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CRIACIONISMO, RENASCIMENTO, EDUCAÇÃO, LAICIDADE - Adolfo Brás Sunderhus Filho

A educação é um direito constitucional em nossa sociedade. Não se pode negar o direito ao indivíduo do mesmo ser educado. Tal situação nem sempre foi assim no mundo. Durante muitos séculos a educação foi exclusividade de uma camada mais abastada da sociedade. Além disso, durante muito tempo o ensino foi intimamente ligado às instituições religiosas, sendo, portante, influenciada por esse discurso e atendendo aos interesses bem específicos. Laicidade ou proselitismo, o que deve definir a educação?

Entre os séculos XIV e XVI o mundo europeu passou por uma revolução em suas estruturas. Cultura, política, economia e sociedade foram atingidas profundamente por um movimento ideológico que deixou marcas que permanecem até hoje: O Renascimento.

Tendo berço na cidade mercantil de Florença, localizada na península itálica, o Renascimento buscava uma retomada das características culturais greco-romanas (justamente por isso que tal movimento ficou conhecido por um nome que significa “nascer de novo”). O racionalismo, empirismo, humanismo e a laicidade eram a base de todo o pensamento e prática renascentista.

Foi justamente com o Renascimento que tivemos uma das maiores contribuições para a educação: a Escola Laica. Até o século XIV eram raras as escolas desvinculadas da Igreja Católica. Universidades então, só havia as da Igreja. Como forma de se desvincular do pensamento religioso da época medieval, visto pelos pensadores renascentistas como atrasado, limitado e culpado por jogar a Europa num período de trevas (veio da Renascença o nome “Idade das Trevas”, para designar a Idade Média), foram fundadas as Academias, nas quais se estudava matemática, filosofia, história e diversas outras áreas desligadas então da Igreja. Tal desvinculação foi primordial para o desenvolvimento intelectual e abriu horizontes daquele período.

Heliocentrismo, esfericidade da Terra, invenção da imprensa, técnicas de pintura a óleo e em perspectiva, expansionismo marítimo, povoamento e colonização da África, Ásia e América e até a Reforma Protestante, ocorrida em 1517, são fruto diretos ou indiretos desse movimento que rompeu com os paradigmas da sociedade do mundo ocidental na época.

Compreendo que numa sociedade como a nossa, num mundo líquido, como bem nos diz Zygmunt Bauman, os matizes que compõem nossa sociedade são plurais e os interesses inúmeros. Entendo a necessidade e vontade de muitas famílias em colocar seus filhos em escolas que defendam ideias as quais elas acreditam. Contudo, precisamos manter na esfera do público a desvinculação do ambiente educacional, do ensino, de uma religiosidade específica. Se formos falar sobre criacionismo em sala de aula, em uma escola laica, que busquemos, como professores, abordar os diferentes mitos de criação que existem nas inúmeras culturas de nosso mundo. Isso é laicidade. Não é ateísmo, mas sim respeito as diferenças religiosas e a garantia da liberdade de culto religioso. Laicidade é a garantia de que não teremos nossas mentes e pensamentos amarrados novamente por cordas ideológicas e culturais específicas




ADOLFO BRÁS SUNDERHUS FILHO










Fonte:  http://obviousmag.org/caminho_entre_devaneios/2016/criacionismo-renascimento-educacao-laicidade.html#ixzz4OAzRqGHb


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