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Os pequerruchos - R. Santana

Postado por Rilvan Batista de Santana 12/10/2016

Os pequerruchos
R. Santana


O mais velho tem 5 anos de idade, o do meio 4 anos de idade e, o mais novo um pouco mais de 3 anos de vida, não são irmãos, mas como se fossem irmãos, eles são amiguinhos, quando um deles falta, enorme é o vazio aqui em  casa. Todos me chamam de vô, pois imitam o meu neto João Victor, além de me acharem velho: - cara e idade de vô.
                João Victor, Juan e Davi estudam à tarde, toda zoada é feita pela manhã e em dias feriados e finais de semana, levo-os para passear de bicicleta na Beira Rio ou brincarem no “Zig-Zag Play” no Shopping Jequitibá. A molecada se diverte numa boa,  vez por outra, eles se desentendem por motivos banais, mas nunca chegam às vias de fato. 
                Três almas gêmeas e feitios diferentes: João Victor é líder nato, todos o seguem naturalmente, sem autoritarismo, mas pelo caráter decidido; Juan é delicado, natureza boa, quando crescer, certamente, será um “gentleman” com as moças, não demostra nenhum grau de agressividade, quando contrariado não reage, chora; não sei se é por ser o mais velho; Davi é turrão, teimoso, perspicaz e inteligente, todavia, quando não se junta aos demais, as brincadeiras não têm graça, João Victor e Juan aguardam sua presença.
                Quando João Victor começou falar, mesmo antes, eu adquiri dezenas de DVDs: Galinha Pintadinha, Patati Patatá, Tubarão Martelo, Peppa Pig, Dora y sus amigos, Vão à África, Cocoricó, Moranguinho, A Mulekada, Bob Esponja, Super Mouse... Quando o nível de compreensão da molecada exigiu histórias e musicais infantis mais complexos, acrescentei à coleção de CDs e DVDs: Sítio do Pica Pau Amarelo, Superman, Chaves (Chapolin Colorado), XUXA, Scooby-Doo, Ben 10, Pegadinhas do sbt, Homem Aranha, 3 Porquinhos e um Bebê, Atchim & Espirro, Topetão, etc., etc.
                João Victor é quem decide a programação do dia e quando uma história está enjoada, ele me pede pra mudar:
                -Vozinho, não gosto da Escolinha do professor Raimundo... – então:
                -Vozinho, JacarElvis é enjoado! – aí, Juan e Davi interferem:
              -Victinho, bota Chaves e Chapolin Colorado! – manda quem pode e obedece quem tem juízo, substituo de imediato o DVD de JacarElvis por Chaves.
                Chaves é uma comédia para gente grande interpretada por adultos travestidos de criança que caiu no gosto da molecada do mundo todo faz tempo. Chaves (Roberto Gómez Bolaños) o principal personagem interage com Quico, Chiquinha, Seu Madruga, Dona Florinda, Dona Clotildes, Seu Barriga, professor Girafales e Nhonho, moradores de uma vila onde as experiências cotidianas são contadas.
Como toda comédia, o objetivo é rir nos episódios de Chaves, não existe preocupação de passar mensagem, as histórias são fatos corriqueiros vividos por moradores destrambelhados da vila do Seu Barriga. É difícil conter os risos com o idiota Quico, Dona Clotilde (a Bruxa do 71), Chiquinha, o namoro do professor Girafales com Dona Florinda, Chaves com seu bordão “ninguém tem paciência comigo”, ou, “... foi sem querer, querendo”, mas quem rouba à cena, são os tapas que Dona Florinda dá em Seu Madruga por motivos banais, principalmente, quando seu amado e aloprado filho Quico é vítima do morador da casa 72 e abre o berreiro...
Porém, o interesse dos pequerruchos por Chaves diminui à medida que as histórias se repetem, então, eles pedem Chapolin Colorado que é um herói à moda das histórias de Batman, Superman e Homem Aranha, mas ao contrário destes, Chapolin Colorado é baixinho, compleição física diminuta, vestido com casaco vermelho escarlate, e capuz da mesma cor, encimado por um par de antenas e calção amarelo, ele está mais para  ET, do que para Super-Homem, aparece quando a mocinha em apuros clama: “... e agora, quem poderá me salvar?”, aí, Chapolin usa sua habilidade de enganar para desmanchar o malfeitor: “... não contavam com a minha astúcia”.
Davi, o mais velho dos três, já não curte mais histórias adocicadas, puxa Victinho pelo braço e pede-lhe que me peça os DVDs de “Superman” ou “Os três Porquinhos e um Bebê”, pois Davi sabe que lhe faço o gosto:
                -Vozinho, Davi e Juan querem Superman e os Porquinhos! – argumento:
                -João Victor, essas histórias são difíceis... – Juan e Davi são os mediadores:
                -Vô, Victinho sabe, não é Juan? – Victinho aproveita o gancho:
                -Eu sei vozinho! – na casa do sem jeito, coloco os DVDs de “Superman” e “Os Três Porquinhos e um Bebê”.
                Embora o super-homem e os porquinhos sejam desenhos animados, versão moderna, eles são enredos para crianças mais velhas e adolescentes, não para os meus pequerruchos que ainda não têm entendimento para assisti-los, por isto, lhes faço a leitura à medida que a história vai se desenrolando.
O Superman foi criado pelos escritores Joe Shuster e Jerry Siegel nos anos 30. Superman foi por muito interpretado pelo ator Clark Kent, coadjuvado pela atriz Lois Lane. Ambos são repórteres do ”Planeta Diário”. Lois Lane não sabe que o seu colega de trabalho é Superman, portanto, seu herói. Além da paixão oculta que alimenta pelo super-herói, ela o persegue o tempo todo para matéria exclusiva de seu jornal. Por outro lado, Superman lhe salva a vida em várias situações, mais por amor do que por heroísmo. Superman persegue a verdade e a justiça...
A história dos “TRÊS PORQUINHOS E UM BEBÊ” é a versão moderna dos “TRÊS PORQUINHOS”, fábula do Século XVIII, divulgada na Inglaterra pelo folclorista Joseph Jacobs. A meninada se diverte com o fanfarrão Lobo Mau: “... eu vou soprar e vou bufar e a sua casa vou derrubar!” Então, o Lobo Mau derruba a casa de palha, a casa de madeira, mas não consegue derrubar a casa de tijolos. Através de um “Ponto Eletrônico”, ele recebe orientação por controle remoto da “Central Eletrônica de Comunicação” do Lobo Chefe para abortar a missão, além de não lhe atender, sobe na chaminé da casa dos porquinhos e morre assado.
A matilha reunida resolve mudar o “modus operandi” que vinha se repetindo sem sucesso para matar os porquinhos Richard, Sandy e Mason, e, deixa na porta dos porquinhos um “pacote” que é um recém-nascido lobinho, com o propósito desse lobinho, depois de grande, ajudasse a matilha na captura e morte dos porquinhos. 
O plano inicial da família lobo foi um sucesso: Richard, Sandy e Mason recolheram o “pacote”, deram-lhe o nome de Lucky e criaram o lobinho como se fosse um porquinho com muito amor.
 Lucky cresceu como um “estranho no ninho” na escola e na comunidade. Todos achavam-no peludo, uma aberração da natureza, nada parecido com os pais Richard, Sandy e Mason. Lucky cresceu mimado, adolescente difícil, soube quando jovem que era filho adotivo, teve álbum de família, então, procurou por sua família lobo.
O Lobo Chefão fez um pacto com Lucky para que colocasse a chave de sua casa embaixo do capacho que seria dado uma festa aos seus pais adotivos na “Noite de Lua Cheia”, todavia, o objetivo era matar os porquinhos: o “Juízo Final”.
Na hora agá, no momento que os três porquinhos estavam pendurados, um pouco acima duma caldeira de óleo fervendo, surge Lucky com uma moto e os arrebata e os salva. O Lobo Chefão aciona uma “engenhoca” para derrubar a casa de tijolos, mas Lucky coloca-se na frente da casa, em risco de morte. A ordem do Lobo Cientista era acionar os grandes ventiladores de sua engenhoca e destruir tudo, quando surge o Lobo Chefão, pai biológico de Lucky e ordena o abortamento da missão, que não é atendido, mas consegue a pulso parar a “engenhoca”.
No final, a paz é celebrada entre as duas famílias, porquinhos e lobos ficaram amigos e felizes para sempre.
-Vô, vamos brincar de bicicleta?
-Vitinho, a história não terminou!
-Vô, a história está enjoada... – aí, obedeço ao meu príncipe:
-Vamos!





Autor: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons

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