Saber-Literário

Diário Literário Online

CAUBY ERA DEMAIS! - Gabriel Elias

Postado por Rilvan Batista de Santana 29/08/2016

CAUBY ERA DEMAIS!

publicado em musica por Gabriel Elias

Destacamos neste texto alguns momentos da vida artística de Cauby Peixoto que provam que ele era demais. Estes 10 itens são provas de que ele foi a maior referência em musicalidade no Brasil. Ouvia e estudava música como ninguém e interpretava canções nacionais e internacionais de forma única! Ele vai de Silvio Caldas a Beatles, do samba-canção ao rock, sem perder a sua personalidade extravagante e elegante!
 
"Eu gosto de heavy metal, mas Cauby era demais...". Este foi um comentário encontrado em um vídeo em que o cantor interpreta sucessos em formato acústico. O dono da conta do Youtube, aparentemente, curte de verdade heavy metal, pois foi possível ver seus comentários e últimos vídeos assistidos: ele curtia um rock bem pesado, som de guitarras forte e tão eloquente que pode parecer ironia curtir também o som por vezes dramático de Cauby Peixoto.

A princípio, não soa sincero, mas ao fazer uma busca sobre o trabalho musical do artista brasileiro, percebemos que ele foi tão "camaleônico" quanto David Bowie, elegante como Liberace e de voz tão potente quanto Frank Sinatra. Quem vê Cauby e seus visuais compreende que, de capa em capa de LP, ele é um artista totalmente diferente: jovem com topete; cabelo caído sobre o olho; bigodinho saliente; cabeleira black power; peruca vermelha; ternos espalhafatosos e blazers mais sóbrios. Estes foram alguns visuais assumidos pelo cantor em suas diversas fases. Sim, ele foi camaleônico e elegante sempre!

Destacamos aqui, alguns momentos da vida artística de Cauby Peixoto que provam que ele era "demais", como disse o fã de heavy metal. Estes 10 itens são provas de que ele foi a maior referência em musicalidade no Brasil. Ouvia e estudava música como ninguém e interpretava músicas nacionais e internacionais de forma única!
Confira:

1.Interpretou Sinatra como ninguém Embora tenha gravado Sinatra pela primeira vez em 1995, foi apenas em 2011 que ele pôde gravar o trabalho dos seus sonhos. Ele cantou mais de uma dezena de clássicos do repertório do americano em um show que virou CD e DVD, além de ser frequentemente reproduzido pela TV Cultura, que apoiou o projeto. No trabalho, antes de "Something", Cauby dispara: "pensavam que eu imitava Sinatra... Eu nunca imitei! Cantava sempre Sinatra! Imitar, não!". Ele vai desde os maiores hits como "All the way" e "Night and Day" até canções de sua preferência como "Over than over" e "Triste", esta última de Tom Jobim, onde ele aproveita para falar que o astro também cantou o Brasil! Aqui Cauby canta em pé, sentado em uma cadeira, ao lado de um piano de calda, solta elogios os músicos, interage com o público, conta histórias e canta com muita emoção! Vale a pena conferir!

2.Cantou Beatles! Em 2010, quando comemorava sessenta anos de carreira no box “O Mito” que vinha com três álbuns, o artista gravou seu "Caubeatles". Nome sugestivo, criativo e inteligente! Ele deu tom "mais romântico" às canções de suma maioria assinadas pela dupla Lennon e McCartney. Em "My love", ele alonga notas e suaviza a voz, já em "And I Love Her" ele aproveita o grave de sua voz para lembrar o violão de bolero e em "The long and winding road" ele mostra seu drama e aproveita para mostrar que tem fluência no inglês. A única canção que não é dos Beatles e sim do John Lennon em carreira solo é "Imagine", regravação curiosa para quem não se importava em falar sobre a "paz" e em levar conscientização em suas músicas. Apesar de romântico, ele se saiu muito bem em "Imagine". Curiosidade: antes dos Beatles terem conta no canal de streaming Spotify, a empresa divulgou "Caubeatles" para que os fãs pegassem o embalo da banda inglesa.

3."Ah, meu amor não vá embora. Veja a vida como chora..." – BADEN! Em 2006, Cauby fez um "Apelo" ao seu público - ouça "Baden". Ele apareceu em um disco "voz e violão" com o violonista e produtor musical João de Aquino. O homenageado era Baden Powell, compositor brasileiro que se notabilizou internacionalmente como um dos maiores sambistas e parceiros do poeta Vinícius de Moraes. O intérprete mostrou que entendia bem o trabalho de Baden Powell, um dos autores mais presentes em seu repertório. Não teve "Canto de Ossanha" e todas aquelas músicas famosas da parceria com o poetinha. Ele passeou pela diversidade do músico, contando com a participação do seu filho Marcel Powell em "Violão Vadio". As faixas "Tem dó" e "Pra que chorar" são das mais lindas do trabalho!

4.Primeiro a gravar "Samba do Avião" O primeiro a gravar "Samba do avião" foi Cauby em seu álbum de 1962 intitulado "Canção que inspirou você". A composição de Tom Jobim é a terceira do Lado A deste LP. A gravação foi sensacional, pois a produção deixou o som de um jato desaparecendo no fundo, enquanto o cantor entoava uma vocalização de "akokê", semelhante a um canto afro-brasileiro. De família musical, o cantor desenvolveu um ouvido e uma garganta de ouro. Não estaria Cauby envolvendo, com alguns anos de antecedência, a musicalidade da Bossa Nova com o som e o ritmo da música afro-brasileira? Não seria um "afro-samba"? Talvez ele tivesse voz potente demais para competir com os cantores de voz minimalista da bossa nova (vide Tom Jobim e João Gilberto). Curiosidade: Cauby chegou a regravar o clássico em seu último trabalho lançado em vida, em 2015. Lá ele aparece moderado, com voz mais grave e menos extravagante. Mesmo assim, a bossa original é melhor!

5."Foi lá na porta do cinema, começou dançando Rock'n Roll" – PIONEIRISMO Com o fenômeno do rock surgido naqueles anos iniciais de sua carreira, Cauby pegou o embalo dos jovens Little Richard e Jerry Lee Lewis. Embora Nora Ney seja a primeira cantora a gravar rock no Brasil (com Rock around the clock de Bill Halley), foi Cauby quem gravou o primeiro rock escrito em português – Rock and Roll em Copacabana. No rock de Miguel Gustavo, ele apresenta à juventude tudo o que ela estava experimentando com o gênero musical: “Revira o corpo, estica o braço, encolhe a perna e joga para o ar/ Eu quero ver, qual é o primeiro que essa dança vai alucinar/ E continua a garotada, na calçada a se desabafar/ Eu vou cantando até agora, não parei nem para respirar”. Segundo o roqueiro Erasmo Carlos, Cauby era “um exemplo de artista” para a sua geração, pois além de ter um jeito americanizado (por ter morado em Nova Iorque) ele era simples e atencioso com seus fãs. Erasmo chegou a acompanhar o ídolo no filme “Minha Sogra é da Polícia”, na companhia de Carlos Imperial e do carlos-imperial-roberto-carlos-cauby-peixoto-erasmo-rock.

6.Admirador e admirado de Nat King Cole Quando Cauby foi fazer sua carreira nos Estados Unidos, após uma carreira avassaladora no Brasil, ele foi se apresentar na casa de shows Copacabana, em Nova Iorque. Estava no palco interpretando sucessos em vários idiomas para uma plateia lotada quando um homem subiu ao palco de surpresa: era Nat King Cole! O astro americano era seu ídolo e tinha ficado curioso para saber quem era aquele jovem brasileiro que diziam que interpretava de forma brilhante as suas músicas. O primeiro sucesso de Cauby foi “Blue Gardênia” versão de um clássico do repertório do cantor romântico. Os dois fizeram um emocionante dueto e o encontro rendeu uma foto que o artista ostentou em sua homenagem a Nat em “Cauby sings Nat King Cole”, lançado no início de 2015. O álbum foi elogiadíssimo pela crítica e recebeu prêmio de melhor álbum em língua estrangeira pelo Prêmio da Música Brasileira, em 2016. Curiosidade: Cauby foi homenageado pelo Prêmio da Música Brasileira em 1994, junto da amiga Angela Maria. Ele recebeu vários prêmios do tradicional evento nos últimos anos.

7.O Elvis Presley Brasileiro, segundo a revista Time A Time Magazine chamou-o de “o Elvis Presley Brasileiro”. À época o título foi justo, pois as fãs rasgavam as suas roupas. Ele foi fotografado pela revista no Rio de Janeiro, quando as fãs o deixaram em farrapos. Para cantar na Rádio Nacional, foi preciso colocar um vidro que dividia o público do artista, pois as meninas gritavam demais e entravam no ar com seus delírios. O assédio era à altura de um Elvis Presley. Cauby também ostentava algumas gravações de rock, além de uma cabeleira de topete preto. Assim como Elvis, gravava filmes e dançava como ninguém! Mesmo sendo comparado ao havaiano, ele dizia que “Elvis tem a voz quadrada, eu não, eu sou jazzístico, canto de várias formas”. A vida dos dois também foi muito distinta. Enquanto um tinha uma “vida louca”, o outro sempre foi cuidadoso com a saúde e com a voz.

8.Professor da MPB Vários artistas de peso da MPB o chamavam de “Professor”. Ele sempre chamava a todos de professor, pois era péssimo em lembrar nomes. Por isso, inicialmente, começou a ser chamado deste jeito. Entretanto, a geração de artistas que vieram nos anos seguintes o lembrava como exemplo a ser seguido, tanto em canto quanto em postura como indivíduo. Elis Regina rasgava elogios públicos ao artista (com quem gravou “Bolero de Satã” em 79). Maria Bethânia afirmava que aprendeu o jeito único de interpretar ouvindo os seus discos. Roberto Carlos falava que ele era o maior cantor do país. Agnaldo Timóteo, Emílio Santiago, Agnaldo Rayol e vários outros também afirmaram que o artista foi uma grande referência na forma de cantar. Um exímio professor da MPB!

9.Seresteiro de última hora Cauby foi um seresteiro de última hora! Para aqueles que curtem a música popular produzida nos anos trinta e quarenta, Cauby se ofereceu como porta-voz do estilo que perde, quase que completamente, a sua visibilidade na mídia e sua força na produção fonográfica. Em 2012, no Teatro FECAP em São Paulo, Cauby gravou “Minha serenata” em um CD ao vivo. “Chão de Estrelas”, “A deusa da minha rua” e “Velho arvoredo” recordam os seus mestres Silvio Caldas, Francisco Alves e Orlando Silva, a quem ele dedica o álbum. Em “Minha serenata” ele é muito bem acompanhado, as cordas são de altíssima qualidade. Quem quiser conhecer a história do início da produção de música popular no Brasil, deve ouvir esta obra-prima.

10.Homenageado pelo Latin Recording Academy's President Merit Award Em 2011, em ocasião dos seus oitenta anos de idade e sessenta anos de carreira, a organização do Grammy Latino decidiu que Cauby Peixoto seria homenageado com o prêmio Latin Recording Academy's President Merit Award. O artista foi ovacionado pelo público presente no Teatro Paulo Goulart, em São Paulo. Cauby foi o primeiro artista a receber esta homenagem do Grammy Latino. Quando foi até o microfone para agradecer, soltou a voz: “cantei, cantei, jamais cantei tão lindo assim”, trecho de “Bastidores”, um dos seus maiores sucessos. Ele justificou assim: “não sou de falar, por isso cantei”. O maestro espanhol Luis Cobos, presidente da curadoria do evento, foi quem entregou o prêmio, com direito a apresentação da cantora Elba Ramalho. O maestro disse: "senhoras e senhores, estamos diante de uma das poucas personalidades do mundo para nos pressionar a fazer o melhor e a fazer mais bonito sempre". Curiosidade: o artista chegou a receber um Grammy Latino pelo álbum de 2005 chamado “Eternamente – 55 anos de carreira”.

Depois destes 10 itens, não podemos negar que Cauby era demais! Certamente, sua arte e personalidade ficarão vivas sempre para a Música Brasileira! Fica aqui o nosso reconhecimento a um dos maiores cantores do mundo!


Fonte:  http://obviousmag.org/espaco_da_musica/2016/cauby-era-demais.html

0 comentários

Postar um comentário

Recomende este blog!!!

Postagens populares

Divulgando Trabalhos Literários (Livros,Contos, Crônicas)

"Divulgando Trabalhos Literários (Livros,Contos, Crônicas e Poesias)"

THE END

bookmark
bookmark
bookmark
bookmark
bookmark

Diário Online

Diário Online
rilvan.santana@yahoo.com.br

Perfil

Perfil
Administrador

Perfil

Perfil
Antônio Cabral Filho - Escritor e coadministradores

Estatística Google (Visualizações)

Google Tradutor

Patrono

Patrono
Machado de Assis

PARCERIAS

Bookess

ABL

R. Letras

ALITA

DP

Tecnologia do Blogger.