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Escrevinhador não é escritor - R. Santana

Postado por Rilvan Batista de Santana 07/04/2017

Escrevinhador não é escritor
R. Santana

            Faz 2 semanas que me encontrei com Dr. Neto, proprietário do laboratório LIDI. Neto foi meu colega de docência no Colégio Estadual de Itabuna – CEI, por um bom período de tempo. É um homem simples, empreendedor de sucesso, hoje, seu laboratório é um dos principais da Bahia.
            Porém, não pra falar de empreendimento que fiz esta crônica, mas para conjeturar sobre seu cumprimento toda vez que me encontra: “Como vai meu principal escritor?”, credito o encômio na conta de nossa amizade. Tenho consciência que não sou “escritor”, no máximo, um escrevinhador sem eira nem beira e, de parcos recursos literários, um autodidata, um tabaréu sergipano, um sujeito inexpressivo intelectualmente, que não acrescenta nada num quadro acadêmico, segundo alguns pedantes itabunenses.
            Abre parêntesis:
Não sou órfão do mundo, não fui criado por meus pais biológicos, mas fui criado com muito amor e responsabilidade por tios e tias que foram os meus verdadeiros e eternos pais. A sabedoria popular diz: “pais são os que criam, os outros deram à luz”. Não tenho vergonha de falar sobre o meu passado e orgulho-me do presente. Aprendi na vida ser fiel, humilde, solidário, honesto, de princípios morais e éticos incorruptíveis.
Esta semana li o livro: “Um baiano, romântico e sensual”, escrito por João Jorge Amado, Paloma Jorge Amado e Zélia Gattai Amado, filhos e esposa do imortal Jorge Amado e, aprendi sua grande lição de vida:
- Minha filha (Paloma Jorge Amado), gente importante, aqueles que têm coisas boas na cabeça, que conseguem realizações formidáveis, são sempre gente simples, normal, sem besteiras. Não se iluda com quem empina o nariz e desdenha dos outros. Os emproados, metidos a besta, não valem nada, só pensam que valem.
Por outro lado aprendi, também, no dia a dia, o valor das pessoas mais despossuídas, daquelas que não têm chance na vida, são humilhados, passam fome...
Fecha parêntesis.
Na minha idade, não me move o elogio fácil, não alimento mais expectativa literária, não faço lobby, não tenho editor, não sou traduzido na Espanha, na Alemanha, na França, na Itália, não sou nem conhecido na rua que moro como escrevinhador, não publiquei ainda 50 livros, nem pertenço ao clube dos poetas nem ao clube da prosa, nem pertenço às principais confrarias acadêmicas, portanto, não sou escritor.
Não persigo outra coisa em minha vida, senão, a verdade, a lealdade, a liberdade de expressão e o amor, diferente de muita gente discricionária, autoritária, egoísta, caprichosa, que cerceiam, faltam com a verdade e perseguem aqueles que não se dobram aos seus fúteis desejos nem é lagartixa pra balançar a cabeça sempre.
Não renego meu perfil acadêmico, apenas, ajo com atitudes morais e éticas prudentes, estudadas, para não comprometer a entidade acadêmica que pertenço, não obstante, todos têm a obrigação de criticá-la e vê-la crescer na comunidade.  Faço crítica construtiva, não a difamo nem a denigro, não faço aleivosia, aliás, não critico a entidade, a entidade não tem desejo nem vontade, ela está acima das picuinhas pessoais, critico os dirigentes, ou melhor, o dirigente de plantão.
 Não desejo aparecer, por isto, meu cuidado de não ficar citando-a em qualquer produção como referência biográfica, porém, não deixo de indicar o nome da entidade acadêmica que pertenço nas antologias que participo nas editoras de Rio de Janeiro e São Paulo e nos sites literários que publico, a exemplo do Recanto das Letras, Domínio Público – MEC, da livraria virtual Amazon, do Letras Taquarenses, etc.
Não sou palmatória do mundo pra dizer o que é certo e o que é errado, estabelecer norma de conduta, acho futilidade ostentar medalhas, comendas no peito, diplomas nas paredes ou citar títulos honoríficos ou de graduações. Os grandes pensadores da História, não tinham títulos acadêmicos ou científicos, os títulos lhes eram dados pelo povo: filósofo, profeta, sofista, magister, sábio, matemático, geômetra, cientista... Platão foi quem fundou a primeira academia e os franceses deram-lhe forma.
Todos os homens possuem saberes diferentes, Paulo Coelho foi feliz ao expressar isso em sua alegoria: “A Canoa”. Um remador fazia a travessia de passageiros em seu barco todos os dias num grande rio, entretanto, coube-lhe um dia, transportar dois passageiros especiais: uma professora e um advogado, ambos foram lhe enchendo o saco o tempo todo, sabe “isto”, sabe “aquilo” e o remador respondia-lhes que “não” e a tréplica: “você perdeu metade da vida”, até que as águas ficaram revoltas, então, o remador perguntou-lhes: “...sabem nadar?” com o “não!”, ele respondeu: “vocês perderam toda a vida!”
Para entender a gentileza do meu amigo Dr. Neto: “Como vai meu principal escritor?”, recorri a Querofonte que saiu de Atenas (Antiga Grécia), e foi a cidade de Delfos consultar o oráculo: “Quem era o homem mais sábio de Atenas?” E, a pitonisa responde: “Sócrates!”. Sócrates em princípio não entendeu o que a representante de Apolo queria dizer como “o homem mais sábio de Atenas”, depois de refletir e ouvir um ou outro que ele considerava sábio e ufanava sua sabedoria, mas que não era sábio, concluiu que a pitonisa queria dizer que dentre todos os homens que pareciam ser sábios, ele era único que sabia que nada sabia: “sei que nada sei”.
A gentileza de meu médico reforça o meu pensamento: “sou um dos únicos acadêmicos da região do cacau, que tenho consciência que não sou escritor, mas um escrevinhador, uso a pena e o teclado do computador para exercitar a arte de escrever, mas não tenho editora, não tenho patrocinador, não tenho distribuidor, não sou conhecido pela crítica especializada, não sou consagrado, não pertenço aos clubes de poesia e prosa, portanto, não sou escritor, escrevo por compulsão, como Gabriel Garcia Márquez: “Quando não escrevo morro. Quando escrevo, também...”
Não me considero uma figura inexpressiva, salvo pra preconceituosos que julgam pela aparência, mas não julgam pelo conteúdo nem pelo caráter. Inexpressivo é quem teve tudo na vida e nada produziu ou pouco produziu...  
Por isso, dizer que sou escrevinhador e não escritor, não denigre a entidade que pertenço, mas é motivo de orgulho, pois o mais inexpressivo dos seus membros construiu uma família, uma carreira, uma história de vida com trabalho e honradez.
Autor: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons





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