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NÃO BANALIZEM A MALDADE DE HITLER

Postado por Rilvan Batista de Santana 04/07/2016

NÃO BANALIZEM A MALDADE DE HITLER
publicado em sociedade por Caio Augusto Ribeiro
Hitler não foi a encarnação do mau supremo. Antes de ser tudo que foi, Adolf Hitler era humano. Um humano que chegou ao poder.


O título vai ativar um milhão de ideias em sua cabeça e se você chegou até aqui, leia o texto até o fim. Adolf Hitler nasceu em 20 de abril de 1889 na cidade de Braunau am Inn, interior da Áustria. Não existem tantas informações sobre sua infância, uma vez que existem relatos de que o próprio Hitler envergonhava-se de ter uma origem simples, mas é provável que tenha vivido como uma criança comum de sua época. Brincou, brigou, questionou, riu e chorou. A música Saiba, de Arnaldo Antunes evoca uma interessante ideia sobre a origem comum de grandes nomes da história, onde coloca todos na mesma posição: Todos foram crianças. "Saiba: todo mundo foi neném: Einstein, Freud e Platão também! Hitler, Bush e Sadam Hussein,quem tem grana e quem não tem" Hitler era humano. É difícil aceitar que um homem tão mau pudesse sentar numa humilde mesa no interior da Áustria e jantar com seus pais, conversando sobre o dia e sobre a escola. Sim, Adolf Hitler foi humano.
Hitler.jpg Adolf Hitler, apenas um homem com poder.
A verdade é que classificar o Hitler como o homem mais perverso da história da humanidade, a encarnação do mau supremo, o anticristo ou qualquer coisa que evoque a ideia de ser mau puro em essência, é muito cômodo. Hitler não pode ser um padrão de maldade. É muito comum ouvir diálogos onde o Nazismo é usado como medida de definição de tragédia. A Ditadura Militar Brasileira foi responsável por muitas torturas, desaparecimentos e mortes, mas quando comparado com a maldade atribuída a Hitler, a ditadura militar passa a ser um acontecimento aceitável, por faltar crueldade.
A verdade é que é cômodo estabelecer Hitler como um padrão de maldade, pois limpa a consciência de todos os outros que fizerem menos do que ele. Aliás, equiparar alguém com Hitler passa a ser uma ofensa severa, como se acusasse imediatamente a pessoa pelo assassinato de 6 milhões de Judeus. É interessante lembrar que Hitler também foi o responsável pela morte de homossexuais, deficientes mentais e físicos, negros, prisioneiros soviéticos, comunistas, poloneses, testemunhas de Jeová e ciganos. Não foram apenas os judeus que sofreram nas garras do ditador nazista, mas é uma coisa bem nossa proteger um grupo e marginalizar o outro. (Não nego o sofrimento incalculável de todos os judeus e famílias judias mortas e condicionados a trabalhos forçados, longe disto, mas o fato é que não foram os únicos. Ninguém busca lembrar com veemência dos homossexuais ou ciganos, por exemplo.)
A verdade que os seres humanos tem dificuldade de aceitar é que existem potenciais Hitler's por todo o mundo. Na nossa esquina, na sala de aula (Aluno ou Professor), na bancada da Câmara, na mesa do bar. Hitler foi apenas um dos poucos que conseguiu poder o suficiente para por suas ideias medíocres e preconceituosas em prática. Ideias xenofóbicas como as de Hitler são proferidas por figuras políticas como Donald Trump, candidato a presidência dos Estados Unidos e Jair Bolsonaro, deputado Federal pelo PSC. Reflita como seria se dessemos poder a estes nomes. A diferença de Hitler e Donald Trump é que Hitler chegou ao poder.

Em seu site oficial, Donald Trump propõe a construção de um muro que dividiria os Estados Unidos e México e afirma "Mexico must pay for the wall" (O México deve pagar pelo Muro). (FONTE: https://www.donaldjtrump.com/positions/immigration-reform acessado em 23/06/2016) Você consegue se lembrar de alguma experiência que a humanidade teve com a construções de muros para dividir territórios?

trumpbolsonaro.jpg A diferença entre Donald Trump e Jair Bolsonaro para Adolf Hitler é que os dois primeiros ainda não obtiveram o controle de uma nação.
Todo o mau é aprendido e ensinado, ninguém é capaz de nascer com ideias Nazistas. Para entender o nazismo (ou qualquer ideologia) é necessário um vetor, um veículo que lhe traz o contato com tal (seja o livro, um professor, um amigo).Não acreditem que Hitler nasceu mau e que tudo que fez é justificável por ter sido gerado no ventre perverso da maldade. Ele foi humano e aprendeu a ser o que foi. Foi ensinado por seus professores radicais, foi seduzido pelos seus autores e contemplado por um ideal sustentado por pessoas que buscavam redesenhar a sociedade e o mundo, fazendo uma seleção de "dignos" e pensando em políticas para poucos. Nenhuma criança nasce com este desejo.
É difícil acreditar que podem existir vários Hitler's em potencial espalhados pelo mundo, mas o fato é que é verdade. Precisamos admitir que não existe um maniqueísmo imperando no mundo, somos todos humanos. É ilógico alavancar o status de Hitler, considerando-o como uma entidade superior consumida em maldade.
Não deem este crédito a Hitler, ele não merece. Era apenas um homem mortal, falho e, por mais que seja difícil de acreditar, não era louco. Não vamos protegê-los atrás de transtornos mentais, pois Hitler estava no auge de sua lucidez quando propôs tudo aquilo (Ainda que tenha subido a cabeça depois de um tempo no poder). Vamos impedir que a história se repita desta forma, vamos desmistificar Hitler e outros potenciais ditadores para que o mundo possa ser mais humano, longe do maniqueísmo falho e mais próximo do bem estar coletivo. Homens não podem se tornar deuses, ditadores não tem transtornos mentais. As ideias radicais de pessoas como Hitler são fruto de uma construção social baseada na xenofobia, homofobia, etnocentrismo e principalmente o preconceito. Não podemos suavizar estas ideias acreditando que estas pessoas nasceram banhadas no mal supremo. Isto precisa ser destruído.


CAIO AUGUSTO RIBEIRO
Sou um verbo conjugado na 1ª pessoa do singular. Ator e diretor no Teatro Laboratório Experimental (TLE), autor do livro O Porão da Alma, acadêmico de Ciências Sociais pela Universidade Federal de Mato Grosso e pai do Marcelo.
Saiba como escrever na obvious.


Fonte: http://obviousmag.org/porao_da_alma/2016/nao-banalizem-a-maldade-de-hitler.html

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