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FOLHA SECA - geraldo maia

Postado por Rilvan Batista de Santana 05/03/2017

FOLHA SECA



Francisco
aflita por não saber de tua vida
                filho
dizem que emagrecestes em teu leito manancial
e que tua vazão estreita dia a dia
será que não te alimentas direito
da seiva original?
ou não te cuidas oh minha doce
criatura líquida
por acaso
andas metido em más companhias?
( cuidado, Chico, com os adoradores de fábricas)
não sabes o que sofro
com tuas águas contaminadas
e as feridas
tumores infeccionados das megausinas
que brotam em teu dorso
que há?
podes abrir as comportas comigo
não é preciso biópsia para saber que é maligno
mas que te anuncia a urgência de dar um basta
a este estado de coisas desregrado
desvitalizado
sem margens
        sem árvores
sem chuvas cíclicas
que vesgastavam de alegria teu corpo nú de rio
a cada respiração do verde pulmão da terra
com o alarido das enchentes lambuzadas de húmus
lágrimas e suor de tua gente
habitante fiel do teu silêncio
o que ocorreu, Francisco?
perdestes a clareza dos seixos?
e as dragas
que te retalham todo
minerando de aço tuas entranhas de lama
não percebem que és água
                                        pó
        vento
     fogo
sonho de mar
                    sede de si
de acariciar as pedras nas noites de luz

ah, como pudestes esquecer dessas coisas, Francisco?
também me desfiz em riso e pranto
no teu parto nascente
brotadura incessante de vida
do colo da serra
às tuas curvas de rio
meandro
  largo
riacho
                raso
     abismal
                                               espelho do oceano
olha
      não deixes mais que te poluam as veias afluentes
      nem que te contaminem o sangue potável
porque
se tirarem o coração de um ser vivo
pode até ser que nem morra
mas
      se tirarem o rio do seu curso natural
de rio
         é porque já não existe sol
                                            nem lua
                                            nem universo
                                            nem caminho
da tua mãe
natureza




Fonte: Recanto das Letras

Enviado por geraldo maia em 01/03/2011

Código do texto: T2821891

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