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ENSAIO: POR QUE ENVELHECEMOS?- Alexandre Ferreira

Postado por Rilvan Batista de Santana 25/11/16

ENSAIO: POR QUE ENVELHECEMOS? publicado em recortes por Alexandre Ferreira

Envelhecer é um processo tão importante quanto nascer... pena que poucos de nós percebem isso e desfrutam da sabedoria dos anos a mais de vivência, porque o dom maior que temos é o de poder pensar sobre o próprio envelhecimento e morte.

Raquel3.jpg Foto livremente extraída de pixabay.com/pt/.

Pense no porquê de envelhecermos.

Não saberemos se existe resposta para tamanha indagação filosófica. Fato é que para uma parcela considerável de pessoas, numa abordagem realística e até muito cruel, em certa medida, a aproximação concreta da morte pode ser classificada como uma bênção, quiçá, uma libertação. Há que considerar a vida difícil que levam e a falta de acesso à saúde, educação, lazer, coisas incrivelmente básicas e que fazem parte da melhor vida, a única vida decente possível.

Por mais estranho à nossa inteligência que possa parecer, estamos nessa vida de passagem mesmo. Não é demais pensarmos que devemos fazer dela um caminho firme e digno para a eternidade. De uma forma ou de outra, a morte também é poética quando se atravessa a vida vivendo, tendo os melhores momentos como lembrança e os piores como ensinamento. Receio que antes de se pensar em Deus, num próximo eventual outro plano, devemos pensar primeiro em como evitar o lado negro da força nesse plano, aquele que nos persegue desde sempre e que alimenta nossas expectativas de ter uma vida abastada.

Aqui é apenas a menor parte de todo o nosso tempo existencial e não sou eu quem estou dizendo. Tudo bem. De certo que essa é uma abordagem entre tantas outras. Outro dia mesmo, foi publicada numa matéria muito interessante da Revista Mundo Estranho que todos viemos estruturados com células que têm um tempo de vida útil pré-programado, e estas simplesmente se rompem e morrem em um dado momento histórico que é só nosso.


Não somos mais do que bombas-relógio. Somos Homens-bomba de nós mesmos. De algum modo, essas células têm em si a indiscriminada capacidade de envelhecer de forma única. Em tempo, todo ser humano há de conservar em si uma capacidade única de envelhecer, que lhe é muito própria, que detêm somente o seu peculiar código de informações acerca de cada passo que cada célula dará em cada momento de sua vida. Trata-se de um preciso e incontrolável Relógio Biológico, ao qual ninguém é capaz de ter acesso, mas que pode, sim, receber pequenos ajustes finíssimos ao longo da vida, que fazem toda a diferença no seu decorrer e em como ela haverá de terminar. Afinal, desde sempre sabemos que relógios adiantam ou atrasam!
Enfim, o que se pretende dizer é que se optarmos por ter uma vida saudável desde sempre, nossas células, a despeito das informações genéticas ruins que já tragam previamente, tentarão compensar a sua autodestruição predefinida com o atraso da oxidação, prolongando sensivelmente a sua existência, ocasionando em si uma sobrevida fundamental aos tecidos e readequando a qualidade de suas funções básicas de existência enquanto vivemos. É dessa forma que somos afetados pelo nosso ritmo de vida, segundo a ciência.

Sem pretender adentrar demais nesse campo, nossa abordagem sobre a vida e sobre o envelhecimento, como se vê, pode ser espiritual ou biológica. É premente que sempre encontraremos uma explicação plausível para que nossa estadia por essa fase que se chama Planeta Terra seja explicável, de qualquer ponto de vista, entretanto, a melhor alternativa é pensar que somos seres dotados de vida apenas, e poeticamente falando, a vida tem um ciclo que lhe é necessário: Nascimento, amadurecimento, reprodução, envelhecimento e morte.

Se por um lado objetivo, então, podemos explicar coisas que são muito difíceis de entender, por outro, subjetivo, passaremos a questionar a razão de quem amamos não poder estar eternamente ao nosso lado.

Pois então, pensemos apenas: imaginemos aonde chegaríamos se ninguém morresse! Ora, a essa altura da vida no planeta estaríamos dialogando com a nossa centésima geração e não é difícil perceber que isso seria um tanto desconfortável do ponto de vista das experiências, e mais outro tanto inviável, do ponto de vista do preenchimento dos espaços, porque considerando a física, o planeta tem uma clara limitação espacial com a qual se torna cada vez mais difícil lidar. Há ainda a questão da evolução.

Como poderíamos evoluir se não pudéssemos morrer? Portanto, morrer é necessário cientificamente, embora desnecessário irracionalmente. Decisivo, no entanto, é pensar no porquê de envelhecermos. Já que teremos que morrer, por que temos que envelhecer antes?

A explicação para essa pergunta não encontrará respostas tão convincentes quanto a que nos revela o fato de que temos que morrer por uma questão definitivamente lógica, que nos remete à continuidade plena da raça humana.

O envelhecimento das pessoas causa problemas incontornáveis ao mundo, embora morrermos seja a solução para os problemas que o envelhecimento nos causa. É inacreditavelmente paradoxal.

Se não envelhecêssemos, seríamos eternamente filhotes da nossa espécie, e isso nos inviabilizaria a reprodução, algo que é muito básico à existência de uma qualquer espécie. Depreende-se dessa observação óbvia que a importância do envelhecimento está na maturação natural da espécie: só entendendo como nosso corpo se comporta com o envelhecimento celular é que viabilizamos como lidar com a morte necessária, é que compreendemos mais concretamente como o fim de um grupo de indivíduos no decorrer da história da espécie é capaz de influenciar na evolução dessa mesma espécie como um todo. Portanto, conviver com a deterioração dos tecidos é uma mal necessário à progressão da nossa raça, em termos biológicos.

Diante dessas constatações, temos que nem sequer travar o envelhecimento celular em um certo momento da vida do indivíduo pudesse ser algo interessante para a ciência, já que passaríamos a atentar contra a natureza, impedindo a conclusão de seu ciclo.

Assim, o modelo de ser humano ideal é o que se prolonga como espécie. Pode ser mais longevo pelo aprendizado das limitações naturais de seu corpo, em contrapartida da observação das experiências da sua própria espécie, mas precisa não ser extinto.

Para não ser extinto, precisa envelhecer e precisa morrer. E precisa aprender que envelhecer não é o começo do fim, e nem a morte é o fim.

Precisa aprender que o dom maior que temos é o de poder pensar sobre o próprio envelhecimento e morte.



Alexandre Ferreira




Fonte:http://obviousmag.org/o_zumbido_coletivo/2016/ensaio-por-que-envelhecemos.html#ixzz4QzbjKEPr 

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