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BICHO É BICHO E GENTE É GENTE - Mateus Cosentino

Postado por Rilvan Batista de Santana 29/09/16

BICHO É BICHO E GENTE É GENTE


Ontem no meu sítio, estreei com meus mais de cem quilos dois tombos em fazes diferentes. Explico:

1ª - Ao dar comida para meu cachorrinho, o meu outro - um cachorrão grandão - quis pegar o rango para ele. Em defesa do mais fraco, segurei o grandão pela coleira e ele me derrubou para trás.

2ª - Depois disso, fui ajudar Mara a plantar uma flor no jardim. Levei para ela um pequeno recipiente de água. Mas antes de chegar, tropecei na beirada do cercadinho e pimba! Caí para frente, jogando a água para todos os lados, menos sobre a flor de Mara.

Essas foram as fases diferentes de meus dois tombos. Mas quero contar aqui são as sensações muito estranhas pelas quais passei. Devo ter ficado meio tonto, pois me recordo que meus dois cachorros falaram comigo!

Todos que me conhecem sabem que não sou muito adepto da antropomorfia. Essa palavra que me escapou, significa transformar tudo, principalmente os animais domésticos, à nossa imagem e semelhança humana. Detesto essa ridícula mania, que é uma verdadeira violência contra a inteligência dos animais domésticos. Mas é claro que não sou tão radical; Aceito alegremente animais humanizados nos desenhos animados de minha infância, dos quais voltei a gostar com as risadas dos meus filhos, quando crianças.

Entretanto, sempre conto, com maldosa ironia, a entrevista de um antigo Ministro do Trabalho, desta República Tupiniquim que, para justificar ter levando seu pastor alemão a um pronto socorro de Hospital e não a um veterinário, declarou: “Cachorro também é ser humano”.

Porém, estou aqui para humildemente confessar que naqueles dois tombos descritos, ficou-me a forte impressão de que os cães envolvidos na queda tiveram comportamento muito semelhante ao de seres humanos, quiçá verdadeiramente antropomórfico.

Quando meu cachorrão me viu caído de costas, parou de querer avançar na comida do outro e ficou parado ao meu lado, fitando-me com um estranho olhar. Juro que o ouvi dizer, abanando a cabeça: “Esses bípedes são muito instáveis"!

No outro tombo, o meu cachorrinho, ao me ver tropeçar e cair no jardim correu em minha direção e agitado, me lambia, subia sobre minha barriga e quase tentava me levantar. Ouvi-o dizer: “Não doeu nada, vamos brincar, levanta"!

Agora, neste momento em que escrevo, sinto apenas que ainda me doem a nádega esquerda e a última costela frontal direita. Mas estou conseguindo manter minha clareza: Volto a considerar que bicho é bicho e gente é gente. Concluo, portanto,  que essas minhas caducas interpretações antropomórficas, foram perturbações de uma mente alucinada por queda de pressão ou pelas quedas propriamente ditas.

Quero chegar aos noventa e quatro anos de idade, como minha mãe chegou, é claro. Já tenho setenta e três anos e meio, mas se continuar caindo assim acho que não chego lá. Está me parecendo que será melhor eu esperar sentado.







Mateus Cosentino

Sampa – 28 de setembro de 2016.

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