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O NÓ NOS CAMPOS AFETIVOS DE KAFKA - Gisele Regina

Postado por Rilvan Batista de Santana 14/11/16

O NÓ NOS CAMPOS AFETIVOS DE KAFKA - Gisele Regina


Franz Kafka era um escritor de grande influência em sua época devido às suas autobiografias. Em se tratando da vida pessoal não se pode comprovar o que é ficção ou realidade na versão kafikiana, uma vez que seus escritos são recheados de emoções “engaioladas” e a afetividade não passava de um freio veloz na hora de expor-lhe oralmente.

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O escritor tcheco tinha a escrita como ferramenta de escape da realidade tão inflamada, a fim de purgar tais emoções como: mágoas, ódios, amores, sonhos e assim por diante. E tudo isso porque 'falar' fosse a parte mais difícil em se tratando de afetividade. Às vezes, a melhor forma de fugir dos problemas, ou até mesmo de não criar outros, é não dar toda importância às emoções, aos sentimentos e às paixões existentes, quando se trata de ter que demonstrar ao outro. No caso de Kafka não havia jeito de demonstração de afeto.
Na personagem de Gregor em Metamorfose ele se dedica ao trabalho burocrático e a dificil relação com o pai. Bem como o crítico Walter Benjamin diz: “O mundo das chancelerias e dos arquivos, das salas mofadas, escuras e decadentes, é o mundo de Kafka”. O escritor tcheco veste em sua personalidade a introspecção simbólica, depressiva e deveras abstrata, à medida que se utiliza de figuras de linguagem, que seriam mais uma forma de não expor a real situação do seu universo particular. E como se fossem mensagens em códigos para quem quisesse por livre e espontânea vontade o entender, já que compreender seria impossível. Além disso, ainda em Metamorfose, Gregor é o inseto que Kafka sente ser com a relação a figura paterna nostálgica e cancerígena, porque seu estado de espírito nunca fica em harmonia quando se trata de se dirigir a seu genitor, há uma doença interna que o deprime em consequência da falta de diálogo e afeto.
Kafka parece que preferia morrer de sofrer em seu abandono costumeiro do que enfrentar o homem que o colocou ao mundo. E qual seria o sentido do medo de Kafka? Seria hábito da época ou comprometimento com as regras sociais para manter as aparências? Já que ambos mantiam distância em Metamorfose: seu pai por repulsa e Gregor por pânico. O implícito exibia-se em fragmentos à medida que o drama não era tranquilizado com harmonia interior.
Havia uma espécie de comodismo relacionado com o medo de enfrentar a realidade das emoções, por isso, era mais confortável ficar recôndito e expurgar na escrita todos os sentimentos não mencionados diretamente ao seu genitor. Além disso na Carta ao Pai, o escritor tcheco diz: “Minha atividade de escritor tratava de ti, nela eu apenas me queixava do que não podia me queixar junto ao teu peito”. A soberania paterna influência-o muito em seus escritos literários, visto que quando se tratava de mostrar pessoalmente a afetividade ao pai não havia coragem. Kafka porventura via a relação dele com o pai como se estivesse ao tribunal, sempre pensando em se justificar na carta, e se defender racionalmente, já que emocionalmente não era cabível.
O escritor viveu no Modernismo existencialista. Em sua vida particular tinha atitudes de um mulherengo, cuja vida sexual era ativa, segundo seu amigo Max Brod, e não conseguia se manter em compromissos firmes com nenhuma mulher até conhecer Felice Bauer, que era parente de seu amigo Brod, da qual se comunicavam muito por cartas. E suas intenções de casar era um fracasso atrás de outro, assim como acrescenta na Carta ao Pai: “De primeiro tu colocas o fracasso de minhas tentativas de casamento no rol de meus demais fracassos; eu até não teria nada contra isso, pressupondo que aceites a explicação que dei acerca de meus insucessos até agora.” Sendo Julie Wohryzek a última tentativa de casamento não consumado, já que a objeção maior era sobre a conduta da moça. Acusava seu pai de não dar importância as questões do seu coração, nem ao menos a ele mesmo.
Franz Kafka poderia ser um “bosque”, um ensaio invisível chamando leitores para se “autodescobrirem” e se “autointerpretarem” de acordo com seu mundo, não importa se ele é uma multidão ou uma solidão. E na visão dele, talvez não fosse possível de se traduzir através da sociedade, que embora tenha de ser aceita devido à realidade psicossocial, para construir relações somáticas, o que está interno é o mais importante.
O que faria kafka na realidade do século XXI? Pois se antes fora um homem que vivia um paradoxo entre a vida boêmia e o isolamento, num contexto pós-guerra, hoje não seria tão diferente, visto que a alienação existe até no meio de multidões dentro do mundo tecnológico. Mas há alguma história (vida) fora do sistema? Creio que Kafka ironizaria e faria o seguinte: se recolheria para escrever em algum dormitório na vertical, abriria aleatoriamente uma página do word no seu notebook. Mas antes disso, para acompanhar suas tecituras, abriria um site na internet chamado youtube e digitaria o nome de Ludwig Van Beethoven, procurando por Moonlight Sonata Op.27 No 2, Mov. 1, para que a música pudesse tapar o barulho urbanizado e robotizado lá de fora. Enfim, começaria a digitar seus pensamentos e sentimentos sobre a realidade do mesmo jeito que escrevia no século XX.




GISELE REGINA
Escritora amadora; blogueira apaixonada; estudante de Letras Língua Portuguesa; pensa que é a Clarice Lispector reencarnada; ama música clássica (ah, Beethoven!); poesia; ama o silêncio, bem como as palavras..





Fonte:  http://lounge.obviousmag.org/imensidao_multicultural/2015/07/o-no-nos-campos-afetivos-de-kafka.html#ixzz4Py2sR9aC


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