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É PRECISO TER CLASSE? - Mateus Cosentino

Postado por Rilvan Batista de Santana 12/01/2017

É PRECISO TER CLASSE?

 A origem do Sistema de Castas na Índia, não é muito precisa, mas a versão menos contestada, diz ter  surgido por volta de 1600 AC, quando os Arianos, vindos do norte, invadiram a região, subjugando e escravizando os povos nativos. Mas a justificativa dessa discriminação social aparece apenas em 800 AC no Manu, livro sagrado do hinduísmo que atribui a existência do Sistema de Castas indiano, como criação de Brahma, a divindade criadora do Universo.

Em sua origem a Casta passava de pai para filho e os casamentos somente podiam ocorrer dentro do próprio grupo. A Casta mais elevada, pois nascida da cabeça de Brahma era a dos Brâmanes, isto é, os sacerdotes. A seguir vinham os guerreiros Xátrias, que nasceram dos braços de Brahma. Nascidos das pernas da divindade estão os Válcias, comerciantes, camponeses e artesãos. Os Sutras, natos dos pés do Criador, compõem-se de servos, camponeses e operários. Finalmente, abaixo de todos e surgidos da poeira dos pés de Brahma, ficavam os Párias, os intocáveis que nem Casta tinham. Claro que no decorrer de milhares de anos muitas subdivisões ocorreram na complexa estrutura social da Índia. 

Porém quando em 1848, em seu Manifesto, Marx e Engels definiram o conceito de “Luta de Classes”, eles estabeleciam que a tal luta seria travada entre apenas duas classes: A elite, proprietária dos meios de  produção e do outro lado os trabalhadores, donos apenas de seus descendentes, ou seja, sua prole e por isso, chamados de proletários. Evidentemente estou fazendo aqui uma simplificação, que nem um dos dois autores aprovaria, pois desde sempre houve a aristocracia, a burguesia, os militares, o clero, os mestres de ofício, os artesãos, os servos e os lumpens. Mas não houve uma sistematização disso porque, no ocidente, Brahma é apenas marca de cerveja.

Entretanto, o Capitalismo Moderno e os Departamentos de Marketing são, sem dúvida, os responsáveis pelo surgimento das assim chamadas Classes Socioeconômicas, que são apenas segmentos de famílias classificadas conforme a remuneração domiciliar, a posse e quantidade de certos bens domésticos e o grau de instrução do chefe da família. O critério de diferenciação se dá pela soma de pontos atribuídos a cada uma dessas caraterísticas encontradas na residência familiar, com maior ênfase no “poder de compra”, isto é, a renda da família. Assim, toda a população é basicamente classificada em Classes A, B, C, D e E, que também podem ser subdivididas e que variam conforme os métodos utilizados. Como no Brasil esta classificação varia constantemente, é comum uma confusão generalizada de muitas análises de estratificação social. O quadro anexo é um exemplo da divisão de classes publicada pelo DataFolha em novembro de 2013, que relata a evidência de que “O Brasil é Pobre”, pois 66% das famílias brasileiras, somando-se todos que trabalham em cada domicílio, obtiveram em 2016, uma renda mensal de até 2,3 salários mínimos.

Como trabalhei em Marketing por mais de 35 anos, sou muito influenciado por essa coisa de classe social das Pesquisas de Mercado. Vivo dizendo; essa marca é para a classe C, este bairro é classe A, aquela família é classe B e assim por diante. Isso choca muita gente que considera minha postura discriminativa e talvez seja mesmo um “osso de ofício” consequência de tanto trabalho que tive para “posicionar produtos de consumo”. Isso é muito importante para determinação de preço, confecção de embalagens, criação de comerciais de TV e outras coisas mais.

Mas no dia-a-dia, aqui neste país tropical, todos nós classificamos a sociedade em que vivemos, simplesmente assim: Existem os ricos, “nós” e os pobres. E o “nós” fica competindo, comparando seus bens – da roupa aos imóveis - querendo sempre imitar os ricos e jamais parecer pobres. A resultante dessa postura simplória é que aparentemente todos nos sentimos “classe média”, excluídos apenas os muitos ricos e os paupérrimos. Isso não se parece com as castas indianas? Nessa classificação simplória, diferentes de nós, somente são os “Brâmanes”, aos quais tudo é permitido e os “Párias”, os intocáveis e ignorados, de quem só se quer distância.

Mas, mesmo sendo eu próprio um “Classe B”, um classe média “tradicional”, combato essa enorme, imensa autodefinida “Classe Nós”, que discrimina todos que parecem diferentes por pura e completa ignorância de hábitos, usos e costumes civilizados, diferentes dos seus.

Tenho tido constantemente demonstrações de que, na verdade só existem duas classes na sociedade; os grosseiros ignorantes e os homens e mulheres de boa vontade. Os que temem, por ignorância, as diferenças e aquelas que tentam aceita-las ou minimamente entende-las.

Recentemente estive em um hotel praiano de diária de baixo custo, onde nenhum hóspede me retribuía nenhum cumprimento, de “bom dia” a “feliz Natal”. Vingativamente classifiquei o local como “hospedaria de caipiras classe C”. Mas, quase imediatamente me arrependi, afinal era Natal. Porém passei a aceitar os hábitos e costumes locais e também não mais cumprimentei ninguém.

Entretanto isso não me deixou feliz, ao contrário, senti-me mal educado. Afinal não custa nada ser gentil e amigável. Comece por sorrir e responder “bom dia” a quem o  cumprimenta, seja quem for. É tão fácil e é um ótimo começo.

E, em minha opinião, isto é ter “classe”.  

Mateus Cosentino
Sampa 28/12/2016




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