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‘O governo está preparando o Banco do Brasil para privatizá-lo’, diz Belmiro Moreira

 No início da semana, o Banco do Brasil anunciou que serão fechadas oito agências no ABC, sendo que outras 10 serão transformadas em postos de atendimento em 2017. Para tratar sobre o assunto, o RDtv entrevistou o presidente do Sindicato dos Bancários do ABC, Belmiro Moreira. Segundo ele, ‘o governo está preparando o Banco do Brasil para privatizá-lo’.

Em todo o Brasil, o banco fechará 402 agências e outras 379 se tornarão postos de atendimento. Os trabalhos de 31 superintendências regionais serão encerrados. Em outubro, o banco anunciou o fechamento de outras 51 agências. Todas as modificações reduzirão 9.300 vagas no quadro de pessoal da empresa.

Confira a entrevista:

RD: Qual o impacto que a reestruturação no Banco do Brasil terá no ABC?

Belmiro: Esse programa de reestruturação que o banco está anunciando é o fechamento de mais de 400 agências no país, redução de até 18 mil trabalhadores, através do plano de incentivo a aposentadoria. A gente tem já anunciado o fechamento de 8 agências bancárias nas sete cidades, na verdade Diadema, São Bernardo, São Caetano e Mauá, além de redução de cargos que serão extintos pelo banco, o que vai deixar vários trabalhadores sem função dentro das agências bancárias e sem local para trabalhar. E também algumas agências bancárias virarão posto de atendimento bancário, em torno de duas agências virarão este posto, agência menor que não se sabe se terá atendimento ao cliente comum.

RD: Aqui tem muito banco que tem esse posto?

Belmiro: Conversando com o banco ainda não ficou claro se vai ter atendimento de caixa. Me parece que haverá atendimento de caixa, caixa eletrônico, o mínimo de funcionários, mas isso não está claro para nós, estamos cobrando. Mas com certeza o que podemos garantir é que vai precarizar ainda mais o atendimento bancário e dificultar o crédito pro cliente porque com a redução e reestruturação o Banco do Brasil é um banco público junto com a Caixa, que tem que fazer esse enfrentamento aos bancos privados para poder facilitar o crédito e fazer a economia do país girar. Com a redução, o impacto que vai ter refletirá no crédito, principalmente ao micro e pequeno empresário.

RD: Isso é pra acontecer imediatamente? Tem previsão?

Belmiro: O plano de aposentadoria está aberto e vai até dia 9 de dezembro. A reestruturação das agências é a partir de fevereiro do ano que vem, então não começa agora. Na região já temos duas agências fechadas, uma na General e outra na Dom Pedro (ruas de Santo André). A da General terá atendimento digital e reestruturação. O banco com este processo está prevendo criar 255 agências digitais no país para atender de forma digital, telefone, internet, aplicativo; não só o Banco do Brasil, mas os outros também que estão migrando para atendimento digital. O impacto acaba sendo em cima dos empregos. Com a redução, o banco está estimando a redução de posse de trabalho e do emprego dos outros trabalhadores.

RD: Aqui na região são quantos trabalhadores do Banco do Brasil?

Belmiro: Mil trabalhadores. Se seguir a nível nacional teremos 16% de redução no número de trabalhadores. Pra ser demitido, precisa de motivação, o trabalhador tem direito de defesa e por isso tem esse plano de aposentadoria. Como o plano não tem nenhum ganho para os trabalhadores, não é vantajoso. O que o banco propõe é o mesmo se ele tivesse sido mandado embora sem justa causa. O que o banco está propondo é que os trabalhadores saiam sem justa causa. No momento estamos tentando entender a reestruturação. Ontem se reuniram em Brasilia para ver negociações, para avançar em algumas questões, o Banco manteve algumas questões apresentadas no plano de aposentadoria. Estamos cobrando que estenda pra quem fica, então eles vão extinguir algumas funções e dão o prazo de quatro meses para readequação do trabalhador. Estamos cobrando pra no mínimo ser 12 meses, quatro é pouco.

RD: Como está o ambiente dentro das agências?

Belmiro: Estamos percorrendo as agências, conversando pra sentir qual o sentimento e vamos chamar uma plenária pra próxima semana pra organizar a luta. Ainda não definimos horário nem dia, já que o movimento é nacional.

RD: E para os clientes, quem tem conta deve se preocupar?

Belmiro: O que o governo está fazendo é um enxugamento dentro do banco, continuam aplicando o golpe. Porque defendem a aposentadoria por idade mínima de homens e mulheres a partir de 65 anos e querem aposentar trabalhadores do Banco do Brasil com idade de 50 anos. Estamos vivendo um período de desemprego e o governo quer reduzir 18 mil trabalhadores. O impacto é a precarização do atendimento, porque são menos funcionários pra atender os clientes. Então o governo está preparando o Banco do Brasil para privatizá-lo, estão abrindo mão das empresas públicas, que são fundamentais para o desenvolvimento do país. Os clientes terão dificuldade de atendimento.

Belmiro Moreira
Presidente do Sindicato dos Bancários do ABC
Foto: Caíque Alencar

RD: O que justifica a reestruturação?

Belmiro: As tarifas são altas, abusivas, os bancos estão ganhando mais com a crise, estamos discutindo a regulamentação do sistema financeiro, não existe uma discussão séria em relação a isso, apesar das propostas para redução de taxas e juros de dívidas públicas. O governo está propondo a PEC 55 para congelamento de gastos, que vai atingir justamente as pessoas que mais precisam de saúde, educação, mas não taxa lucro e dividendos destes que ganham em cima da maioria da sociedade brasileira. A proposta do novo governo de congelamento de gastos não congela os juros pagos aos bancos. Então o Banco do Brasil tem ganhado muito, o lucro é mais de R$ 7 bilhões, tem que ter redução de custos, mas o banco vai contratar? Até agora não tem e, em contrapartida, neste momento que o Brasil está mais precisando está havendo redução de trabalhadores.

RD: Porque não diminui o lucro do banqueiro?

Belmiro: Justamente o que estávamos dizendo, ao invés de propor taxa de lucro e dividendos eles querem atingir a maioria da população brasileira com redução de emprego e políticas públicas. Querem precarizar a saúde, educação, propondo aposentadoria a partir dos 65 anos de idade. Eles querem propor uma reforma da previdência, em contrapartida querem tirar 18 mil trabalhadores que têm em média 50 anos de idade. Esse trabalhador vai trabalhar onde? E ele não está levando nada com essa saída, não vai sair de lá com o bolso cheio não. Este é o governo que está no país.

RD: O que acha da PL 4330?

Belmiro: É um projeto de terceirização, mais um ataque aos trabalhadores que tem uma série de direitos, conquistas, tem uma CLT que precisa ser atualizada, mas tem uma série de conquistas de direitos que os trabalhadores não podem abrir mão. O PL C30 que era a 4330 da terceirização tem o interesse do setor financeiro, patronal, empresas pra justamente terceirizar todos os setores.  Dizem que o trabalhador é especializado, mas na prática não é isso que acontece. Ele ganha em média 70% a menos que o trabalhador direto, tem jornada de trabalho muito maior, uma série de direitos ele não tem. Então eu sou contra este PLC, agora quero dizer que o Congresso está se movimentando e tem outro projeto tramitando para ser aprovado na Câmara e esse PLC que está no Senado nem precisa ser votado. Então a luta tem que continuar.



Fonte: RD 

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