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A VAMPIRA LIBIDINOSA - Mateus Cosentino

Postado por Rilvan Batista de Santana 22/09/2016

A VAMPIRA LIBIDINOSA


Alguns dos meus leitores, disseram que em meus textos sou prolixo, uso palavras difíceis, sendo castiço e até “arcaico” algumas vezes.
Estes são meus melhores leitores, porque não me bajulam e dizem o que pensam. Sei entrementes que para o meu “mau leitor”, ou leitor ocasional de literatura em geral, o estilo aparentemente “difícil” com o qual escrevo, somente cria dificuldades na leitura e fica enfadonho, pretensioso, ou ininteligível.

Segundo pesquisas americanas, as pessoas de lá falam, em média, de 7 a  20 mil palavras por dia, dependendo de seu grau e instrução. Por outro lado, conforme algumas fontes daqui, o número de verbetes existentes no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa é 228 500 palavras, enquanto no Dicionário Aurélio Online estão catalogadas  435.000. Esses números, que a mim parecem absurdos, me levam a perguntar quantas dessas palavras são conhecidas e/ou utilizadas por nós simples mortais.

Não encontrei resposta para isso, mas uma pessoa culta talvez nem conheça menos de uns 10%, ou seja, de 23.000 a 43.000 palavras de nosso idioma. Portanto qualquer mortal desconhece mais de 90% dos vocábulos contidos nos Dicionários. Assim, para todos nós em geral, o Dicionário é realmente o “pai dos burros”. 

Sempre me senti “muito burro” e muito mau leitor de Guimarães Rosa, o considerado, por quase unanimidade da crítica nacional, como um dos maiores escritores brasileiros. Mas ignorante que sou do regionalismo e do “invencionismo vernacular” do famoso autor, o tenho considerado ininteligível em alguns trechos, pretencioso em outros e enfadonho às vezes. Já cheguei a interromper a leitura de obra sua, não voltando mais a ela.  Evidentemente por comprovada ignorância minha, considero que o idioma com que o Rosa escreveu, seja “outra língua”, muito parecida com o português. 

Tive também algumas dificuldades em minhas leituras de diversos outros autores de excelência comprovada, como Camões, Cecília Meireles e Clarice Lispector e mais alguns. Mas a estes todos voltei a insistir em releituras e acabei não somente os aceitando como também gostando imensamente de tê-los lido.

Por outro lado, devorei as obras Castro Alves, Machado de Assis, Olavo Bilac, Eça de Queiroz, Jorge Amado e muitos outros, mesmo sem conhecer algumas palavras contidas em seus textos. Confesso que umas poucas vezes, supri o meu desconhecimento com a ajuda preciosa de um Dicionário.

Não me é muito claro o porquê se detesta o estilo de poucos, se faz grande esforço para apreciar o estilo de alguns clássicos e se deixa levar pelos escritos de outros tradicionais literatos. Porém, mesmo sem muita clareza, estou propenso a considerar que, apesar do nível de erudição vernacular da linguagem de um escritor, o que prende o leitor é o tema.

Sei que com esta conclusão “não descobri a América”, mas fiquei finalmente convencido de que se ao escrever eu não tratar de sexo maliciosamente explicito, crimes hediondos, aventuras sobre-humanas, fantasmagorias horripilantes ou autoajuda de qualquer tipo, dificilmente chegarei a escrever um “best-seller”, nestas terras tupiniquins.

Mas, enquanto isso vou continuar a desenvolver meus textos criticáveis por serem prolixos, com palavras difíceis, estilo castiço e até mesmo arcaico. Continuarei sendo prolixo porque acredito que o detalhamento é necessário para dar precisão e lógica ao contexto de fatos e situações descritas. Manter-me-ei castiço e arcaico, porque o uso mais amplo de vocabulário é extremamente necessário para:

·        manter a exatidão das ideias desenvolvidas
·        conservar conhecida a língua culta, ou a linguagem regional e
·        instruir o leitor, ampliando seu conhecimento de sua própria língua.   

Porém estou convencido que para conquistar mais leitores interessados e fidelizá-los, devo modificar o nível de minha temática. Talvez escreva um livro sobre um extraterrestre tarado sexual, que estrupa suas vítimas, mas é trazido para o lado do bem por uma linda mulher espiritualista e mística, que secretamente é uma vampira libidinosa.






Mateus Cosentino
Sampa – 21/08/2016


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