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INGLESES, COLONIZADORES MELHORES QUE PORTUGUESES? - Mateus Cosentino

Postado por Rilvan Batista de Santana 30/08/2016

INGLESES, COLONIZADORES MELHORES QUE PORTUGUESES?

- Devíamos ter sido colonizados pelos Ingleses e não por portugueses!

Quantas vezes em minha vida ouvi esta frase e talvez eu mesmo a tenha dito alguma vez. Mas ultimamente tenho repensado nisso.

A frase logicamente vem da comparação entre o Brasil e os Estados Unidos de hoje. Vemos que os dois territórios imensos, são imensamente diferentes. Enquanto os EUA são a nação mais potente como cultura, economia e poder bélico do mundo, nós brasileiros, vivemos em um país subdesenvolvido semianalfabeto e corrupto.

Tirando o exagero necessário à argumentação, isso é uma verdade! Mesmo que a América do Norte não seja um completo Paraíso e nós não sejamos totalmente um dantesco Inferno, a comparação é verdadeira.

Mas isso não justifica que (como adolescentes) culpemos os nossos pais (colonizadores) pelo “gigante adormecido em berço esplêndido” (Brasil) ainda não ter acordado. O mais adequado é assumir (como adultos) a nossa própria culpa. As maiores ilustrações das gentes que Deus colocou aqui para administrar toda a riqueza que Ele alocou em nossas terras (aquela piada) são a letargia de Jeca Tatu (de Monteiro Lobato) ou as primeiras palavras do herói sem caráter, o Macunaíma (de Mário de Andrade): “Ai que preguiça”!

Todo colonizador, seja português ou espanhol, francês ou inglês, tem como objetivo explorar, explorar e só explorar. A diferença entre a colonização portuguesa e a inglesa é que a exploração norte-americana foi feita pelo aproveitamento do trabalho de peregrinos, seguidores de religião combatida na Europa, que vieram ao novo mundo com suas famílias para lá permanecerem  em definitivo. Ali as famílias formaram fazendas, vilas, cidades... uma economia, uma cultura e, enfim, o conceito atual do “self made man”.

Portugal dividiu as terras do Tratado de Tordesilhas em fatias entregues aos “Donatários”, nobres da corte portuguesa que nunca consideram as suas terras do novo mundo como “lar”. Verdadeiros onipotentes em suas Capitanias, para lá levavam prisioneiros e a escória do exército que conseguiram e os jogaram nas novas terras para ajudar a caçar “índios” para trabalhar por eles.

(Não estou esquecendo e nem minimizando a multidão de escravos africanos em cujas costas se desenvolveu todo o trabalho na construção das duas nações. Excluo isto porque estou comparando diferenças e a escravidão é a chaga comum a todos os colonizadores das Américas.)

Então, sei que até aqui estou demonstrando estar 7 x 1 para a colonização inglesa. Mas parece-me também ficar claro que isso não se deve à melhor ou prior administração colonial e sim a circunstâncias históricas de cada Colonizador. A pobre Inglaterra vivia a Reforma Protestante que estimulava a imigração e isso permitia minimizar seus esforços na administração de sua colônia. O rico Portugal, por seu lado vivia sua grande era de Navegações e isso dispersava suas ações por inúmeras partes de “mares nunca dantes navegados”. E o único objetivo luso era mais do que financiar a coleta planetária de “especiarias”; era se tornar cada vez mais rico e poderoso. E assim foi trazendo do além-mar tudo o que podia carregar.  

Mas dessa tragédia colonial, por incrível que pareça, pode-se extrair alguns pontos positivos. Podemos então lembrar que para abastecer-se, Portugal se instituiu de modos ditatoriais e forças militares suficientes para manter unido o vasto território de sua exploração. Isto é, devemos a Portugal a nossa permanência como um único país continente chamado Brasil. Como parte disso, na caça aos índios e aos “metais preciosos”, as Entradas e as Bandeiras luso-brasileiras alargaram nosso território para muito além das Tordesilhas. Além disso, nossa história é repleta de invasões francesas e holandesas, rechaçadas por guerras e intervenções dos nossos colonizadores, seus descendentes e brasilíndios.

Outro fato relevante da colonização portuguesa foi o abafamento das inúmeras inconfidências. Falo das mais variadas revoltas deflagradas em todo o território nacional, inicialmente surgidas por  justas reivindicações locais e que foram cruelmente impedidas de vencer.

A meu ver, se os portugueses não sufocassem todas elas, muitas dessas confrontações gerariam o separatismo de Portugal e a criação de nações independentes, como de fato aconteceu com a colonização espanhola, que se pulverizou em múltiplos países entre o Rio Grande no México à Patagônia, no fim do mundo. 

Finalmente temos de louvar o considerado inerte e comilão, o Infante Dom João VI, filho de uma louca, que fugido de Napoleão, finalmente nos transformou em nação independente por reconhecidas obras e um conselho esperto ao seu filho Pedro, para formar aqui um Império independente “antes que algum aventureiro” o fizesse.

Está certo que os portugueses nos levaram todo o nosso ouro e muitas riquezas, sem dó nem piedade. Mas nem eles se aproveitaram disso, transferindo tudo para a Inglaterra, ganhando em troca, unicamente a exportação do Vinho do Porto. Mas isso pá, é lá entre eles.

Pelo aqui exposto cada um pode ter sua própria conclusão sob qual o melhor tipo de colonização. Mas seja qual for o julgamento, após os quase 200 anos de nossa independência, podemos deixar nossos amigos portugueses em paz.

É nossa hora de assumir que somos nós mesmos os responsáveis por não termos nos tornado a nação desenvolvida que Deus planejou para nós, colocando tanta floresta, rios, riquezas e belezas em nosso grandioso território nacional.

Somos nós mesmos que (quase como colaboradores) colocamos no poder pelo voto, os bandidos “representantes do povo” que corrompem a nação, esvaziando as riquezas nascidas do árduo trabalho e do pagamento dos pesados impostos de todas as classes trabalhadoras. Somos nós mesmos que permitimos aos “donos do poder”, que desviem para seus próprios bolsos a imensurável riqueza aqui produzida e roubada de todos nós.



Autor: Mateus Cosentino


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