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SOBRE O ATO DE ESCREVER E A IRREVERÊNCIA DO ESCRITOR

Postado por Rilvan Batista de Santana 13/03/2016

SOBRE O ATO DE ESCREVER E A IRREVERÊNCIA DO ESCRITOR
publicado em recortes por Sílvia Marques

Muitas vezes, quando um autor diz o que as pessoas não querem ouvir, tocando em temas doloridos e polêmicos, desmascarando as hipocrisias cotidianas, lutando contra as mentiras afetivas, ele gera reações desproporcionais de cólera. Porém, colocar o dedo na ferida faz parte da rotina de quem encara o ato de escrever como algo que extrapola o prazer ou um mero ofício ou passatempo.
 Spotlight, vencedor do Oscar de melhor filme 2016, nos faz pensar na importância do Jornalismo investigativo para sacudir e denunciar estruturas perigosas de poder. Para tirar da zona de conforto sistemas injustos, corruptos e cruéis.
Porém, neste artigo, pretendo ir além do Jornalismo investigativo e englobar a figura do escritor de um modo geral. O ato de escrever é um ato de rebeldia. Todo escritor que se preze é um rebelde, é um irreverente , um transgressor. Todo escritor que se preze é um denunciador do seu tempo.
É alguém que enxerga além do verniz das aparências e mergulha nas profundezas da natureza humana, tão complexa e paradoxal. É alguém que percebe as nuances da linguagem e molda as palavras, transformando-as em imagens, sons, gritos, gemidos , cores. Todo escritor que se preze é uma espécie de tradutor. Sim, tradutor dos sentimentos, angústias, obsessões , mazelas de seu tempo. O escritor traduz em palavras o que sentimentos, o que nos angustia, o que nos move e nos paralisa e que muitas vezes não conseguimos compreender, muito menos expressar e transformar.
Sílvia Marques
Autora
Muitas pessoas enxergam o escritor como uma figura glamorosa, usando óculos de vista e lançando um olhar blasé para o nada. A figura do escritor está muito associada a lançamentos literários, noites de autógrafos, prêmios, o prazer de ver um livro pronto e publicado nas prateleiras das livrarias. Porém, os bastidores da vida de quem escreve regularmente , como uma missão, pode ser bem penosa pois apesar do prazer de escrever , existe algo muito pesado na vida de um escritor: a necessidade de sair da zona de conforto para que as outras pessoas também deixem a zona de conforto.
Muitas vezes, quando um autor diz o que as pessoas não querem ouvir, tocando em temas doloridos e polêmicos, desmascarando as hipocrisias cotidianas, lutando contra as mentiras afetivas, ele gera reações desproporcionais de cólera. Porém, colocar o dedo na ferida faz parte da rotina de quem encara o ato de escrever como algo que extrapola o prazer ou um mero ofício ou passatempo.
Sim, escritores precisam incomodar. Por meio da compreensão gerada nos leitores, estes podem expressar e transformar tanto suas realidades íntimas e privadas quanto as coletivas. Um escritor que se preze é um agitador, um subversivo. Alguém que luta pelas minorias, que combate estereótipos, que quebra paradigmas, que se engalfinha com o status quo e denuncia que o rei está nu.


http://obviousmag.org/cinema_pensante/2016/03/sobre-o-ato-de-escrever-e-a-irreverencia-do-escritor.html 


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