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BALANÇO ASTRAL - Mateus Cosentino

Postado por Rilvan Batista de Santana 07/09/2016

BALANÇO ASTRAL
Mateus Cosentino


Não acredito em bruxas, claro. Porém, certo dia, há muito tempo atrás, uma linda bruxinha loira resolveu ser minha astróloga. Ri, porque sou mais ligado à astronomia do que à astrologia. Ela também sorriu e me explicou o que era um tal de “inferno astral”. Certamente esta revelação dela foi uma sórdida vingança, por eu sempre lhe dizer que só não sou supersticioso, por que sê-lo dá um azar danado.

O fato é que desde então, os 30 dias anteriores à data do meu aniversário, me parecem repletos de maus momentos. Pior que eu, entretanto é um ex-colega de trabalho, que acredita que seu inferno astral sejam os 365 dias antes do seu aniversário...

Mas aqui e agora resolvi dar um basta a essa bobagem! Vou ver o que me diz o meu Guru Internético, o onisciente Google: ”Inferno Astral é o período de 30 dias que antecede a data de seu aniversário. Nessa época, a cada ano, você fica mais sensível e precisa se dar a si mesmo mais atenção. Durante essa fase, recomenda-se fazer um balanço de sua vida e quando se deparar com problemas, esforce-se por resolvê-los.” 


Então, esse tal de Inferno Astral existe mesmo. Porém nele devo fazer um balanço de vida. Mas como balançar as tantas sete décadas vividas? Uma de cada vez? Então tá!

Posso dizer que aos dezoito anos já sabia como seria toda a minha vida evolutiva: Criança Adorável, Adolescente Admirável, Jovem Amável, Adulto Agradável, Meia-idade Aceitável, Velho Abominável (como hoje me vejo).

Entretanto, descrevendo mais analiticamente, lembro que após uma infância de paraísos astrais ininterruptos, fui dar conta de mim lá pelos meus dezesseis anos, quando consegui emocionar uma primeira menininha com um poema. Até então vivia feliz sem pensar em mim. Mas aí - descobrindo que podia atingir o alvo da minha romântica libido - descobri o Ego. Aí, danou-se tudo!

A partir desse momento comecei a achar que poderia conquistar o mundo Urbi et orbi! Então – ainda quase imberbe – parti para aprofundar o autoconhecimento. Comecei a ler todos os livros e enciclopédias que meu pai, com eficiente estratégia educacional, colocara nas estantes de casa. Lia até o “Suplemento Literário” do Estadão, mesmo não entendendo muita coisa do que lia. Até que um dia – viva a evolução - fui fazer meu primeiro teste vocacional. Aí, danou-se tudo outra vez!

O resultado do malfadado teste foi uma quantidade enorme de opções, que iam desde padre até pastor (de ovelhas). Vou mostrar apenas as que ficaram em Primeiro Plano: Técnico de Aviação, Astrônomo, Químico, Engenheiro Eletricista, Inventor, Engenheiro Mecânico, Mineralogista, Técnico de Rádio, Físico, Engenheiro Civil, etc.

Como uma vez ouvira meu pai Contador, dizer que gostaria de ter se formado Engenheiro, direcionei meus holofotes nessa direção. Matriculei-me no Curso Científico do Colégio Bandeirantes e levei duas bombas seguidas. Mas acabei me formando Agrimensor e, por apenas um ano exerci a profissão, abandonando a seguir e definitivamente qualquer atividade na área de exatas. Aí danei-me definitivamente.


Acabei virando meus holofotes para as áreas de Ciências Humanas e Sociais e passei a ser este ser confuso que alguns chamam de Escritor. Descubro socraticamente que “tudo que sei é que nada sei”, mas consolo-me por ter aprendido, nestes rápidos setenta anos de vida, que sei muito claramente reconhecer o que as coisas NÃO SÃO. Chamo isso de saber a verdade pelo avesso.

Assim é o ser humano, apesar de nada saber, inventa, define e explica seu próprio mundo. Tudo aquilo que não se encaixar nessa sua teorização precária das coisas; NÃO É, está errado, é burrice...

Assim está estabelecida esta Babel irreconciliável que, desde “dez mil anos atrás”, Chamamos de Civilização. Eis o Inferno Astral: Vamos algum dia destruir o nosso planeta por ignorância. Estamos todos danados.

Portanto vou ficar quietinho no meu canto, esperando que um dia os seres humanos se entendam e mudem este destino apocalítico.

Mateus Cosentino
Sampa- 12 de junho de 2011 [Publicado em 07/09/2016]



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