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O Rio Cachoeira - Maria Palma de Andrade e Lurdes Bertol *

Postado por Rilvan Batista de Santana 27/01/2017

O Rio Cachoeira

Maria Palma de Andrade e Lurdes Bertol *

O principal curso d’água do município é o rio Cachoeira, que divide a cidade de Itabuna e banha os municípios vizinhos. O rio Cachoeira não é só uma referência geográfica, é um patrimônio histórico, é o próprio testemunho da história de Itabuna e da região, uma vez que, pelas suas margens, penetraram os desbravadores como Félix Severino do Amor Divino e Manoel Constantino, que deram origem à cidade. Por ele chegaram os frades que catequizaram os índios, e os naturalistas que vieram estudar a flora, como Von Martius e Von Spix. O rio Cachoeira é formado pelos rios Colônia e Salgado, que, após a sua junção, a aproximadamente 500 metros à jusante da cidade de Itapé, recebe este nome.

O principal formador do rio Cachoeira, o rio Colônia, nasce na terra de Ouricana, banha os municípios de Itororó, Itaju do Colônia e Itapé, percorrendo 100 km desde de sua nascente até sua confluência com o rio Salgado. Alguns afluentes do rio Colônia são os ribeirões da Água Preta, da Fartura, do Ouro, do Jacaré, das Iscas, entre outros.

O rio Salgado nasce na serra do Salgado, a mais ou menos 300 m de altitude, distante 2 km do povoado de Ipiranga, no município de Firmino Alves. Banha as cidades de Firmino Alves, Santa Cruz da Vitória, Floresta Azul, Ibicaraí e Itapé, percorrendo 64 km até sua junção com o rio Colônia. São alguns de seus afluentes os ribeirões Jussara, Caxingó, Coquinhos, Barra Nova, entre outros.

Lurdes Bertol Rocha
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Os formadores da bacia do rio Cachoeira são importantes no contexto da região sul da Bahia, pois banham 11 municípios: Itabuna, Ilhéus, Itapé, Itororó, Itapetinga, Firmino Alves, Floresta Azul, Jussari, Itaju do Colônia, Ibicaraí e Santa Cruz da Vitória.

As características geomorfológicas da área da bacia, como forma de relevo, geologia e outros, influenciaram os rios quanto à drenagem, que é do tipo exorréica (desembocam no litoral) e quantidade de sedimentos. Predominam as rochas do complexo cristalino Brasileiro com permeabilidade e porosidade secundárias, decorrendo do fraturamento e cisalhamento das rochas, o que orientou o sentido do percurso de seus rios. No leito raso, o afloramento da rochas forma corredeiras, o que impede a navegação. Em toda a área da bacia, apenas ma cachoeira, denominada Pancada Formosa, é encontrada no rio Salgado, com 12 metros de altura, localizada na fazenda São Jorge, no município de Ibicaraí. Nela foi construída uma hidrelétrica, com potência de 300 kw, destruída pela enchente de 1964.

Com grande parte de sua vegetação florestal devastada, principalmente a de suas margens, continua ocorrendo erosão sobre os terrenos inclinados e assoreamento em vários pontos do leito dos rios, no período das chuvas fortes, quando recebem grande volume de água e transportam os sedimentos.

O regime dos rios da bacia do Cachoeira é pluvial, sendo que o fator mais importante na área é o clima, de três feições marcantes:

Clima quente e úmido, próximo ao litoral, típico das florestas tropicais com precipitação superior a 1800mm anuais, temperatura média de 24oC e umidade relativa de cerca de 80%, sem estação seca;
Clima de transição, ocorrendo um período seco nos meses de agosto e setembro. Apresenta temperaturas médias mensais elevadas e pluviosidade 1000mm anuais;
Clima seco a oeste, apresentando vegetação xerófila (de clima seco) e caducifólia (que perde folhas); precipitação de 700 mm e estação seca de mais de cinco meses.

A diminuição das chuvas nas cabeceiras dos rios formadores da bacia, nos períodos de estiagem prolongada, altera a descarga, diminuindo a vazão. Aliado a isso, os esgotos que são lançados em seu leito, além de outros tipos de poluição, fazem proliferar as baronesas com tal intensidade que estas cobrem todo o leito, modificando a paisagem, dando a idéia que o rio desapareceu, que está morto. Com a volta da chuvas e o aumento da descarga, os rios voltam a fluir normalmente.

O ecossistema que envolve toda a bacia está num estágio avançado de degradação e poluição, principalmente em áreas próximas aos centros urbanos. A bacia do rio Cachoeira está afetada pela erosão das vertentes, em consequência do desmatamento, esgotamento do solo, pelo uso inadequado, pelos esgotos urbanos e industriais, pela falta de saneamento de todas as cidades que estão as suas margens, pelos lixões criados em lugares impróprios, por doenças resultantes de poluição generalizada. Pela importância dos rios para os municípios por eles banhados, e o fato de a água ser um elemento essencial à vida, passou-se a planejar a recuperação, preservação e monitoramento do meio ambiente, através de uma política de utilização racional da bacia, protegendo-a dos problemas que a afetam. Espera-se, desta forma, recuperar a qualidade da água, executado um projeto que contemple a educação ambiental e, através dela, seja promovido o desenvolvimento social e econômico. É importante que seja rigorosamente aplicada a legislação ambiental.

O rio Cachoeira, com 12 km de extensão dentro do município de Itabuna, e 50 km desde sua junção com Colônia e Salgado até sua foz em Ilhéus, corre no sentido SW-E, indo desaguar no Oceano Atlântico através da baía de Pontal, em Coroa Grande (Ilhéus). Seus principais afluentes, dentro do município de Itabuna, são os rios Piabanha e dos Cachorros.

Na área urbana de Itabuna existem 14 micro-bacias de drenagem formadas por córregos, riachos e ribeirões que desaguam no rio Cachoeira, mas a única área em condições de ser efetivamente drenada localiza-se na parte central da cidade. O principal deles, o ribeirão de Lavapés, passou a receber o esgoto doméstico. O nome Lavapés foi-lhe dado em razão de ser parada obrigatória para aqueles que, vindos das roças, lavavam os pés cobertos de lama para calçar os sapatos antes de entrar na cidade.

O vale do rio Cachoeira ora se apresenta aberto em forma de U, ora se estreita em razão das colinas que se aproximam do seu leito. O seu gradiente é da ordem de 2m/1000 de declive entre Itabuna e Ilhéus, aumentando para o interior.

Fonte: “ De Tabocas a Itabuna”, de Maria Palma Andrade e Lurdes Bertol Rocha, Editus, Ilhéus, 2005.


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