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COISAS DE AMIGO - Mateus Cosentino

Postado por Rilvan Batista de Santana 13/10/16

COISAS DE AMIGO

Uma das coisas mais preciosas que a gente tem na vida são os amigos. Principalmente aqueles que por longa data mantém uma amizade constante, mesmo que marcada por longas ausências.


São amizades nascidas na juventude, fruto daquela fraternidade sem outros interesses que não o de ser simplesmente amigo e nada mais. Não importa o tempo que passa, nem o que o tempo nos faça, sempre ficamos felizes em nos rever.

Mesmo estando quase sempre longe, apenas desejamos estarmos “de bem”. Nossos encontros são sempre alegres, repletos de recordações engraçadas. Mesmo estranhando as marcas que o tempo colocou durante nossas ausências, dizemos qualquer coisa para agradar e não nos magoarmos de verdade. Mantemo-nos felizes, simplesmente brincando, às vezes até inventando mentirinhas caridosas.

Há algum tempo, dois deles tentaram aplicar caridosas mentirinhas em mim. E embora o código de grandes amizades obrigue receber as inverdades com um pronto riso demonstrativo da descoberta da falsa informação, desta vez, deixei passar.

O primeiro velho amigo, ao qual havia enviado uma coletânea de meus escritos que o envolviam, como personagem, ao terminar o texto provocativamente eu dizia: “Como posso querer ser considerado igual, correspondendo-me com uma pessoa que até pode ter sido meu amigo em remoto passado, mas que nunca pertenceu realmente à minha Turma e sim a outras que a sucederam na mesma Rua. Somos de tribos diferentes, velhinho”.  

Era para ser apenas uma brincadeira relacionada com nossa “enorme” diferença de oitos anos de idade. Mas dois dias depois, recebi dele um e-mail ferozmente irritado, dizendo que, “apesar do esforço” que tive para criar uma “história engraçadinha”, ele não viu nenhuma graça naquilo que escrevi “conspurcando” a nossa sincera amizade. Concluía afirmando que iria, portanto arquivar meu texto apenas em homenagem à minha “enorme inteligência deturpadora”.

Fingiu-se de mal humorado, tive certeza. Não faz parte da relação entre velhos amigos, demonstrar mau-humor. Certamente morreu de rir com o quê escrevi e apenas não gostou do final, quando ressaltei uma característica etária que sempre foi motivo de risos  em nosso relacionamento. Faz parte da nossa convivência “encher o saco”, um do outro com isso. Ele me chama de “matusalêmico” e eu chamo a ele de “bebezão”. Sei que logo ele vai rir junto comigo de muitas passagens do que leu, inclusive desta sua última tentativa de brincar de me irritar com nossa diferença de idade.

Ao segundo grande amigo, certo dia escrevi: Como você se emociona fácil, vou contar, só pra você,  que há três meses, terminei as duzentas páginas de um livrinho que chamei de "Os Meninos da Rua Estrela". Não é totalmente biográfico, acho que acabou sendo mais ficcional. Não gostei muito, mas (talvez sim, talvez não) acabe fazendo uma impressão com tiragem reduzida para nossa turma. Estou anexando um arquivo com esse texto completo para sua avaliação.

Depois de me deixar sem informações por quase três meses, este amigo finalmente ligou para me dizer: “Não deixe de imprimi-lo. Faço questão, sob pena de providenciar uma busca e apreensão para publicá-lo na mesma editora do meu livro”.

Disse também que demorou em responder, porque se deliciou com a leitura do longo texto que havia anexado. Tenho certeza de que ele “adorou meu livro”, mesmo sem o tê-lo lido totalmente até o fim.

Que mentiras, que lorotas boas. Amigos velhos e queridos que são; nunca me enganaram e eles sabem disso...

---XXOXX---

PUTZ!!! ACABO DE SABER QUE ME ENGANEI! Eles falaram a verdade e eu não acreditei!

O primeiro amigo não responde minhas mensagens há mais de quatro meses. No início achei que ele estava brincando de me deixar preocupado. Mas geralmente brincamos assim no máximo por um mês. Sem dúvida o ofendi mesmo.

O segundo também falou sério. Acabo de receber um orçamento da Editora e a proposta dele de ficar com 60% dos custos de publicação! Minha Nossa, ele vai mesmo fazer isso! Vai ser meu mecenas!

“Amigo é para se guardar no fundo do peito” e gostar deles como são. Porque uma longa amizade só permanece se for verdadeira... Ou, pelo menos, leal, apesar das voltas que o tempo dá, nos transformando física e intelectualmente em pessoas diferentes, com o passar dos longos anos.

Acho que meus queridos e velhos amigos não são mais aqueles meninos da nossa rua. E por não levar isso em consideração, brinquei com coisas que não achei sérias.

Devo pedir desculpas aos dois. E vou fazê-lo agora mesmo!

Mateus Cosentino

Sampa - 29/01/2014

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