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COXINHA E MORTADELA! - Mateus Cosentino

Postado por Rilvan Batista de Santana 14/09/2016

COXINHA E MORTADELA!

Reposta à amiga Efigênia Oliveira, pelo gentil pedido de opinar sobre uma correta e irada posição colocada em um texto seu.

Aqui, neste país tropical, tem gente usando a “ditadura torturadora de 22 anos”, como exemplo, só para combater com ódio os partidos e os políticos de “esquerda” que detestam e chamam de “comunistas”, “ateus” e “mortadelas”.

Em contra partida tem gente que chama essa gente de “direita” de “fascistas”, “nazistas” e “coxinhas”. Todos querem combater, mas como não têm argumentos usam xingamentos.

A este respeito, quero citar a interessante reportagem do Estadão, publicada em 03/04/2016; “O Dicionário das Manifestações”, onde Gilberto Amendola define “as expressões mais usadas nestes tempos de crise política”, pelos “neopolitizados”, aqueles que repetem o senso comum e não constroem cultura política”. Entre muitas outras:

•             Comunista: “Todo mundo que veste vermelho”
•             Mortadela: “(...) Apelido pejorativo dado aos apoiadores do PT”.
•             Fascista (ou Nazista): “Todo mundo que não concorda com você”.
•             Coxinha: “(...) apelido pejorativo dado aos apoiadores do impeachment”.
•             Burro: “Todo mundo que não concorda com você”.

Pois bem, a intensão de todos os homens de bem deste país de acabar com a corrupção é unânime. Ninguém aguenta mais continuar aceitando estes governantes e empresários, corruptores e corrompidos que impedem o progresso da nação, em prol de seus próprios interesses particulares.

Mas há uma coisa inacreditável acontecendo em meio a esta luta necessária: O Partidarismo irracional e radical, que leva àqueles xingamentos e até mesmo à perda de sólidas amizades!

E essa radicalização das forças populares “neopolitizadas” ocorre no acertado combate à corrupção virótica que de passa por todos os órgãos e entranhas do nosso Brasil. Combate-se esse câncer com a inacreditável incoerência de tentar provar que “o seu corrupto é pior que o meu”, ou “o meu corrupto á menos “fdp” que o seu”.

Acho  que a culpa deve ser do “aedes aegypt”. O causador das viroses é um só, mas uns acham que a “zika” é pior que a “dengue” e que a “chikungunya” é a pior de todas. Ora, pergunte a quem já sofreu de algum desses males, qual é o pior, ou se há um melhor. Pergunte quem prefere morrer de pneumonia simples ou da dupla...

Alguém tem dúvida de quê; ou se acaba com TODA a corrupção, ou os corruptos acabam com o Brasil? Não há corrupto melhor ou pior. Corrupto bom é corrupto preso e, de preferência devolvendo o quê roubou de todos nós.

Enquanto enchemos as redes sociais e as ruas com xingamentos mútuos, o mundo vai se digladiando em guerras, atentados covardes, revoltas sem justa causa... Populações inteiras estão apavoradas, desprovidas de tudo e obrigadas a fugir de suas terras natais, para morrerem na travessia de mares e terras geladas, sendo, além disso, muito mal recebidos nos países “ricos”.

Neste estado de coisas, a mim está claro que não há mais “direitas” e “esquerdas”. Mas ainda hoje a política, para muitos inocentes, ignorantes e mal-intencionados por motivos diversos, ignoram que as ideologias acabaram há algum tempo neste mundão cruel.

Se pensarmos bem, veremos que as ideologias não têm mesmo mais lugar entre nós. São conceitos que se tornaram abstratos e obsoletos. A dicotomia mundial agora é outra. Ao invés de utopias, o que vemos é a regra onde cada um cuida de si de tal modo, que essa autoproteção significa a eliminação dos “outros”. 

A verdadeira divisão dos países do nosso planeta é "norte"/"sul", ou melhor, "ricos"/"pobres", como, aliás, está distribuída a população mundial. Os ricos estão sentindo, mesmo que inconscientemente, que se tornam, cada vez mais, ilhas cercadas por todos os lados, de multidões de pobres e famélicos.  E não são somente aqueles expulsos de suas terras, que estão ameaçando destruir os redutos privilegiados das elites, em todas as cidades os “ricos” se veem cercados pela pobreza que os apavora.

Não lhes é muito claro, ou mesmo nem sabem o quê fazer para manter protegidas suas benesses. Querem fazer muros para impedir os carentes famintos de entrar em seus paraísos econômicos. (Veja-se Trump) Mas todos têm a intuição de que esta postura radical, inevitavelmente e paulatinamente levará a todos nós a um final mundial infeliz, ou até catastrófico.

Para mim, a única saída é acabar com a fome, a falta de saúde, a pobreza e a violência. Mas não com os famélicos, doentes, miseráveis e abusados sofredores desses flagelos. Acredito que haja condições para isso e felizmente sei que há muita gente que pensa assim também.

Por isso, concluo que devemos despolitizar a coxinha e a mortadela. Vamos corretamente utilizar esses dois deliciosos alimentos, com ou sem catupiry, em nossos lanches diários e esperar que toda a humanidade, um dia, mate sua fome com alimentos suficientes para manter a saúde, felicidade e a “paz na terra entre todos os homens de boa vontade”.

Mateus Cosentino
Sampa 14/09/2016

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