, já tinha um novo nome de respeito para não perder a confiança do mercado, ainda mais em dia de rebaixamento pela Moody’s. Trata-se de Paulo Rabello de Castro, economista liberal que presidia o IBGE. Ponto para Temer. Talvez tenha ganhado mais algum tempo. E que Castro faça uma boa gestão, apesar de que, o ideal, continua a ser privatizar o banco. Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino
Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.


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