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Edmar Bacha, economista, assume cadeira na ABL

Postado por Rilvan Batista de Santana 09/04/2017

Edmar Bacha, economista, assume cadeira na ABL

Autor de 12 livros e da fábula que cunhou o termo ‘Belíndia’, novo imortal defende país mais justo
  



Fardão. Edmar Bacha (ao centro), com colegas imortais e o ex-ministro Pedro Malan (à direita): tradição literária - Guito Moreto / Guito Moreto
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RIO - O economista que usou uma fábula para falar do enorme abismo social no Brasil em plena ditadura militar — “O rei da Belíndia” mostrava o país como uma ilha de prosperidade cercada por um mar de pobreza —, Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real, tomou posse nesta sexta-feira na cadeira 40 da Academia Brasileira de Letras. Com isso, mais um economista alcança a imortalidade. O Real trouxe a estabilidade monetária ao Brasil, depois de décadas de hiperinflação, que parecia ser impossível de vencer. No seu discurso, ele considerou esse momento “o mais alto da sua vida pública”.

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— Desde moço, Edmar usou a imaginação para tornar atraente a compreensão de temas econômicos essenciais para entender o que ocorria no Brasil. Tornou palatáveis as explicações, substituindo a aridez de conceitos abstratos, por palavras simples colocadas em um contexto imaginário para deixar claro o que queria dizer — começou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a apresentação do novo imortal, com quem trabalhou durante a elaboração e implantação do Plano Real.

Alegria a mais “nesse dia exultante”, com a “óbvia honraria de ser membro da Academia Brasileira de Letras”, afirmou Bacha.
Fernando Henrique prossegue, lembrando a sua fábula sobre a realidade desigual brasileira:

— “O rei de Belíndia” quis mostrar como a política econômica do período do autoritarismo, em um país de desigualdades como o nosso, não ia ao coração das questões, não combatia a desigualdade nem a inflação que a acentuava. Lança mão de inesperadas junções de sílabas para sugerir a mistura entre Bélgica e Índia, na época simbolizando, respectivamente, a prosperidade e o desalento, para ressaltar que as diferenças de renda e os contrastes sociais no Brasil se acentuavam, a despeito do crescimento da economia. O PIB, que aumentara a “taxas chinesas” na década de 70 do século passado, festejado pelo regime autoritário e apelidado de Felicitômetro dos Ricos por Bacha, escondia a distância cada vez maior entre a Bélgica e a Índia existentes no Brasil.

A segunda versão do livro, “Belíndia 2.0”, rendeu a Bacha, em 2012, o prêmio Jabuti como melhor livro do ano de Economia, Administração e Negócios.

Bacha tem 12 livros publicados e organizou mais 18 títulos. Sua atuação extrapolou os muros da academia, alcançando as áreas política e social. Ele presidiu o BNDES e o IBGE — este último logo após o fim da ditadura militar.

Em seu discurso de posse, Bacha exaltou os intelectuais que ocuparam a cadeira antes dele. Seu antecessor foi o jurista Evaristo de Moraes Filho, falecido em julho do ano passado.

— É uma satisfação adicional por estar assumindo a cadeira 40, que tem a peculiaridade de ter sido ocupada, desde o começo, por patronos que foram intelectuais que se distinguiram por unir o pensamento com a ação acadêmica, ação política e ação social — disse o economista.

Por vir de uma família com tradição literária, Bacha se disse satisfeito por seguir esse caminho:

— Quatro dos meu tios foram membros da Academia Mineira de Letras, inclusive a poeta Henriqueta Lisboa. Ela era feminista, não admitia ser chamada de poetisa. Ela dizia que poetisa coisa nenhuma “vocês homens, mesmo quando têm uma designação que termina em A, inventam uma nova, para diminuir as mulheres”.

Ele falou ainda do patrono da cadeira, o Visconde de Rio Branco, “possivelmente o mais importante estadista do Segundo Reinado”:

— Meu antecessor, Evaristo de Moraes Filho, tem uma obra extraordinária e imensa no campo do Direito, da Filosofia, da História das ideias e da Sociologia. Eu me concentro em temas relacionados à transformação social. Ao contrário da lenda, Getulio não outorgou a legislação trabalhista. Ela foi conquistada pelas lutas sindicais e operárias na Primeira República.

‘VAMOS DEIXAR A ‘BELÍNDIA’ PARA TRÁS’

O economista, que atualmente é diretor da Casa das Garças/Instituto de Estudos de Política Econômica, lembrou ainda o episódio da prisão de Evaristo em 1989 e da perda da cátedra na Faculdade de Direito. Quando veio a anistia, ele se recusou a reassumir o cargo.

— Disse que não queria trabalhar ao lado de farsantes que o denunciaram ao SNI, preferindo encerrar prematuramente a sua carreira, sofrendo com isso grande prejuízo financeiro — recordou Bacha.

Fernando Henrique dedicou boa parte de sua apresentação à luta de Bacha para debelar a inflação. O economista participou da elaboração do Plano Cruzado nos anos 1980, o que o ajudou, na década seguinte, a elaborar o Plano Real.

— Edmar Bacha, inspirado por um texto antigo de Pérsio Arida, havia sugerido em nossas reuniões que deveríamos indexar todos os preços, inclusive os salários, à Unidade Fiscal de Referência (Ufir), que fazia a correção monetária diária dos impostos devidos. Propunha a “ufirização” da economia. Estava dada a fórmula para um programa de indexação geral da economia: se tudo se movesse na mesma direção e na mesma velocidade, seria como se a inflação tivesse efeito nulo sobre salários, ativos e outros preços.

Esse foi uma dos pilares do plano que debelou a inflação de 5.000% ao ano. Hoje está em 4,57%.

O mineiro de Limeira foi escolhido imortal em novembro do ano passado, vencendo o ex-ministro do Supremo Eros Grau, por 18 votos a 15. Outros economistas imortais foram Roberto Simonsen, Celso Furtado e Roberto Campos.

— Vamos deixar a “Belíndia” pra trás, vamos tratar de construir um Brasil livre, fraterno e justo — concluiu Bacha em seu discurso de 40 minutos.

Prestigiaram a posse o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn; o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan; e os economistas Luiz Roberto Cunha (PUC), Claudio Considera e Regis Bonelli (Fundação Getulio Vargas) e Eduardo Giannetti.



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