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Os candidatos a vice e a presidente dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, Mike Pence e Donald Trump, cumprimentam-se ao desembarcarem em Cleveland - JIM BOURG/REUTERS PUBLICIDADE

WASHINGTON — Tirando os oradores com o sobrenome Trump, a imensa maioria dos discursos da Convenção Republicana em Cleveland, Ohio — que termina nesta quinta-feira — está mais concentrada em criticar Hillary Clinton do que defender as propostas de Donald Trump, candidato da legenda nas eleições presidenciais. O medo de um terceiro mandato democrata pode unir os conservadores, mas indica como o partido está rachado. E o terceiro dia do encontro, nesta quarta-feira, mostrou que alguns nomes proeminentes da legenda estão mais interessados nas eleições de 2020 do que nas de novembro próximo.

Quase não se falou, até agora, das propostas de Trump, como construir um muro na fronteira com o México, deportar imigrantes ilegais, rever os acordos comercias do país, criar uma taxa de 45% para os produtos chineses ou barrar a entrada de imigrantes muçulmanos por medo da ligação com o terrorismo radical islâmico. Pelo contrário: o que tem empolgado o público são mensagens que pedem a prisão de Hillary ou os gritos de guerra que afirmam que o país não precisa de um terceiro mandato democrata e evitar que exista, em alguns anos, uma "maioria progressista" na Suprema Corte — os juízes são indicados pelo presidente e aprovados pelo Senado, que pode voltar a ter maioria democrata nestas eleições.

Segundo veículos especializados, republicanos importantes já estão, nos bastidores, tratando de pensar o futuro do partido no caso de uma derrota de Trump — que, apesar da melhora nas pesquisas, ainda aparece atrás de Hillary. Este grupo defende "um Partido Republicano melhor", em linha com o que prega o ex-presidente George W. Bush - ausente da convenção. Seriam pontos como menos regulamentação econômica, menos impostos, reforma do sistema de seguro social, e uma ampliação dos acordos comerciais, algo que Trump ou não defende abertamente ou rejeita. E, apesar da derrota do movimento "Never Trump" - que tentou até segunda-feira mudar as regras para barrar a candidatura do bilionário — 721 delegados da convenção votaram em outros nomes para candidato, a maior dissidência interna dentro do partido desde 1976, quando os republicanos tiveram uma convenção contestada, ou seja, sem nome de consenso.

O governador de Ohio, John Kasich, que não foi à convenção em seu estado natal, disse, em entrevista à MSNBC, que não apoiar Trump até agora "era questão de consciência". Ele afirmou que o dilema entre votar em Trump ou na democrata Hillary "é uma situação irritante". E voltou a dizer que não concorda com algumas propostas do magnata, como deportar até 11 milhões de imigrantes ilegais.

— As coisas que disse durante a campanha importam profundamente para mim. Nós (eu e Trump) temos visões diferentes, culturas diferentes, direções diferentes — ressaltou Kasich, indicando que as divisões continuam no partido.

A grande expectativa da terceira noite da convenção - que termina amanhã com discurso de Trump e a tradicional chuva de balões coloridos - era a fala do vice na chapa, Mike Pence, e dos senadores Marco Rubio e Ted Cruz. Pence precisa provar seu valor em ajudar a unir o partido e empolgar os eleitores. Já Rubio e Cruz precisam provar que vão apoiar o candidato republicano, mesmo depois de serem tão críticos durante as primárias, quando ambos foram derrotados - e insultados - pelo magnata.

Cruz já havia feito um discurso na tarde de ontem nas cercanias do aeroporto de Cleveland. Ele não citou o nome de Trump e, quando disse que o partido já tinha um candidato, o público presente vaiou. Espera-se que ele fale mais sobre o futuro do partido, o que indicaria que sua ala dentro da legenda seguirá distante de Trump.


E hoje, mais uma vez, uma nova polêmica atingiu Trump: pela primeira vez, a mulher que acusa o candidato republicano de assédio sexual revelou detalhes do episódio, que teria ocorrido em 1997. A maquiadora Jill Harth deu uma entrevista ao jornal britânico "The Guardian" contando detalhes da suposta abordagem de Trump, que teria chegado a levá-la para o quarto de uma das filhas dele, então com 10 anos.

— Ele me empurrou contra a parede, colocou suas mãos sobre todo o meu corpo e tentou tirar meu vestido - afirmou Jill Harth. — Eu tive que dizer: 'O que você está fazendo? Pare!' Foi um choque que ele tenha feito isto, porque ele sabia que eu estava com George (namorado da maquiadora à época). E como ele pode fazer isso quando eu estava lá para tratar de negócios?

Ainda segundo o jornal, Jull Harth decidiu contar que foi perseguida por Trump depois que, numa entrevista em abril, ele disse que as alegações dela "careciam de mérito", indicando que se tratava de uma mentira. Ela disse que teve problemas no trabalho por causa disso e está exigindo uma retratação de Trump. Em resposta ao "Guardian", a campanha de Trump negou todas as acusações proferidas por Jill — que teria se oferecido meses atrás para trabalhar na campanha do magnata à Casa Branca — classificando-as de "absurdas".



http://oglobo.globo.com/mundo/nos-eua-sentimento-anti-hillary-une-mais-que-trump

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