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ENTREVISTA - EGLÊ, UMA MULHER GRAPIÚNA (Reedição)

Postado por Rilvan Batista de Santana 21/01/2017

ENTREVISTA - EGLÊ, UMA MULHER GRAPIÚNA

Postado por Eglê Santos Machado em 15 fevereiro 2014 às 11:59 Enviar mensagem   Exibir blog Entrevista- Eglê, Uma Mulher Grapiúna. Nascida na zona rural de Itabuna, Eglê Santos Machado não terminou o  segundo grau. Abriu mão de trabalhar e estudar para cuidar de seus filhos, coisa cada vez mais rara hoje em dia. Mesmo sem diplomas e títulos, o contato com os livros a fez uma mulher sábia, com grande bagagem de conhecimento e escritora de lindos poemas.
Desde 2009 administra o Blog Itabuna Centenária onde fala de cultura, cidadania, política, educação e poesia.  Em janeiro de 2014 concedeu-me  gentilmente esta entrevista, onde fala de sua infância, suas experiências e e sobre a região cacaueira. Tudo para que pudéssemos conhecer um pouco mais da história dessa mulher genuinamente grapiúna.
Obrigada Querida Eglê


ENTREVISTA
Por Raquel Rocha

Relembrando seu tempo de professora, como foi a experiência de lecionar na zona rural?
As crianças e os adolescentes da zona rural tinham a escola como a coisa mais importante da vida, eram amorosas e atentas às aulas. A professora era amada e sua palavra era lei. Como eu era muito jovem (havia alunos e alunas da minha idade, alguns até mais velhos) lecionar era como brincar de escola. Porém conseguia conduzir a sala de aula e ministrar as lições com responsabilidade e paciência, mesmo porque a mamãe estava disfarçadamente de olho em tudo o que acontecia naquela enorme sala com quase cinquenta estudantes.

Você presenciou o auge da riqueza da região cacaueira e a sua falência. O que você acha que piorou ou melhorou em Itabuna comparando o passado com o presente?
Nasci e vivi até os 18 anos numa fazenda de cacau, administrada pelo meu pai. Era muito grande e no auge da safra empregava pelo menos vinte trabalhadores; os empregados casados tinham uma média de três filhos, a esposa e algumas vezes um casal de idosos pais de um dos cônjuges. Os domingos eram muito divertidos, pois todos os trabalhadores e familiares reuniam-se para as compras na despensa da fazenda. Compravam carne seca, arroz, sal, açúcar, sabão, fósforo, fumo e querosene; frutas, verduras e outros produtos colhiam nas roças da fazenda. O rio lhes dava muitos peixes. Alguns criavam galinhas, porcos, fabricavam farinha. O dono da fazenda só tinha interesse no cacau. Morava na cidade, aparecia na fazenda quando muito uma vez ao ano. O assunto cacau era o importante, tudo girava em torno do cacau, de barcaças, de chuvas no tempo certo, de sol para a secagem das amêndoas, de boas tropas para transportar o cacau seco para os armazéns da cidade.  Quando começou a falência na região cacaueira eu já morava em Itabuna, mas pude muito bem perceber o tamanho da calamidade, pelas pessoas que antes trabalhavam nas fazendas e jaziam abandonadas nas periferias da cidade, crianças seminuas, famintas; e o pior, muitos pais de famílias enxotados e agredidos, quando pegos em alguma roça na beira das estradas cortando um cacho de bananas para amainar a fome urgente dos filhos. Foi muito triste ver tudo isso, eu que sempre vi tanta fartura na fazenda.

Quando começou com o ITABUNA CENTENÁRIA?
No final de 2009. Nasceu quase por acaso com o objetivo de homenagear a cidade que festejaria centenário em 2010, por isso o nome. Foi bem difícil o início, pois eu e algumas amigas mal sabíamos o básico em computação.

Quantos colaboradores o site tem? Quem são eles?
ITABUNA CENTENÁRIA  abriga 282 membros. Já teve mais. Poucos interagem, a maioria por dificuldade em  lidar com o site. Além do mais o Facebook é bem mais divertido. Esta semana eu comentava com um novo membro que quem não tem alguma bagagem literária ou gosta de pesquisar na Internet não consegue fazer algo na RSIC. Temos poetas,  escritores, padres, O Bispo de Itabuna, pastor protestante, atletas, psicólogo, gente da região e muitos de outros estados. Alguns são membros, mas me enviam textos por e-mail para eu postar. Todas as postagens feitas são compartilhadas no Facebook, no Twitter e no Google + que são como vitrines da RSIC.

Qual a linha editorial do site? Sobre quais assuntos você gosta de escrever?
Como se trata de uma rede social, sempre que entra um novo membro, depois dos votos de boas-vindas é pedido que leia o regulamento que  sugere, que em suas postagens conste sempre a fonte, que as relações entre os membros sejam de cordialidade, gentileza e, sobretudo, de respeito, para fomentar uma convivência pacífica e harmônica. Eu gosto de escrever  poesias, mas no site posto artigos referentes a manifestações artísticas  na cidade e quaisquer textos enviados por contatos, confrades e amigos, dando preferência a textos referentes a Itabuna e Região Grapiúna.

O que vale a pena ser preservado em nossa região?
Esta força do povo e sua capacidade de em momentos difíceis praticar a gentileza e conservar a esperança.  

Como você vê a vida cultural em Itabuna?
Tem altos e baixos, mas desde o segundo semestre do ano passado percebo que tem se mantido bem efervescente.

O que a poesia representa em sua vida?
A poesia é inata em minha vida. Respiro. Faço poesia!



Resplende a Luz.  Transborda a Alegria
A Paz mostra sua serena face,
Triunfa a Vida em sua inteireza
Vibra o imenso da amizade!
Funciona a tática da delicadeza
Que faz de cardo relva tenra e branda!
Repouso em ombro quente, amigo
Sem  ferida, sem vergonha de chorar.
Após a  solidão, final feliz!

Eglê S. Machado

Fonte: Itabuna Centenária / Arquivo do Sabe-Literário (Itabuna, 14 de fevereiro de 2014)



Rilvan Batista de Santana deixou um novo comentário sobre a sua postagem "ENTREVISTA- EGLÊ, UMA MULHER GRAPIÚNA": 
Eglê é uma poetisa com vários recursos linguísticos e literários. Sua poesia e sua trova não se prendem, somente, à temática regionalista, alguns poemas são temas universais. Não peca por ser autodidata, muitos escritores e poetas foram autodidatas, porém, os seus talentos e determinação sobrepujaram sua formação escolar e lacunas intelectuais. Se não citarmos Machado de Assis, Graciliano Ramos, Cora Coralina, Rachel de Queiroz, Plínio de Almeida, dentre outros, como gênios da palavra que nunca pisaram os pés numa universidade, não iremos entender que a arte e a poesia requerem mais sensibilidade estética e criatividade do que conhecimento formal. 

Eglê, além de dominar, parcialmente, o nosso idioma, possui uma cultura geral através da leitura do mundo, significativa. Nascida dentro de uma roça de cacau, ela teve, desde cedo, a orientação decisiva de seus pais em sua educação, portanto, não é de admirar o seu gosto pela leitura e pelo conhecimento. 
O dia a dia num ambiente bucólico e a lida de dona de casa serviram-lhe, hoje, para despertar o seu interesse ecológico, pelas artes, pela cultura. Ela saiu do anonimato, tanto quanto outros valores, graças viver no século da informática e da internet, senão, continuaria escondida no recôndito do seu lar e sua sabedoria seria privilégio de poucos.
Deus lhe dê muitos anos de vida para que o seu dom no manuseio da palavra não fique adstrito só em nosso rincão tupiniquim, mas que suas ideias e seus versos ultrapassem fronteiras e ela seja contemplada com muitas outras entrevistas, afora esta que tive a ventura de ler.

Itabuna, 14 de fevereiro de 2014

Rilvan Batista de Santana

P.S: Eu fecho, aqui, o meu compromisso de compartilhar o "Saber-Literário" com o site "Itabuna Centenária" (ICAL). Nem sempre sou compreendido pelos meus atos... Sou fiel aos amigos, porém, a recíproca nem sempre é verdadeira. 
Fui um dos incentivadores na criação do "Itabuna Centenária", cooperei com as minhas produções por algum tempo, defendi o ingresso da administradora do ICAL na Alita, mas fui vencido por gente que, hoje, é sua "mui amiga"... 
As postagens do "Saber-Literário" sempre foram publicadas com autoria e origem, divulgo o que é de domínio publico e nada que não valha a pena. 
Não sou cínico, sou correto, ético e, Deus me deu certo dom para escrever, leio muito, não preciso "abocanhar" produção de ninguém para alimentar o "Saber-Literário", faço-o para ajudar na divulgação de outros autores, de outros sites, na leitura e na escrita de jovens e adultos, levar informação e conhecimento aos nossos leitores comuns e aos ficionados em literatura. 
Tenho consciência, sem falsa modéstia, que contribuo para literatura da Região, porém, muita gente não reconhece nem valoriza, mas fazer o quê? Para mim, é de somenos importância a opinião dessas pessoas, os boicotes, as represálias, as futricas e os egos inflados, importa-me o hobby. A ingratidão me persegue...  R. Santana, Itabuna, 21.01.2017 


1 Responses to ENTREVISTA- EGLÊ, UMA MULHER GRAPIÚNA
1.     João de Paula Says:
2.             Tenho a impressão e a certeza que a sabedoria de Eglê Santos Machado vem de Deus.
É uma pessoa simples, amável, dedicada, gentil, pronta para servir, com um conhecimento que vai além do comum.

Foi um dos meus presentes em vida, conhecer esta poetisa, escritora,administradora do Itabuna Centenária. Nunca especulei à respeito de sua vida, se era do alto grau ou de nível inferior, pois, o que me encantou foi a bondade emanada em sua pessoa, na sua sutileza.

Adorei ficar por dentro desta mulher das letras, a Rainha das Letras, que tanto fez e faz por todos nós, pelo nosso saber, pelo bem-estar.

Neste sentido, eu parabenizo você por suas ações benignas e amplas em favor da arte, do bem e do belo.

Seu fã literário.
João de Paula, escritor e Jornalista.



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