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MATEMÁTICA - Abobrinhas Filosóficas

Postado por Rilvan Batista de Santana 06/04/2017

MATEMÁTICA
Abobrinhas Filosóficas



Como faço todo dia, leio e curto ou não, as mensagens do Facebook. As que considero mais interessantes, procuro fazer um comentário simpático ou engraçadinho. Mara, minha esposa, sempre me avisa para tomar cuidado em brincar com pessoas que pouco me conhecem. Mas esqueço de me lembrar disso.


Há cinco anos dei resposta a uma mensagem de uma ex-colega de trabalho que não me conhecia bem e nem eu a ela. Sua mensagem era assim:

“Pra algumas pessoas não mostro quem realmente sou. E, acredite, elas pensam que é por medo. Na verdade não é, não tenho medo dos julgamentos da sociedade, e nem me importo com o que os outros pensam de mim… metade do que sou apenas eu entendo, e a outra metade só mostro pra quem vale a pena. Boa tarde amigos”!!!

Achei interessante uma pessoa se repartir em duas metades. Então minha imprecisa veia matemática logo se exprimiu:
Onde;
X = Quem acho que sou
A = “como apenas eu entendo”
B = “como só mostro pra quem vale a pena”

Achei que estava faltando outro tipo de componente naquela fórmula, ou seja: “Como sou vista”. Assim, formulei:
Onde:
Y = Média do que sou
X = Quem acho que sou
Z = Como sou vista

Considerei que minha matemática era mais engraçada do que correta. Mas já que ela havia dito que nem se importava com o quê pensassem dela, sem nenhum cuidado ou preocupação, escrevi uma resposta, considerando-a simplesmente bem humorada:

“Cara amiga,  há (ou deveria haver) uma lei dizendo: "Você é como se vê, somada ao como os outros a veem. O resultado desta equação, dividido por dois, é uma média. Então, sendo média, você é apenas uma abstração estatística que ninguém sabe o que é. Nem você mesma. (Da série Abobrinhas Filosóficas.)”

Para minha surpresa, essa “abobrinha” foi tomada como ofensa pessoal e provocou uma série de respostas iradas que explodiram como raios de verborragia neurótica, incontida:

"Simplificando Mateus, esta matemática de "média" que existe na sua vida, sequer existiu ou existirá na minha! Não me igualo aos "outros". Acredito que somos seres únicos, daí a minha tese de que somos sim insubstituíveis!! Todos nós possuímos algo a acrescentar no mundo! Ninguém vai passar por um mesmo local e deixar a mesma impressão, a mesma contribuição, ou o mesmo aprendizado, pois, ainda que se refira às mesmas coisas, se expressará de maneira diferente, conforme a sua personalidade e seu caráter. E isso, pra mim, se resume em uma só frase: Todos nós somos insubstituíveis! Pouco me importa como os outros me veem! Afinal de contas não restam dúvidas quando digo que a outra metade só mostro a quem vale a pena, portanto não me generalize! Sei muito bem quem sou, e que lugar ocupo aqui, e pouco me importam seus julgamentos desnecessários e irrelevantes”!

Além dessas palavras ela continuou com ofensas maiores, referentes à minha idade e situação de aposentado, tipo “retrógrado”, “preso ao passado” e outras piores que considero inadequadas para este meu artigo.

O fato é que essa má interpretação da minha bobagem “estatistóide”, tomada como ofensa pessoal, produziu em mim uma bombástica resposta. Surpreso e magoado, respondi dando coices com as quatro patas:

Quem precisa provar que é diferente é porque não tem nenhuma autoestima, nem amor próprio, ou amor ao próximo. Sinto um cheiro de enxofre no ar. Se você é você por que tem que falar tanto para provar isso? Sem pessoas como você os psiquiatras morreriam de fome. Não tive outra intenção além de brincar e recebo um texto digno de constar na sala de terapias pós-adolescentes. Sei que é querer demais que tenha um comportamento menos psicopatológico, ao ler algo que deveria ser uma piada. Por que você acha que chamei de "abobrinha filosófica"? Só porque não escrevi kkkk ou rsrsrs? Se uma piada for sem graça, não ria, mas não reconhecer que é uma brincadeira é falta de inteligência. Adeus estou cortando você das minhas relações”.

A resposta veio com igual intensidade e sentido contrário:

“Nossa, já vai tarde! E agora? Se não é mais meu "amigo" como é que vai ler a minha treplica??? rsrsrsr  kkk Possessivo, louco, inconveniente, e agora a psicopata sou eu né!!! rsrsrs Ufa já estava cansada de você querer ser o chefe aqui no Face também! Cheio de comentários idiotas e autoritários para todos e ainda dizer que "são brincadeiras”??? Me vinguei por todos, pois esta foi a primeira e última vez que você escreveu na minha página. Amor??? Sei que tenho de sobra por todos aqueles que conhecem aquele "outro meu lado" verdadeiro. Quem sofre por ser renegado é quem tem a necessidade de se auto afirmar a todo momento! Me sinto mais leve! kkkkkkkk

E não parou aí. Jogou para cima de mim uma quantidade imensa de acusações e ofensas eu achei injustificadas. Simplesmente a deletei como amiga para o resto de minha vida virtual.

Mas fiquei cismando sobre a origem de tanta agressividade. Custei a atinar o porquê, até encontrar a hipótese de que uma precipitada interpretação dela da palavra “você”, causou tanta ira. Imprudentemente usei o pronome de forma genérica, que, porém foi tomada como pessoal. Deveria ter escrito assim:

“Cara amiga,  há (ou deveria haver) uma lei dizendo: "Cada pessoa é como se vê, somada ao como os outros a veem. O resultado desta equação, dividido por dois, é uma média. Então, sendo média, cada um de nós é apenas uma abstração estatística que ninguém sabe o que é. Nem a própria pessoa. (Da série Abobrinhas Filosóficas.)”

Mas acho que a culpa é mais do meu esdrúxulo teorema, conforme não queria demonstrar. Ou terá sido da nossa inculta língua “brasileira”? Seja como for, passei a dar mais valor aos conselhos de minha mulher. Mas mesmo assim, tive algumas outras recaídas.

Mateus Cosentino
Sampa – 05.04.2017


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