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Brechó - R. Santana

Postado por Rilvan Batista de Santana 18/04/2017

Brechó
R. Santana

            Hoje, pensei fazer uma catarse, uma purificação das coisas ruins que me estão incomodando. Inicialmente, pensei consultar meu babalorixá: “agô, babá...kalofé!?” e a voz do babalorixá em meu ouvido: “Kalofé olorum, abiã!”.  Porém, lembrei-me que estava devedor de oferendas e o pensamento não foi longe. Pensei procurar um padre exorcista, mas a ideia morreu no nascedouro, na minha paróquia não existe padre exorcista como Karras e Merrin no filme: “The Exorcist”. Um psicólogo freudiano, também, não seria a solução: ele só sabe ouvir e fatura em cima do incauto paciente que “vomita” suas frustrações e seus complexos sexuais, e se autoexorcisa... Pensei numa sessão de quiromancia, mas as ciganas de hoje, não são como as ciganas de antigamente. Pensei consultar um pastor, mas o seguidor de Lutero, hoje, está mais preocupado em ganhar dinheiro do que tirar os males de alguém. Pensei consultar as bruxas... mas, as bruxas atuais, deixaram a vassoura e andam de automóvel. Pensei consultar a minha mãe Iyalorixá e pedi-lhe que jogasse os búzios e consultasse os meus orixás, mas lembrei-me que estava em débito com as orações...
            Porém, a solução veio por acaso ou montada numa bicicleta, explico: quando fui tirar o carro da garagem, de ré, quase atropelei um ciclista, ele olhou pra mim, e gritou:
- Brechó!!! - tive um insight: “eu vou construir um brechó (autocatarse) de sentimentos bons, sentimentos ruins e, condutas boas e ruins, atitudes espirituosas, imorais e antiéticas”.
Não será uma loja só de trastes desgastados pelo tempo, será uma loja de produtos que nunca ficam velhos e velhos pelo uso. Na faixada ler-se-á em letras góticas douradas: “BRECHÓ”. O produto não será exposto em tabuleiros feitos por qualquer marceneiro, mas em gôndolas planejadas. Nas primeiras gôndolas, ficarão os produtos sem valor ou quase nenhum valor; nas gôndolas intermediárias, ficarão os produtos de valores expressivos; nas últimas gôndolas, ficarão os produtos nobres que a moeda de venda é o tempo.
Quero deixar um recado para os desavisados: não sou feito da argamassa desses males nem do barro dessas condutas ou atitudes, mas o homem, ao contrário de Rousseau, não nasce bom, ele é naturalmente mau, a educação é que o  transforma num ser sociável. Porém, em algum momento da vida o homem é mau, se o homem não tivesse consciência de sua pequenez, que é sujeito à morte, que nem a fé soluciona a certeza da vida eterna, seria o pior dos animais.
A oração é imprescindível no processo da vida. Quando alguém ora, faz uma catarse de suas condutas más e sentimentos maus, vejamos:
 “Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”  
“Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”
“E Santa Maria, Mãe de Deus / Rogai por nós pecadores / Agora e na hora da nossa morte. Amém!”
Caro leitor, deixando os considerandos de lado, vamos para os finalmentes nas gôndolas:

(I) Gôndola: Ambicioso, antiético, capcioso, egoísta, embusteiro, impostor, imoral, maquiavélico; mau caráter, mesquinho, nerd, plagiador; traidor, tarado, safado, velhaco;

(II) Gôndola: Caftina, covarde, desleal, desonestidade, descarado, estuprador, falsidade, fake, falsificador, ira, invejoso, ladrão, ódio;

(III)  Gôndola: Bruxo, discricionário, imprestável, maldade, mau, raiva, ruim;

(IV)  Gôndola: Mal, ocioso, mentira, preguiçoso, misantropo, traição, vaidade, autoritário, fanqueiro intelectual, hackers, hipocrisia, inimigo, enganador, marqueteiro, destempero;

(V) Gôndola: Amigo, bondade, bom, bom caráter, bem, corajoso, ético, filantropia, generosidade, honestidade, humildade, ingenuidade, amizade e AMOR!...

Leitor amigo, eu fiz uma classificação empírica do que é ruim e bom em nossa vida, escolha uma gôndola de acordo seu mal ou seu bem, faça catarse das coisas ruins e agradeça ao Senhor as coisas boas. 
Ah, antes de fechar este texto, leitor amigo, permita-me saudar a minha mãe Iansã, esposa de Ogum e amante de Xangô: 
   
- Epahey Oyá!...



Autor: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons




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