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Chat mal-assombrado - R. Santana

Postado por Rilvan Batista de Santana 22/07/2016

Chat mal-assombrado
R. Santana

- Olá, Carol!
-Oi, Paulo! Você é muito jovem... Quantos aninhos?
- Adivinhe!
- Bem, essas espinhas... pele jovem... 18 aninhos! Acertei?
- Errou por 2 meses!
- Não sou pedófila, garoto!
- Sou homem feito, princesa!
- Não duvido, mas sou mais velha...
- Quanto, mais velha?
- Sou mais velha 2 anos!
- Carol, a diferença é nada!
- Já lhe encontrei em vários chats, você não trabalha?
- Eu lhe confesso: sou aficionado por redes sociais e salas de bate-papo. Colo que só chiclete! Não, não trabalho, estudo medicina, acha pouco?
- Ah, será médico?
- Claro, Carol!
- Desculpe-me, quis dizer: a especialidade?
- Em princípio, eu serei clínico, mas farei residência em oncologia!
- Hein!?
- Não entendeu? Residência em oncologia!
- Coincidência...
- Não entendi!...
- Deixe pra lá... bobagem... hum... hum... hum... vou desconectar!... – Carol saiu da sala abruptamente. 
            Paulo não entendeu a maneira repentina que Carol deixou a sala de bate-papo do site de relacionamento: “Flor de Cactos”. Já tinham conversado mais de uma vez, sempre ela fugia sem explicação e inesperadamente. Então, Paulo se voltava para o Facebook, o Linkedin, o Twitter, o MySpace..., postando, curtindo, comentando, numa tentativa de reencontrar Carol, em vão... Porém, um dia, quando ele já havia acessado pela enésima vez o site “Flor de Cactos”, reencontrou-lhe de repente:
- Olá, princesa! Sumiu!?
- Andei vagando pelo espaço sideral!
- E não me convidou...
- É preciso morrer primeiro!
- Que conversa lúgubre, Carol!
- Você tem medo da morte?
- Claro!
- A morte é uma passagem...
- Tão cedo não quero passar para o lado de lá, princesa!
- Nem por mim!?
- Hoje, o seu papo está esquisito!...
- Desculpe-me amigo, é que... – desconectou.
Dois dias depois: Paulo desiludido de lhe procurar, já não lhe movia a esperança de reencontrá-la nem a curiosidade de desvendar o mistério daquela mulher de rosto perfeito e corpo sensual, a reencontra, aliás, ela o reencontra:
- Olá amigo, sentiu minha falta!?
- Você é um mistério, aparece e desaparece sem deixar rastro!!! – um pouco irritado.
- Querido, não se irrite, estou sempre perto...
- Parece um fantasma!!! – ainda irritado.
- Sim. Um fantasma virtual!...
- Gosto de abraçar, beijar, mordiscar...
- Não lhe prometo muito... Quer me ver mesmo assim!?
- Sim! – o ambiente num instante virou pelo avesso:
            O monitor LED começou chuviscar, a mesa tremulava, o WEBCAM foi lançado do outro lado da parede, a estante pulava com os livros, o CPU deu um pipoco, a lâmpada da sala de luz incandescente passou pra lusco-fusco, a poltrona de Paulo começou rodopiar, o ar condicionado disparou no máximo, a pilha de CD e DVD se espalhou pelo chão, as portas da casa abriam e fechavam com força, Paulo se encolheu de frio, quando Carol, com seu corpanzil, de sapato alto, voz gutural, surgiu de supetão no fundo da sala:
- Querido amigo, estou aqui! – Paulo desmaiou...





Autor: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons ( Recanto das Letras)

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