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IDIOTICES & CHATICES - Mateus Cosentino

Postado por Rilvan Batista de Santana 17/11/16

IDIOTICES & CHATICES- Mateus Cosentino

“Uma vez me disseram para nunca discutir com um idiota, porque quem estiver de fora da briga poderá não identificar quem é o imbecil. Além disso,  você se rebaixa ao nível dele e ele vence pela maior experiência “idiótica”. Então é melhor não correr esse risco. Vire as costas e deixe-o falando sozinho no vácuo. É a melhor saída”.

Uma minha amiga do Facebook me fez pensar, postando o texto acima, atribuindo-o a Mark Twain. Ali mesmo escrevi um comentário: Minha amiga fique você também atenta para identificar rapidamente um idiota. Não procure por orelhas grandes. Apenas preste atenção ao uso que ele faz das palavras. O idiota procura usar expressões "apropriadas" em contextos errados. Termos como "veja bem", "sinceramente", "inclusive", "pelo mínimo", "eu, por exemplo", entre outras.

Mas, inconscientemente achamos idiota qualquer pessoa que não concorde conosco. Então, se acho uma imensa quantidade de pessoas verdadeiramente idiotas, do mesmo modo deve haver uma multidão achando um sujeito ponderado, sensato e bem formado como eu, também um idiota!

Nada mais verdadeiro. Tenho 250 “amigos” listados em minha Rede Social e, provavelmente uns 75 me acham “legal”, enquanto outros 45 me acham “meio idiota” e apenas 5, que são meus desafetos, devem me ter como um idiota completo. Os restantes 125, não acham nada e nem sei porque estão em minha Rede.

É sabido que, assim como todo mundo tem algum talento excepcional, também todos somos idiotas em alguma coisa! Estamos sempre à cata de pessoas, grupos, partidos, torcedores de futebol... que adotem nossas mesmas ideias e as aceitem como “verdadeiras”. Mas infelizmente ninguém pensa  completamente igual a nós em tudo. Procuramos “iguais” e frequentemente encontramos “diferentes difíceis de relacionar” porque não concordam conosco.

Sempre me penalizei pelos pobres coitados que não concordavam minimamente comigo em alguma coisa, definindo-os como imbecis de plantão. Entretanto, vejam só, somente agora, após mais de sete décadas de vida, estou descobrindo que há diversos tipos de racionalidade, cada uma formando uma estrutura própria daquilo que chamamos inteligência. E todas partem de princípios não demonstráveis (os chamados axiomas).

Descobri isso quando um professor de matemática, após afirmar que as paralelas nunca se encontram, ressalvou ser esta regra válida apenas para a “geometria euclidiana”. Explicou haver outros contextos e outras geometrias, para as quais estas mesmas paralelas se encontravam sim, mas no infinito.

Até hoje, passados mais de cinquenta anos, isso ainda bagunça minha podre interpretação axiomática das coisas. Encontrar-se no infinito como? Não consigo imaginar onde é o infinito em que as paralelas se encontram. Então, para não correr o risco de idiotizar excessivamente meu fraco intelecto, formado a partir de princípios axiomáticos materialistas, empíricos e científicos, tornei-me para sempre um euclidiano por opção excludente. (Só não sei se esta decisão é também idiota.)

Nem bem terminava estas mal traçadas elucubrações e um outro amigo meu, postava uma mensagem adicionando mais um conceito sobre este assunto. Disse que coincidentemente pouco após haver lido minha mensagem no Facebook, deparou com outra de autoria de Érica Almeida. Postou-a dizendo que “já que é inevitável ser idiota, vamos lutar para evitar sermos também chatos”. Vejam sua citação:

“Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?  Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente é ele, pobre dele! Milhares de casamentos acabaram não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo.”

A maior parte das vezes procuro ser agradável e, quando escrevo, sempre tento usar certo humor. Dou muito valor ao humorismo, porque fazer graça é habilidade só possível com o uso racional e surpreendente da inteligência. Mas será mesmo que a felicidade está em ser idiota no dia-a-dia?

Posso ser idiota, mas se o sou é sem querer. Mas pior é ser chato. Serei um chato por sempre tentar ser sério e nunca idiota? 

“O homem que não ri não é sério, é um chato”. Ai está, portanto: Millor Fernandes quem deu a resposta:

Chato é o idiota que não ri.





Mateus Cosentino
Sampa – 03/11/16


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