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O que aprendi com Muhammad Ali - David Sable

Postado por Rilvan Batista de Santana 16/06/2016

O que aprendi com Muhammad Ali - David Sable


“Voe como uma borboleta, mas ferroe como uma abelha.” Por acaso alguém no mundo não conhece essa frase de Muhammad Ali?

Pense nisso. Num mundo sem celebridades postando selfies o dia inteiro.  Numa época em que as notícias não bombavam o tempo todo.

Num tempo em que o coração e a alma assumiam as rédeas dos esportes, e não apenas números e estatísticas.

Numa era em que os comentários das pessoas ficavam entre quem elas quisessem, e nada mais...

Um jovem boxeador de nome Cassius Clay surgiu, ou melhor, arrebatou nossa consciência de maneira digna a despertar a inveja de todas as pseudocelebridades e aspirantes a famosos, fazendo-os sair de cena envergonhados, lamentando a natureza efêmera dos seus momentos de falsa glória. Enquanto essas pessoas desaparecem a cada dia em sua merecida obscuridade, a lenda de Ali só faz crescer.

Meu grande amigo Michael R, que nasceu e cresceu em Colônia, na Alemanha, imaginou que eu estaria escrevendo sobre Ali e compartilhou o seguinte: “Ele foi um ídolo para mim e várias outras crianças e adultos. De tudo, talvez o mais magnífico em sua existência tenha sido o sentimento de pertença: ele era um de nós.”

Basta ler os obituários e publicações de todos os cantos do mundo. “Ele era um de nós” resume exatamente esse sentimento coletivo.  E Michael continuou:

“Ali conseguiu ser um ídolo mundial antes das páginas do Facebook, contas do Twitter ou dos reality shows. Ele era o show! Eu me pergunto como sua carreira e imagem teriam sido moldadas atualmente, com as mídias sociais, o marketing intenso e as notícias 24 horas por dia. Será que Ali ficaria acordado até três horas da manhã enviando tuítes para os adversários, postando selfies com mulheres e fazendo propagandas sensuais de perfumes masculinos? Ele seria o herói que acreditamos que foi, com toda sua capacidade atlética e convicção? Ou seria apenas mais uma celebridade, disputando a atenção do público com a Kim Kardashian?”

Eu queria tê-lo visto. Eu queria tê-lo conhecido. O que tive com Ali foram dois encontros breves, mas fundamentais para a admiração que sinto pelo que ele representava.

O primeiro aconteceu quando minha filha (de 12 anos na época, agora com 30) foi comigo ao All-Star Game da NBA. Quando saímos de uma das tantas festas daquela noite, vimos Ali cercado por seguranças, caminhando muito lenta e deliberadamente por conta do Parkinson. Elianna levava nas mãos a programação daquela noite e, como queria um autógrafo, ela literalmente surgiu na frente dele. Um dos seguranças a impediu e tentou afastá-la, mas Ali interviu. Ele pediu que deixassem aquela menininha se aproximar, sorriu, pegou a programação e começou a autografar. As mãos tremiam tanto que ele interrompeu a escrita, tendo que começar de novo depois. Até hoje ela guarda essa programação com o autógrafo disforme e sincero de Ali na capa.

A segunda vez foi nas Olimpíadas de Londres. Mitt Romney, então candidato à presidência dos Estados Unidos, compareceu a um evento organizado pela equipe olímpica dos EUA. Obviamente, ele estava rodeado por pessoas desejosas de um aceno, um aperto de mão ou uma foto. Em pouco tempo, houve uma comoção geral no outro lado da sala à medida que todos os jovens atletas cercavam um homem empurrado em uma cadeira de rodas. Era Ali. Eles o cercaram e o acompanharam até a frente, e nem preciso dizer que todos o seguiram. Mitt foi praticamente esquecido no fundo sala. Todos queriam estar com Ali.

Muitos escreveram sobre ele, e muitos outros ainda escreverão. Alguns o idolatravam, outros duvidavam de suas motivações. Alguns nutriam por ele um amor incondicional, e em outros floresceu um amor muito peculiar.

Ainda assim, o mais importante é que ele mesmo entendeu melhor do que ninguém que as nossas motivações mudam com o tempo; que a experiência faz progredir nosso pensamento; que o mundo causa impacto nas nossas crenças... Isso mesmo.

"O homem de 50 que vê o mundo com o mesmo olhar de quando tinha 20 desperdiçou 30 anos da vida".
Muhammad Ali
A você, leitor, peço que leia tudo o que conseguir sobre ele. Recomendo enfaticamente que você conheça algumas citações e que se inspire nelas tanto quanto eu me inspirei.

Minha conclusão?

Falamos sobre autenticidade como se, de certa forma ela, fosse um subproduto do mundo digital de hoje, e não como sendo o que realmente é: a base de credibilidade sobre a qual toda e qualquer atitude verdadeiramente eterna deve ser criada.

Faça a si mesmo as perguntas de Michael R e veja onde as respostas vão levar você. Quanto a mim, desejo conhecer heróis autênticos, e ele é um desses heróis.

Muhammad Ali partiu para o descanso eterno e, na minha opinião, deixou um legado que também é eterno.

"Ali pela esquerda, Ali pela direita! Basta um nocaute para deixar o oponente desacordado até o dia seguinte; quando o árbitro conta até dez, o adversário torce para nunca mais ter que ver Ali de novo".  Ali
Ah, sim, vamos nos ver de novo.

Ele foi o atleta mais famoso do mundo. Talvez o humano mais famoso. Ele era real...


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