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A Flor do Maracujá - CATULLO DA PAIXÃO CEARENSE

Postado por Rilvan Batista de Santana 19/11/16

A Flor do Maracujá


CATULLO DA PAIXÃO CEARENSE

Encontrando-me com um sertanejo,
Perto de um pé de maracujá,
Eu lhe perguntei:
Diga-me caro sertanejo,
Porque razão nasce branca e roxa,
A flor do maracujá?
Ah, pois então eu lhi conto,
A estória que ouvi contá,
A razão pro que nasci branca i roxa,
A frô do maracujá.
Maracujá já foi branco,
Eu posso inté lhe ajurá,
Mais branco qui caridadi,
Mais brando do que o luá.

Quando a frô brotava nele,
Lá pros cunfim do sertão,
Maracujá parecia,
Um ninho de argodão.
Mais um dia, há muito tempo,
Num meis que inté num mi alembro,
Si foi maio, si foi junho,
Si foi janeiro ou dezembro.
Nosso sinhô Jesus Cristo,
Foi condenado a morrê,
Numa cruis crucificado,
Longe daqui como o quê,
Pregaro cristo a martelo,
E ao vê tamanha crueza,
A natureza inteirinha,
Pois-se a chorá di tristeza.
Chorava us campu,
As foia, as ribeira,
Sabiá tamém chorava,
Nos gaio a laranjera,
E havia junto da cruis,
Um pé de maracujá,
Carregadinho de frô,
Aos pé de nosso sinhô.
I o sangue de Jesus Cristo,
Sangui pisado de dô,
Nus pé du maracujá,
Tingia todas as frô,
Eis aqui seu moço,
A estória que eu vi contá,
A razão proque nasce branca i roxa,
A frô do maracujá





Biografia
Músicas mais ouvidas
A Flor do Maracujá
Luar do Sertão
Ontem Ao Luar
Por Um Beijo
Flor Amorosa


          Catulo da Paixão Cearense (1863-1943) nasceu em São Luís do Maranhão. Dos 10 aos 17 anos morou no Ceará. Mudou-se com a família para o Rio de Janeiro em 1886.Trabalhou no cais do porto como estivador e escriturário. No começo do século ja tinha fama como poeta e autor de diversos livros de modinha. Com Catulo, o violão desprezado e perseguido vai-se tornando conhecido e adquirindo prestigio nos salões da elite. Em 1914 a convite de Nair de Tefé toca no Catete para o presidente Hermes da Fonseca. É então reconhecido e aplaudido como o grande poeta nacional, o mais autentico.
         "Catulo é bem a voz da terra brasílica" escreve Monteiro Lobato. Tão grande quanto seu talento era sua notória vaidade. Morava em uma casa de madeira em Engenho de Dentro que chamava hiperbolicamente de Palácio Choupana. Nele recebia visitas de grandes nomes das letras, das artes e da política, Ao falecer já tinha assistido a inauguração de seu busto e era uma indiscutível gloria nacional.


Fonte: https://www.vagalume.com.br/catulo-da-paixao-cearense/biografia/

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