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O MINISTÉRIO DE MICHEL TEMER - Julio Cezar de Oliveira Gomes

Postado por Rilvan Batista de Santana 20/05/2016

O MINISTÉRIO DE MICHEL TEMER

Instalou-se acentuada polêmica nos meios de imprensa, nas redes sociais e nas ruas acerca do perfi
l dos nomeados por Michel Temer para compor o Ministério do Vice-Presidente em exercício.

A discussão ocorreu por conta de todos os vinte e quatro ministros nomeados serem do sexo masculino, brancos e, também, por haver entre os recém nomeados seis que se encontram sendo investigados em operações da Polícia Federal como a Lava Jato, e que agora terão direito a foro privilegiado.

Aqui não pretendemos ressaltar a ausência de conduta ilibada, a inexistência de boas referências de conduta na vida pública dos seis ministros acima referidos, e de outros recém nomeados, mas o fato de terem todos eles o seguinte perfil: pertencerem aos setores mais endinheirados, como o “Rei da Soja” Blairo Maggi; ou mais tradicionalistas, como Sarney Filho, e serem todos eles brancos e do sexo masculino.

Quanto à questão de gênero, cumpre lembrar que desde o governo do Presidente Ernesto Geisel (1974-1979) o Brasil não tinha um ministério sem a presença de mulheres. E como as mulheres são mais da metade da população brasileira – 51% - é patético que dentre os 24 ministros não haja uma única mulher.

No que se refere à questão de etnia, também causa mal estar não haver um só negro no Ministério. Registro aqui, por oportuno, a diferença que fez termos um Joaquim Barbosa como Presidente do STF. Ativo, de personalidade marcante, foi como se víssemos em Joaquim que qualquer brasileiro pode, com esforço, competência e dedicação, subir aos postos mais altos da vida privada ou pública. E isso era muito bom!

Muitos argumentam que os 24 ministros brancos e homens nomeados são competentes, e que é isso que deverá importar. Bem, se são competentes ou não, só o futuro dirá.

Mas cabe a pergunta? Por que todos homens? Porque todos brancos? Será que não havia um só negro, uma só mulher capaz de tornar-se Ministro(a)? Ou será que Temer quis que todos os ministros fossem “sua imagem e semelhança”, excluindo intencionalmente quaisquer “diferentes”?

A diversidade de raças, de crenças, de regiões e de traços culturais é sem dúvida uma dos maiores patrimônios do povo brasileiro. Por que excluir esta riqueza do Primeiro Escalão do governo?

Causa-nos tristeza, sentimento de desconfiança e de exclusão o fato de no novo ministério todos os componentes serem homens e brancos. E teríamos o mesmo sentimento, a mesma reação, se todos fossem negros, se todos fossem mulheres, ou se todos fossem pastores ou médicos. Sabe por quê?

Porque acreditamos na diversidade. Porque somos a diversidade. Ela nos espelha e representa, se constituindo como um dos fundamentos de nossa nação.

Nós, brasileiros, queremos olhar para os dirigentes de nosso país e ver, ao menos em um ou outro rosto, a cara de nosso povo.

A sensação que temos hoje é de que, na composição do ministério de Temer, o grande excluído foi, simplesmente, o povo brasileiro.



Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz. e-mail: juliogomesartigos@gmail.com

Permitida a reprodução total ou parcial, desde que citada a autoria.

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