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Posse de Silmara Oliveira- Nova Presidente da Alita

Postado por Rilvan Batista de Santana 24/04/2017








Discurso da Acadêmica Silmara Oliveira ao tomar posse na presidência da Academia de Letras de Itabuna em 19 de abril de 2017
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Silmara Santos Oliveira/ cadeira 02/ patrono: Sosígenes Costa
Agradecimentos

Meu trato com os livros e a leitura está de braços dados com a disposição de imaginar, de ter tempo livre para divagações, sonhos e assombros... Tempos da infância e adolescência quando compactuamos com o passar das horas vagarosas, muito bem colocadas, na observação de formigas e borboletas, como diz Manoel de Barros; tempo das abstrações e de sermos esquecidos pelos adultos ocupados.  
Mais adiante, esse trato está ligado ao meu ofício de professora, neste campo, ampliei leituras iniciais de estudante, adquiri a consciência da preservação e respeito a Língua Portuguesa, base da literatura e compromisso dos homens e mulheres que empunham lápis e papel, modernamente computadores, glorificando o que há de mais sagrado para uma nação e sua unidade – a Língua. Neste particular, o Brasil, país de proporção continental, com bastantes variações linguísticas, mantém como língua única o Português, idioma amado em declaração e escrita pela ucraniana, Clarice Lispector, naturalizada brasileira.
Construí o que chamo de sensibilidade nacional pela causa do nordeste que tem uma literatura forjada nas senzalas e engenhos, bem como, as questões da política, de mandos e desmandos. Adocei meu olhar, sentindo a vida dos personagens que nada mais são que representações do cotidiano humano, passadas a ferro e fogo e, assim, o reconhecimento de que esta mesma nação brasileira habita dentro das páginas de Euclides da cunha, no assombro da pobreza e da fé. Do desespero e da força a empurrando para o front homens mulheres, crianças e velhos orientados pela liderança de Antônio Conselheiro. Na angústia de um Graciliano Ramos, a dureza mesmo, das impossibilidades humanas flagradas em Daltro Trevizan, saindo já do nordeste.
Anterior a isso, no plano da aproximação com o aspecto social, o poeta Castro Alves, alinhando-me aos que o consideram Príncipe da poesia nacional, poeta em tom maior no sentimento da paixão e, na condição de homem apaixonado, sofrendo e fazendo sofrer, como demosntrado no livro Leonídia, a musa infeliz do poeta Castro Alves, de Myrian Fraga.  No veio  pela liberdade,  imbatível nas declamações em púlpito, nos dias e noites ásperos da escravidão. Em tempos mais atuais, a prosa e o verso de Drummond, de Manuel Bandeira, poeta da indesejada e de balões juninos. Um sem-número de escritores nacionais tem emprestado ao nosso idioma seus nomes e obras de grande alcance, de inestimável valor, humanidade e humor. Acadêmicos e não acadêmicos.
Dentre os nossos augustos escritores sulbaianos, foi-me dado o prazer de aprofundar um pouco mais na obra do ficcionista Adonias Filho, ter contato com sua percepção desse mundo de fazendas de cacau e da natureza de homens brabos, Adonias aproximou a tragédia grega tanto dos personagens de um nordeste incrustado na Mata Atlântica rica e poderosa, tanto nos aspectos naturais – dada a elevada produção do cacau – quanto na formação dessa região a qual ele denominou Região Grapiúna. Além do estudo da obra, tive também a oportunidade de gerir a montagem da exposição e do Memorial Adonias Filho aqui em Itajuípe.
É doce e angustiante o contato com a ficção adoniana, e, hoje dia 19 de abril, data reservada à lembrança do habitante primeiro desta terra – o índio – me ocorre a trama do livro Fora da Pista, no qual trata da desumana e desleal conquista dos homens que aqui se assentaram em detrimento dos que já existiam os índios. Sempre oportuno, Adonias fez referência à sabedoria do índio no trato com o viver conforme a disposição do que a natureza lhe punha nas mãos.  Não pintou o índio com a paleta da ingenuidade, antes mostrou como foi dura e sangrenta a luta entre estes e plantadores de cacau ou caçadores. De todo modo, façamos nós a reflexão do que significa dizimar um povo com mais de três mil anos habitando essas terras. Membro de Academia Brasileira de Letras, Adonias Filho honra esta região e a ALITA, com seu trabalho de amplitude universal em sua forma e conteúdo.
E como a noite é de Academia, a primeira das academias do Brasil foi a Academia Brasileira de Letras fundada, a 20 de julho de 1897, Tendo Machado de Assis Presidente, Joaquim Nabuco Secretário-Geral, Rodrigo Octávio Primeiro secretário, Silva Ramos Segundo Secretário e Inglês de Souza Tesoureiro. Seu objeto primeiro: a cultura da língua e da literatura nacional. Cem anos depois, foi uma mulher Nélida Piñon a presidir a ABL indicando os sinais de mudança ao longo do tempo.
Na Academia de Letras de Itabuna – ALITA – ainda em idade tenra, – com apenas seis anos de fundação – há de caber também, além da missão da cultura da Língua e literatura nacional, o desígnio de exaltar a literatura Sulbaiana, ou Literatura do Cacau, lutar com vigor pela longevidade desta, que não diferente das outras, trabalha a memória de modo especial, recoloca o homem e a sua luz, com no poema de Sosígenes Costa, a literatura regional dispõe da vida dos nossos antepassados para o leitor. Todos os acordes são postos à mostra, com veias abertas, por diferentes e variados autores; dias e noites, madrugadas e amanheceres, nas matas ou em águas dos mares desta costa.
 Em muitos casos, é o regime da memória que norteia as páginas dos autores regionais, e sabemos que a memória não se curva às linhas do esquecimento, antes, reflete como espelho e, então, é que revisitamos os rios as estradas, ruas em calçamentos rudimentares, lavadeiras, homens na cabruca, o corte, a secagem do cacau, seu perfume in natura. Mulheres que se dão ou são tomadas. É a vida que se vai tecendo num vasto painel de cores ora fortes, ora esmaecidas, cheiros e texturas em infinitas nuances.
Compõem o cenário ficcional e não-ficcional desta academia nomes que a tem enriquecido, trinta e seis membros, sete correspondentes, entretanto, me eximo de citá-los nominalmente, por conveniência do tempo corrido.  Peço licença aos confrades e confreiras que aqui estão para prestar homenagem especial, às letras do ficcionista Cyro de Mattos, confrade a quem estimo e agradeço a minha presença nesta Casa. Quero dividir com vocês as sensações da leitura de três contos do livro em 2ª edição Berro de fogo e outras histórias.
Este livro é como se um mundo ido, retornasse com suas aflições de começo que se cria.  Entrevemos pastagens, estradas de pedras, rios limpos, natureza semi intocada, esperança nas mãos e sonhos nos olhos, destinos que se tramam para o de sempre, os pobres mais pobres.
 Nessa escrita, que se faz ler em um fôlego, sem que queiramos despregar os olhos, a vida corre em seu tom normal, e o normal se acerca das lidas diárias, impregnada do sofrimento como indelével. Sobrepesa nessas histórias, três contos aos quais me detenho, uma carga de expressiva impotência, seja no homem que mata um seu igual, um amigo, um inocente, e, perceba que o indivíduo mata, e nesse caso, é potente, mas não pode se livrar desse ofício de matar, que até entende como natural da vida. Seja a impotência da moça que engravida do patrão, à semelhança de Trevisan quando as moças têm um subalterno fim predestinado do sexo violado como no romance A Polaquinha. 
Mais ainda, impressiona o silêncio impotente e urdido na dificuldade e tristeza de uma criança a quem não é dado o direito de ter um animal de estimação, sucessivos bichos desaparecem pelas mãos do seu genitor. É a mesma marca de impotência. Somente o contato do leitor com o texto para ter conta do peso no ombro do filho, na sua solidão febril pelo desejo de ter um animal. E como um gato estendido nas mão,  abatido aos golpes do pai, essa criança enlouquece dada a sua miudez de criança que nada pode.  É como se o escritor tivesse sido esse menino porque transpõe de tal modo a sua dor que o leitor ela se estreita e se comove.
A literatura do companheiro Cyro, é essa mão invisível que nos humaniza dentro da dor sentida e, quando o texto assume essa humanização, suavizando o olhar para o outro, aproximasse do universal, do excelso.
À guisa de curiosidades, informo que ontem foi aniversário de nascimento de Monteiro Lobato 18 /04/1882, hoje, nascimento de Lygia Fagundes Telles, 1923 e amanhã data do nascimento de Augusto dos Anjos 1884.
Assumo, pois, esta Presidência sob o resguardo da honra, do trabalho e zelo pela Língua Portuguesa e pela literatura regional, pela vida comunitária e, conclamo os nobres confrades ao congraçamento que nos possibilite aconchego da boa convivência,  e ações que alcem voos ao encontro da juventude para que tomem gosto pela leitura e que seja reduzida a distância entre as letras e e os mais moços.  Que esta Casa ambicione inspirar nos jovens o gosto pela arte, leitura e exemplo de intelectualidade.
Neste momento, dou posse aos ilustres acadêmicos e confrades Lurdes Bertol Rocha Vice-Presidente; Sônia Carvalho de Almeida Maron, Primeira Secretária;  Sione Porto, Segunda Secretária; João Otávio Macedo; Primeiro Tesoureiro; Janete Ruiz Macedo Segunda Tesoureira; Cyro de Mattos Editor da Revista Guriatã; Ruy do Carmo Póvoas Diretor da Biblioteca; Raimunda Assis, Diretora de Arquivo; Raquel Rocha Diretora de Informática; Celina Santos, Diretora de Comunicação; Marcos Bandeira Diretor de Pesquisa e Assuntos Culturais.
É como mulher, estudiosa, cidadã brasileira, produtora cultural, que hoje com a graça de Deus e dos membros desta casa que confiaram na minha condição de trabalho, assumo a Presidência da Academia de Letras de Itabuna, agradecida e honrada pela fé em mim depositada.





Nova Diretoria:

Silmara Oliveira Presidente; Lurdes Bertol Rocha Vice-Presidente; Sônia Carvalho de Almeida Maron, Primeira Secretária;  Sione Porto, Segunda Secretária; João Otávio Macedo; Primeiro Tesoureiro; Janete Ruiz Macedo Segunda Tesoureira; Cyro de Mattos Editor da Revista Guriatã; Ruy do Carmo Póvoas Diretor da Biblioteca; Raimunda Assis, Diretora de Arquivo; Raquel Rocha Diretora de Informática; Celina Santos, Diretora de Comunicação; Marcos Bandeira Diretor de Pesquisa e Assuntos Culturais.



Fonte: ALITA

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