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INTOLERÂNCIA & PRECONCEITO - Mateus Cosentino

Postado por Rilvan Batista de Santana 24/11/2016

INTOLERÂNCIA & PRECONCEITO

Um jovem amigo me disse outro dia que todos nós ainda vivemos uma cultura de estupradores. Assustei-me com esta cruel autodefinição, mas não pude discordar dele. Sempre fomos, os humanos, cruéis animais predadores. Até hoje praticamos crimes hediondos, a todo o momento. Todos os dias os telejornais estão repletos de estatísticas de crimes de guerra, de facções, de bandidos e de maridos.

Entretanto meu jovem amigo acredita que estão se formando gerações “politicamente corretas” que respeitarão o próximo, o “outro”, os animais, a natureza e o próprio planeta. Não que os seres humanos ficarão “bonzinhos” e corretos, diz ele, mas sim porque não terão outra opção.

Não há como negar as evidências, mas discordo de seu juvenil otimismo. O ser humano, desde priscas eras, se adapta a tudo, mas nunca muda. Nunca deixou e nem nunca deixará de ser predador. Nossa civilização, de muito mais de dez mil anos, sem dúvida evoluiu, temos leis, temos polícia, normas de conduta, regras de educação... e cadeias repletas de criminosos.

Entretanto, mesmo nestes conturbados tempos atuais, a civilização humana pode viver muito bem. Pode-se até escrever mensagens que nos ensinam isso, como esta que copiei do Facebook:

1.            Persiga metas possíveis de serem alcançadas.
2.            Sempre sorria espontaneamente e genuinamente.
3.            Divida com os outros.
4.            Ajude os necessitados.
5.            Mantenha seu espírito jovem.
6.            Relacione-se com ricos, pobres, bonitos e feios.
7.            Sob pressão, mantenha-se calmo!
8.            Use seu humor para aliviar o stress.
9.            Perdoe aos que te incomodam.
10.          Tenha alguns amigos em quem confiar.
11.          Coopere e consiga as melhores recompensas.
12.          Valorize cada momento com quem você ama.
13.          Mantenha em alta sua confiança e autoestima.
14.          Vez ou outra permita-se quebrar as regras.
15.          Respeite as diferenças.

São ótimos conselhos, não são? Mas se eu disser que foram escritos por um membro de uma religião que não é a sua? Se for um Xintoísta, Budista, Muçulmano, Judeu, Católico, Protestante, Kardecista, Umbandista, ou Pré-colombiano... continuam para você ótimos conselhos, ou já ficou com “um pé atrás”? Até aí, tudo bem. Como não pratico nenhuma religião, aceito sem reservas, tudo o que acho correto, vindo de qualquer uma. Mas se eu disser que a mensagem é de Chico Xavier e seu conceito mudar, você acaba de “sentir na pele” o que é preconceito.

Eis a atitude geradora do preconceito: Todos aqueles que não são como eu, que falam, agem, pensam, ou não parecem comigo, são diferentes e causam dificuldade de os aceitar. O preconceito é odioso e ninguém tem preconceito apenas porque é ignorante ou mau. Na raiz do preconceito está em um instinto de sobrevivência comum a todos os seres vivos: O medo do diferente.

Preconceito é resultado de uma reação instintiva binária; o igual se atrai, o diferente se repele. É uma coisa instintiva na ameba, no réptil, e em nós; mamíferos. Tudo o que desconhecemos, “não é nós”; é “diferente” e assusta. Essa é a raiz do preconceito.
O quê aquele meu jovem amigo lá do início deste texto acredita é que o diferente se torna semelhante e totalmente aceitável com a convivência. Cães e gatos criados juntos não se estranham e convivem em paz. Este também é um fato absolutamente comprovado. Conviver é aceitar o outro e mesmo amá-lo.

Mas isso é mais comum de acontecer entre animais do que entre pessoas. Há, é verdade, muitas pessoas que amam sem restrições  a outros “diferentes”, inclusive e principalmente  “animais de estimação”. Porém, como somos humanos, como somos racionais, muitas vezes fingimos, contemporizamos, usamos eufemismos e expressões politicamente corretas, para parecer que estamos aceitando uma convivência “diferenciada”, que na realidade nos incomoda muitíssimo. Eis aí a origem do preconceito, uma das causas da humanidade viver entre brigas por motivos fúteis, assassinatos bestiais e fabricando guerras estúpidas. Diante disso, muito me surpreende como a civilização humana pôde se desenvolver até hoje, constituída como é por pessoas que se acham preconceituosamente “diferentes”.

Mesmo estando com aquela sensação de quem “descobriu a pólvora” novamente, devo declarar que a atitude chave que promove a harmonia é a tolerância. Esta é a postura correta, a regra preciosa nas relações interpessoais. Todos sabem que tolerância gera tolerância. Simples não? Não! Tudo é muito mais complicado!

Em primeiro lugar temos de cultivar a tolerância com persistência e dedicação, porque a intolerância é o sentimento dominante em nós (ao menos entre os que não são Santos). É fácil manter-se tolerante com os amigos (os “iguais”), mesmo que certas vezes não se entenda completamente suas reais intenções. Mas para aqueles de quem não gostamos e somos forçados a conviver (e estes são a maioria), aplicamos uma constante intolerância. Damos-lhes  a “tolerância zero”, considerando idiota e irritante tudo o quê minimamente nos desagrada, vindo deles.

Jean-Paul Sartre já definiu com precisão o peso da não-tolerância: “O inferno são os outros”. E a partir dessa infernal intolerância com as diferenças dos “outros”, começam a surgir todos os preconceitos, de gênero, número, grau e escambau.

Enviado por Mateus Cosentino




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