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ESQUECER UM AMOR DÓI TANTO Marília Benício dos Santos

Postado por Rilvan Batista de Santana 10/02/2017

ESQUECER UM AMOR DÓI TANTO
Marília Benício dos Santos

Marília Benício dos Santos
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Sentada nas pedras da praia de Itapoan, olhava a chegada dos saveiros. É lindo vê-los no horizonte e acompanhar sua chegada até a praia. O sol estava se pondo e derramava sobre a terra os seus últimos raios, que não eram dourados, mas vermelhos parecendo chama de fogo. As ondas batiam nas pedras com tanta força, que pareciam querer quebrá-las mas apesar de toda a sua fúria, eram transformadas pelas pedras em espuma. Como era gostoso sentir no corpo as gotinhas dessas espumas que subiam até nós.

Junto de mim estava Margot que com os olhos cheios d’água, declamava:

“Tu gostas tanto do mar

E eu me fico tão triste

Só em pensar

Que tu gostas assim tanto mar”.

- Margot, eu tenho a impressão de que Luiz não gosta assim tanto do mar.

Ela, porém continuou:

“Tu gostas mais do mar

Do que de mim

Porque dizes que o mar é verde

Mas tu não vês que eu tenho

A alma toda verde de esperança”.

Margot realmente vivia cheia de esperança. Vivia apaixonada e não era correspondida. Luiz era o nome da paixão de Margot. Os dois se conheceram em minha casa. Ele gostou muito da conversa dela. Conversamos sobre os livros de Machado de Assis.

Depois daquela noite, ficaram amigos e batiam longos papos.

Para Luiz, tudo não passava de uma amizade, mas Margot com sua fantasia romântica transformou tudo num grande amor. Quando ele percebeu que ela queria algo mais, afastou-se.

A pobre Margot vivia esperando a passagem do seu amor, na esperança de um encontro.

Luiz resolveu então mudar de caminho, já não ia tomar o bonde onde costumava tomar: em frente a casa de Margot. Mesmo assim, ela tinha uma esperança.

Naquele fim de tarde, ela sentada nas pedras, chorava muito. Ficara sabendo que Luiz estava namorando. Com os olhos cheios de lágrimas declamava:

“Amar e ser amada, uma aventura

Não amar sendo amada, triste horror

Mas há na vida, uma noite mais escura

Amar alguém que não nos tem amor”.

Eu muito aflita, fazia tudo para ajudá-la, mas estava muito difícil.

- Esqueça, namore outro. Vamos, esqueça.

Ainda hoje me recordo da expressão sofrida em seu rosto ao declamar:

“Esquecer um amor dói tanto

Que é melhor se lembrar a vida toda”.

E foi isso que ela fez. Não o esqueceu. Namorou outros mas não podia esquecê-lo.

Depois de muitos anos, encontrei-me com ela, agora, já casada e com netos. Conversamos muito, matamos as saudades. Ela convidou-me para dar um passeio na praia. Enquanto admirava a beleza do mar, ela declamava:

“Tu gostas tanto do mar...”


Fonte: Extraído do Livro CARROSSEL de Marília Benício dos Santos

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