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O PASSEIO AO CORCOVADO - Marília Benício dos Santos

Postado por Rilvan Batista de Santana 01/02/2017

O PASSEIO AO CORCOVADO
   Marília Benício dos Santos

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Eu aprendi a dirigir. Como é bom! Muita gente, na minha idade, parou de dirigir. Costuma dizer: “não dirijo mais”. Pois não é que comecei a dirigir agora! É espetacular pegar o volante e seguir em frente! Sinto-me jovem. É um renascer. É como se estivesse começando a andar. Uma das receitas para permanecermos jovens é aprender algo novo; e é isso que faço no momento. Ainda não saio sozinha. Augusto vai sempre comigo. Ele me dá muita força. - Domingo vamos ao Corcovado, Marília. - Ótimo! Mas vou chamar Antonia. - Pra que Marília? Você tem cada uma! - Dar-lhe um pouco de alegria. Antonia mora no Vidigal. Chegamos à porta de sua casa e buzinamos. Margarida, a irmã de Antonia, veio trazê-la até o carro. - Vamos também, Margarida, tem lugar pra você.  - Estou tão desarrumada. - Entre “muié”, disse Antonia. Nem sempre a gente tem uma mamata desta. Margarida entrou. Seguimos para o Corcovado. Estavam muito contentes, rindo e falando alto. Eu, mais alegre ainda, porque estava proporcionando-lhes um pouco de felicidade. O dia não estava muito claro, mas deu para apreciar um pouco a beleza da vista lá do alto. Antonia olhava o Cristo, muito espantada e insistia em procurar uma porta para entrar. Na fantasia dela, lá em cima havia uma igreja. Demoramos por ali algum tempo e, na volta, Antonia entrava nas lojas olhando e querendo comprar. Margarida, porém, não estava com muita paciência. E dizia: “vamos, Antonia”. - Será que posso comprar um santinho destes - Pode, sim, respondi. Você tem dinheiro? - Tenho - Então pode comprar. Fique à vontade. Mas notei que Margarida continuava ansiosa. - Ande Antonia. Quero ir à missa das cinco horas. - Você já não foi à Missa, perguntei-lhe um pouco irritada e pensando: será que a pobre da Antonia não pode curtir o seu passeio? E aproximando-me dela, ajudei-a a escolher o que quis comprar: um pequeno binóculo com fotografia do Cristo. - Veja como é bonito! Vou levar este! - Se fizer a vontade dela, Marília, a gente não sai daqui hoje. Eu, sem entender muito o porquê da pressa de Margarida, resolvi vir embora, mesmo porque já estava esfriando. No carro, as duas não se cansavam de agradecer-me. Deixei-as em casa. Mas continuei intrigada com a ansiedade de Margarida. Dias depois, encontrei-a e, para matar a curiosidade perguntei-lhe: - Margarida, por que você estava tão aflita, com tanta pressa no dia do passeio?
Disse-me ela, bem baixinho, perto do ouvido:  - Marília, eu estava sem calcinha. Só me lembrei quando entrei no carro. Mas valeu a pena. Deus lhe ajude!

Fonte:

Do Livro “ARCO ÍRIS” - Marília Benício dos Santos

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