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GÊNIO INCOMPREENDIDO - Mateus Cosentino

Postado por Rilvan Batista de Santana 12/11/16

GÊNIO INCOMPREENDIDO

Todos temos talento. Ele nasce com a gente e nos permite criar e construir obras com qualidade tão acima do comum, que algumas delas deveriam nos dar notoriedade e serem admiradas pelas pessoas com as quais nos relacionamos.


Entretanto o reconhecimento do próximo é muito difícil. Pois cada um de nós procura receber  reconhecido por seu próprio talento e lamentavelmente não valorizamos tanto o talento alheio.

Recentemente recebi um e-mail de um amigo contendo um quebra-cabeça. Era um teste de lógica numérica, dizendo que somente quem possuía um Q.I. maior que 140, conseguiria resolvê-lo.

Como o resolvi com certa facilidade, cheio de mim e querendo fazer graça, fui contar o acontecido para Mara, minha mulher, com o óbvio comentário final: ”Seu marido é um gênio, só você não acha isso”.

Mal terminei a frase e uma risada de deboche, preencheu a sala em que estávamos. Claro que estávamos brincando, mas não pude evitar sentir certa decepção com aquela risada.

Evidentemente não sou nem de longe um gênio, mas era preciso me esculhambar daquele jeito?  

Saí entristecido da presença de minha mulher, mas como sempre, minha memória veio me consolar com a lembrança de uma historinha que li há muito tempo atrás. Falava de Napoleão e se passava lá no início do Século XIX.

Naquele tempo, os aristocratas poderosos tinham um serviçal chamado “Criado de Quarto”. Sua função era manter o cômodo limpo e arrumado, mas também preparar os raros banhos, manter os utensílios apropriados para recolher o resultado das necessidades fisiológicas, manter o vestuário limpo e pronto para uso, vestir e desvestir o amo e outras coisinhas mais das quais nem vale falar.

Pois bem, Napoleão, o Corço, era o Imperador, o Gênio Militar, o homem mais poderoso e admirado por todos em todo o mundo. Podia ser sim herói para todos, menos para esse seu Criado de Quarto. Essa criatura via diariamente o Grande General, vencido pelo cansaço e caindo de sono, urinar, defecar e acordar amassado, com mau hálito...

O criado o via, portanto, apenas como um baixinho, gorducho e invocado, totalmente dependente dele. Que herói poderia ser qualquer indivíduo, nessas circunstâncias fisiológicas cotidianas? Daí o ditado:  “Ninguém é herói ante seu criado de quarto”.

Do mesmo modo, podemos transportar este ditado para os dias atuais, dizendo: Ninguém é herói ante um cônjuge cotidianamente dedicado. Ou seria melhor?: “Santo de Casa não faz Milagres”.

De qualquer modo, vamos deixar isso pra lá. Afinal esse negócio de “Quociente de Inteligência” é mais uma bobagem norte-americana e quebra-cabeça é coisa para se resolver, quando não se tem nada a fazer.

Mas acredite em mim. Todos temos nossos talentos e qualidades, apesar dos “Maus Criados” pessimistas que nos cercam cotidianamente, tentando nos por pra baixo.

Mateus Cosentino

Sampa 27/outubro/2016

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