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Casamento gay - R. Santana

Postado por Rilvan Batista de Santana 02/07/2016

Casamento gay
R. Santana

Quando encontro o velho Tanaguchi, eu não arredo o pé até que me conte uma história de sua autoria ou que leu em algum lugar. Não é fácil saber onde termina sua história e começa a história de outro autor, seu estilo de contador de história é único, é escravo da verdade, mas esbanja criatividade, Ele é fiel na essência e pródigo nos detalhes. Acho-o criativo e espirituoso, por isto, não me custa nada passar suas histórias adiante através da internet, já que Tanaguchi se confessa sem jeito e inepto nesse mundo de comunicação eletrônica instantânea.
            A última história que me contou foi o diálogo dos jovens Marcos e Thiago, sobre “casamento gay”. Marcos de ideias conservadoras e Thiago liberal por natureza e educação. Para Tanaguchi coube o papel de ouvinte mais do que partícipe.
Marcos chama à atenção de Tanaguchi sobre a manchete do jornal:
- Mestre, o STF reconhece a União Civil dos homossexuais, pouca vergonha! – Tanaguchi legalista:
- Decisão do STF não se discute, cumpre-se! – Thiago completa:
- Dura Lex, sed Lex, não é meu amigo Tanaguchi?
- É um axioma... – Marcos interveio:
- Eu sei que não se discute sentença do STF, pode ser legal, mas é imoral. Hoje,  os mecanismos sociais de pressão são decisivos em algumas sentenças, não é Thiago?
- Não concordo. Os juízes não agem sob pressão externa, mas à luz do Direito... O poder legislativo e o judiciário regulamentam o que já existe de fato. Não é assim mestre Tanaguchi?
- Meus rapazes, já lhes disse que não discuto decisões das coortes de justiça, sou legalista por natureza. Concordo com Marcos quando diz que os juízes e os legisladores, hoje, são influenciados pelos ditames da sociedade, aí, eles ficam na casa do sem jeito. Não sou moralista, as pessoas possuem livre arbítrio e fazem de sua vida o que lhe dá na telha, ou melhor, nos miolos, porém, para mim só existe um tipo de família: o homem e a mulher. As uniões homoafetivas são espúrias e antinaturais. Só existe uma maneira de procriar que é o acasalamento do macho com a fêmea. Por isto, é discutível o casamento gay, a união civil, entre pessoas do mesmo sexo, não é coisa de Deus! Peço-lhes que permitam retirar-me dessa discussão com a palavra de São Mateus: “... Por isso deixará o homem pai e mãe, e unir-se-á a sua mulher; e serão os dois uma só carne. Assim já não são mais dois, mas um só carne. Portanto o que Deus ajuntou, não o separe o homem” (Mateus: 19:5-6).
Tanaguchi se afastou do diálogo, mas permaneceu presente. Legalista, não discutia decisões da justiça, mas daí aceitar a relação homossexual e o casamento gay como normais, seria jogar seu princípio religioso e seu modo de vida na lata do lixo. Entendia que homossexualismo não é doença, mas uma opção de vida, portanto, é uma decisão de foro íntimo de cada indivíduo.  Deixaria dali em diante que os rapazes chegassem a um consenso, Marcos ainda lhe pediu pra continuar na discussão:
- Meu velho Tanaguchi, sua intercessão em qualquer conversa enriquece o diálogo. Sua experiência de vida e o seu saber são imprescindíveis para conclusão de uma proposição. Não é à toa que todos querem lhe ouvir. Thiago é um dos seus maiores admiradores (quis ser agradável), não lhe dispensará. Não é Thiago?
- Sim. Porém, Tanaguchi (com todo respeito) é como os demais, na frente da mídia, diz que é a favor da criminalização homofóbica, da diversidade de gêneros, da parada gay, dos transexuais, do beijo gay, da família gay, contudo, renegaria para sempre um filho homossexual!
- Não é verdade meu caro Thiago, diria à mídia o que lhe disse: respeito o STF, respeito sua opinião, respeito os homoafetivos, porém, não violo minhas convicções por causa de modismos sociais! – Marcos interveio:
- Concordo ipisis litteris com Tanaguchi. Não podemos ser taxados de preconceituoso, reacionário, homofóbico, intolerante, mas beber água no mesmo copo dessa gente é demais! A relação homoafetiva é histórica, os gregos e os romanos abusaram-na. Todavia, a sociedade absorve-la em forma de família, marido/mulher jamais será normal, sem falar no nó que irá dar na cabeça dos “filhos” dessa relação: “quem é seu  pai (ou mãe), garoto?” Haverá nas escolas, na sociedade, o “bullying família”, se não houver violência física, o massacre psicológico será um fato, não é Thiago?
- Em algumas sociedades o modelo de família era matriarcal ou não?
- Sim, mas nas responsabilidades, não quanto ao gênero – fez-lhe uma pergunta pessoal:
- Você é enrustido ou simpatizante?
- Não sou gay! Analiso os fatos à luz da realidade e a realidade diz que o casamento gay veio pra ficar, não é modismo do Século XXI!
- Ah ah ah ah ah… - Tanaguchi dá o desfecho:
            - Marcos, nós estamos malhando em ferro frio... Tchau!



Autor: Rilvan Batista de Santana

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