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CARTA DE ADELINDO KFOURY
E O “LÚCIA OLIVEIRA” ?  HEIN!… HUM!… HÃÃÃ!…

Agora que só restam “cinzas” do Divina Providência, creio que os grandes empreendedores modernos já poderão estar de olho para cima do Colégio Lúcia Oliveira. Antes que o derrubem, pelo menos permitam contar um pouco da sua história (que, pelo visto ultimamente, pode até ser coisa sem qualquer serventia…).

Alguns livros costumam trazer informação que a primeira escola primária oficialmente instalada em Itabuna, começou funcionar em março de 1878 quando então Vila de Tabocas, mantida pela Prefeitura de Ilhéus, cujo professor chamava-se José Marcelino Borges. No que se poderia chamar “perímetro urbano” trata-se de fato concreto, porém considerando o “território total” da Vila, não condiz com a verdade.

Burundanga era um ponto dentro da mata, isolado e acesso difícil, cedido por Felix Severino ao seu tio José Alves quando aportou nestas bandas em 27 de setembro de 1867. Embora neo-historiadores, talvez por desconhecimento pouco façam referência, foi o jovem José Firmino Alves quem, após a morte do pai em 1874, tomou iniciativa de montar uma escola para as crianças das redondezas que passavam o dia apenas ajudando nas tarefas mateiras. Após buscar em Tabocas uma moça chamada Maria Rosa de Jesus, deu-lhe casa para morar e junto construiu um galpão dentro do qual armou mesas e cadeiras, por ele mesmo fabricadas utilizando material tirado da própria floresta. Aquela escola–que deve ser considerada a primeira de Itabuna- começou funcionar em 4 de março de 1876. A “professora” por ter a face muito corada, logo os meninos apelidaram de “Rosa Camarão”. Após alguns anos, mostrou-se tão dedicada e carinhosa com seus alunos que muitos deles resolveram homenageá-la criando um bloco carnavalesco chamado “Maria Rosa” (cuja história também vem sendo deturpada ao bel prazer de alguns “conhecedores”).

Nossas primeiras escolas públicas municipais na acepção da palavra - devemo-las ao Intendente Olinto Leone, que a partir de 1908 começou nomear professores como Bel. Júlio Virginio de Santana, Valentim da Costa, Marieta Galvão, Amália Lórens, Rosa Lima, etc. Somente a partir de 1909, surgiram as escolas públicas estaduais, então regidas pelas professoras Lúcia Oliveira e Etelvina Mendonça. Quando o município foi emancipado em 1910, já contava também com duas escolas particulares regidas pelas professoras Maria Bastos e Maria do Carmo Ferreira. Os noticiaristas da atualidade, sempre estão fazendo referência sobre ter o Colégio Divina Providência sido o primeiro ginásio itabunense. Bom lembrar que em 1915 o Professor e Filólogo Dr. José de Sá Nunes, acompanhado dos colegas Euclides Dantas e Álvaro Passos, fundaram o “Colégio Cabral” exclusivamente para alunos do sexo masculino que, dentro das normas daquele tempo, tinha currículo adequado ao curso ginasial.

Mas, deixemos essas prosopopéias iniciais passando ao assunto que, se acolhido pelo Mestre Rosário, será tratado nas maltraçadas de hoje.

O dia 5 de novembro de 1935 foi muito festivo aqui em Itabuna. O Prefeito Dr. Claudionor Silvestre Alpoim (meu padrinho de batismo e que tudo me relatou) recebeu na Praça da Bandeira o Governador do Estado General Juracy Magalhães e sua comitiva onde se destacavam ilustres figuras do cenário baiano, tais como Professor Fernando Barros, Secretário de Educação; Prof. Isaías Alves de Almeida, Diretor de Instrução do Estado; Eduardo Bizarria Mamede, Oficial de Gabinete do Governador; Dr. Arthur Cezar Berenger, Secretário do Interior; Dr. Inácio Tosta Filho, Presidente do Instituto de Cacau da Bahia. Autoridades locais e de municípios vizinhos, além de todos os colégios da cidade concentravam-se na praça que se tornou pequena para tão grande multidão. Após seu discurso o Prefeito Alpoim solicitou ao Governador Juracy para cortar a fita e, assim, inaugurar aquela obra construída pelo Estado da Bahia e entregue ao Municio de Itabuna. Numa homenagem a uma antiga professora, pertencente à família de grande conceito na cidade, o prédio recebeu o nome de Escola Lúcia Oliveira. Ali estava o que de mais moderno existia em termo de instalações, com amplas salas de aula, secretaria, área de recreação, largos corredores, recepção, etc.

Aquele espaço, permitam os queridos quase nenhum leitores a divagação, representa alguns capítulos muito importantes de minha vida. Quando criança estudava no Colégio Luso-Brasileiro. No fim de cada ano as escolas obrigatoriamente levavam seus alunos para submetê-los a uma “banca examinadora”, com provas oral e escrita. Um terror! Tínhamos que “enfrentar” professoras por nós consideradas duronas como Leonor Pacheco (anos depois, minha saudosa sogra), Silvia Sampaio, Maria Izaura, Eulina Mangabeira, Alzira Paim, etc.Só passava de ano, quem fosse aprovado com média superior a 5. Guardo até hoje as angústias que eu e meus colegas passávamos, com mãos geladas, coração disparado, pernas tremendo. Ainda tenho minhas notas e também o “Diploma de 5º Ano”. Sim, tinha diploma também… Uma justiça precisa ser feita àquelas examinadoras “duronas”: passados tantos anos, posso perceber que na verdade eram bondosas e acolhedoras, preocupadas tão somente com o bom aproveitamento de todos nós, graças a Deus.

O tempo foi correndo e naquelas salas presidi muitas vezes a 19ª Secção Eleitoral. Também participei de festas e quermesses. Muitos anos depois, ali passei momentos de imensa felicidade, após ter feito o exame de admissão para o Ginásio Noturno Firmino Alves, convivendo com tantos bons colegas que em grande maioria deparo ocupando posições e cargos importantes Brasil afora.


Vocês agora podem também aquilatar o tamanho da minha preocupação. Sem quaisquer salamalecos bairristas, estou encarando a dura realidade da minha terra. Na atualidade, o povo está quedado e frouxo. Esvoaçando em torno de todos nós, estão aqueles que se intitulam fazedores do progresso.

Carta  de Adelindo Kfoury 

Fonte: Enviado do meu Smartphone Samsung Galaxy




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