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A DEMOCRACIA DOS TÍTERES: UM ANSEIO PELA EXISTÊNCIA ENQUANTO SER
publicado em sociedade por Tiele
A crise pensada filosoficamente dentro da democracia evidencia o desespero do ser enquanto Ser. Quem você é?


A palavra do momento é “crise”. E todas as perspectivas são justificadas a partir do conceito. “Crise Econômica” que se constitui pelas recessões, pela elevação de débitos e desfalque de crédito, ou pela incapacidade de gerir o crédito que pode ser proveniente da “Crise Política”. Esta, estabelecida no âmbito de contradições constitucionais marcadas pela ilegitimidade do poder decorrente da inconsistência conceitual da forma de governo, no nosso caso, da Democracia. E nesse sentido, abre-se brecha para as hipóteses do Eu, que se desenha sutilmente como “Crise de Identidade”: O que faço aqui? Qual minha função na economia? Qual minha função no sistema político? Quem sou eu?

Diante da necessidade voraz de uma resposta à questão shakesperiana - “Ser ou não ser, eis a questão” – somos embalados a todo instante por um paternalismo que limita nossas ações, que pune pela desobediência, mas ainda sustenta o discurso que preza pela autonomia – através de instituições falidas e, ironicamente, pelas considerações supracitadas. O embalo nos deixa aturdidos. O termo “sujeito” nunca fez tanto sentido, para além da pessoa indeterminada, indivíduo, realmente estamos sujeitos: estamos a mercê da nossa própria condição fraudada pelas imposições externas.

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Quando no século XVII o Rei Luiz XIV declara com toda a sua pompa “O Estado Sou Eu” vê-se notoriamente que a expressão autoritária representava um modelo de governo político em que o político era a própria política, ou melhor, que a política era o próprio político. É irônico pensar que todo esse algoz autoritário seja uma fase sólida nos livros didáticos de história como um passado a não repetir-se em nenhum sistema político atual. Porque não é.

Refaz-se a conjuntura de crises, aqui, partindo da Crise de Identidade que configura o Ser, que configura o modelo como esse ser se estabelece enquanto Ser – a capacidade de linguagem basta?- que configura uma nova crise, a “Crise Conceitual”. Heidegger (1979) aponta para o amadurecimento das interpretações conceituais que devem ser entendidas pelo viés do próprio âmago da coisa. Desdobram-se interpretações, e o problema está no sentido em que, se há possibilidades de interpretação, não há legitimidade no conceito, pois a compreensão deste deve transpassar todas as subjetividades e delinear-se em uma objetividade.

Que é a Política? Que é o político? Que é a sociedade? Quem sou eu? Enquanto há sociedade, eu Sou? Profecias ontológicas: O homem é enquanto humano. O animal é enquanto animal. O político é enquanto o homem é enquanto humano. O não político já não pode ser humano, porque não é, e não pode ser animal porque a condição de político é própria do humano. Há fragmentos, rupturas. O não político, não é. E é nesse sentido que “a esfera da representação política fecha-se” (C.I., 2010). A participação nas eleições é um grito em silêncio. Os escolhidos preparam seus discursos sabendo que a possibilidade de contato com os outros homens é, sobretudo, pela linguagem. Mas não uma linguagem social, nova ordem, experiência comum. Reconhecem: “Não existe partilha de riqueza sem a partilha de uma linguagem” (C.I., 2010). Demagogia. Marketing.

O anseio pela política, ou a negação desta, implica nesses jogos quase mortais, porém dito políticos. E talvez não pela “inconsciência”, fragilização dos seres não pensantes, pela encenação vitimista e/ou inocente da população. Saber disso é considerar que a consternação bem como a rebeldia não irá alterar de uma hora para a outra os sistemas “imanentes que transcendem” nossas existências. Neste jogo o Eu anula-se.

Tudo bem, você escolhe o que veste, o que ouve, o que lê, o que come, mas já não são estas escolhas pré-determinadas pelas possibilidades de escolha? Quem é você sem escolher seu estereótipo? É o Ser um Nada? “Quanto mais quero ser Eu, maior é a sensação de vazio” (C.I., 2010). Todos os condicionamentos externos “não tecem uma identidade, mas antes uma existência” (C.I., 2010). Seu comportamento entre trabalho, lazer e família sustenta e é sustentado pelas relações produção/consumo de uma esfera vendida como liberdade.
Tudo bem, eu sou aquilo que eu sou. Mas o que sou? Eu Sou?




TIELE
Escreve pelos cotovelos tudo o que silencia a própria voz. Acredita que qualquer assunto pode ser meticulosamente discutido quando a companhia e a bebida são boas.







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