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Cruzada contra o ódio Sônia Carvalho de Almeida Maron*

Postado por Rilvan Batista de Santana 25/05/2016

Cruzada contra o ódio
Sônia Carvalho de Almeida Maron*


“Na longa e praticamente contínua batalha pela liberdade, contudo, as classes que lutavam contra a opressão em determinada fase, uma vez obtida a vitória, enfileiravam-se ao lado dos inimigos da liberdade para defender novos privilégios.” FROMM, Erich , O medo à liberdade, p. 13.

      Os regimes autoritários precisam de um inimigo para sobreviver. Sempre escolhem um bode expiatório que possibilite assumirem a posição de vítimas. É um fenômeno analisado pelos estudiosos de psicologia social e a facção política  que governa o Brasil não foge à regra. Repetem os argumentos rotos e desbotados, buscando apoio em critérios extravagantes de legalidade e/ou legitimidade que existem apenas em suas mentes conturbadas pelo desejo de perpetuação no poder. Dizendo-se “injustiçados” e  perseguidos pelos “golpistas” pretendem a aprovação do estamento social que iludiu e manipulou criminosamente.
     Se o momento vivido pelos brasileiros não fosse o pior experimentado na vida sociopolítica do país, seria hilária a afirmação da existência de um “golpe” semelhante à ditadura militar iniciada em 31 de março de 1964 e vencida pelo movimento social das “Diretas Já” vinte anos depois. A verdade histórica não escapa à compreensão das pessoas normais, ainda que sejam iletradas. Ninguém ignora que em 1964 as instituições não funcionavam, o Congresso foi impedido de exercer seu papel, o Poder Judiciário foi amordaçado e a imprensa severamente censurada. A força substituiu a razão. O diálogo tão necessário à democracia não existia. O devido processo legal e a ampla defesa eram sonhos de juristas suicidas. 
Recomenda-se aos fanáticos, aos inocentes úteis e aos beneficiados com o caos do desgoverno a releitura do AI  5 ( Ato Institucional nº 5), de fácil consulta no GOOGLE para aqueles que não possuem códigos.  Poderão entender o que é um golpe institucional, com o massacre total aos direitos e princípios democráticos e imposição de normas draconianas que impediam de pensar, ler, escrever,  sorrir e cantar se tais atividades não estivessem de acordo com o desejo dos poderosos de plantão.
     A readaptação à liberdade democrática foi um processo lento  que caminhou para o amadurecimento definitivo anunciado na Constituição de 1988, aprovada por representantes do povo que foram selecionados em eleição direta e livre para composição da Assembleia Constituinte. Nossa democracia sofreu duros embates e provou sua força quando ensaiava os primeiros passos com a morte de Tancredo Neves e aceitação de Sarney, o vice que não tomou posse. A decisão contrariou a norma, é verdade, mas pacificou o país e facilitou a retomada da liberdade. Nossa Carta Magna foi novamente posta à prova com a infeliz escolha de Fernando Collor de Melo. Resistiu bravamente com um impeachment “cirúrgico”. Tornou-se adulta e imbatível para comandar as manifestações de 2013.
     Enganam-se aqueles que interpretaram as manifestações de 2013 como algo abstrato, sem foco e sem liderança. O desejo dos manifestantes que se vestiam de verde e amarelo, cores predominantes em nossa bandeira, era e continua sendo encontrar brasileiros normais, com vocação para a atividade política e aptos a governar a coisa pública com  honestidade e atentos ao bem comum. E não se diga, como argumento de defesa dos indefensáveis, que a corrupção é endêmica no Brasil, transferindo a responsabilidade da nossa desgraça a D. João VI e sua Corte que teriam implantado a prática criminosa ao fugir de Napoleão Bonaparte e esconder-se na colônia portuguesa, conhecida depois como “país de Macunaima”. Se é crônica a corrupção, entrou no paroxismo de uma crise aguda que exige tratamento enérgico e urgentíssimo. É o remédio prescrito em qualquer país democrático para impedir a continuidade de uma administração desastrada e irresponsável. O impedimento é  admitido na Constituição, regulamentado na  lei ordinária e nos Regimentos das casas legislativas. O impeachment é legal, legítimo, lícito e vem cumprindo todas as etapas exigidas pelo ordenamento jurídico do país.
O voto não significa autorização para a prática de corrupção, gestões temerárias e fraudes e nem confere legitimidade ao estelionato eleitoral que custou aos cofres públicos milhões ou bilhões de reais. O povo não pode ser coagido a tolerar corruptos e autores de um concurso material de crimes cujas penas, somadas, atingiriam a prisão perpétua se for  considerada a expectativa de vida do homem brasileiro. A acusação contida no atual impeachment constitui modesta amostragem. Todos estão fartos de saber que a cantilena do “golpe” é um achincalhe à inteligência de todos os brasileiros.


Chega de asneiras destinadas a disseminar o ódio entre irmãos.  Nenhum grupo político que tem como objetivo eternizar-se no poder pode falar em democracia e liberdade. Voltando ao pensamento de Erich Fromm que empresta luz à epígrafe deste artigo, repetiria que a democracia não pode desanimar na luta contra o autoritarismo “mas passar à ofensiva, dispondo-se a realizar aquilo que tem sido sua meta no espírito dos que lutaram pela liberdade no decurso destes últimos séculos” (op.cit., p. 218).



* Sônia Carvalho de Almeida Maron - Presidenta da Academia de Letras de Itabuna.






Fonte: ALITA



Nota Editorial:

Peço vênia á digníssima "presidenta" da Academia de Letras de Itabuna - ALITA, para contraditar seu artigo: "Cruzada contra o ódio". Sob embasamento jurídico, seu artigo é concludente, mas não passa de uma falácia, de um sofisma jurídico, é um argumento que os arquitetos do "impeachment" ou "impedimento", querem empurrar goela abaixo do povo brasileiro. Aí, eles interpretam a Constituição Federal de acordo suas conveniências políticas e seus interesses escusos e projetos de poder. Hoje, não como antes, não é necessário colocar as tropas militares nas ruas, com tanques e fuzis, como em 1964, para destituir um governante eleito democraticamente: a mídia tendenciosa, o parlamento corrompido e a judicialização selam o destino de qualquer governante, foi assim, também, com Fernando Lugo no Paraguai. O sempre recorrente Rui Barbosa, o "Águia de Haia", afirmou que a pior das ditaduras, é a ditadura da Justiça, porque não temos a quem recorrer.

Nunca  votei no PT... Sou favorável que continue  a operação Lava Jato e os ladrões do dinheiro público sejam encarcerados, mas justiça se faça, desde o primeiro momento, o governo de Dilma Rousseff vem enfrentado boicote dos perdedores, dos empresários, do mundo do capital, da direita reacionária, dos remanescentes da ditadura de 1964, da justiça, e dos principais partidos políticos, aí, minha estimada confreira, não tem cristão que se sustente em qualquer regime de poder.

O boicote trabalhado ganha foro de verdade e justiça, tanto na atividade privada, quanto na atividade pública, quanto na atividade filantrópica, quanto na atividade cultural. Quantas pessoas já foram destruídas em seus sonhos por seus pares pelo boicote, pela indiferença,  pelo cerceamento das ideias e má fama? Enésimas! As pessoas de má fé não agem com bom senso cartesiano, nem sempre o que é legal é justo. O juiz insensível, desumano, de mente estreita, interpreta a lei friamente; enquanto o juiz humano, inteligente, sábio, usa a "Lei de Salomão" para suas sentenças.

Todos nós, leigos e não leigos em leis de boa fé, temos consciência que não houve impedimento de Dilma Rousseff, no mérito (pedaladas fiscais e créditos suplementares), mas político. Se esses artifícios financeiros e administrativos fossem condição "sine qua non" para cassação de um governante, a maioria dos governadores seria cassado, pois todos recorrem a essas práticas quando as despesas são maiores que as receitas.  Rilvan Batista de Santana - Itabuna, 22 de maio de 2016.


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