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Estamos nos levando a sério demais na internet. Os imbecis nunca receberam tanta atenção.

Não é preciso ser nenhum gênio para notar esse fato social curioso que está em curso, após a grande difusão da internet na última década. Idiotas que nunca poderiam ser levados a sério na “vida real” ganharam grande importância em suas opiniões, e todos podem e opinam sobre qualquer assunto e pessoa em seus perfis sociais na rede, que são compartilhados com o público.

A internet é parte desse processo de globalização arrojado em que vive a terra desde o fim do chamado Mundo Bipolar, ela trata de conferir uma espécie de sensação democrática em que um indivíduo pode tornar a sua voz audível a um número imenso de outros indivíduos. Isso tudo é de certa forma maravilhoso, porque facilitou e modificou variados tipos de relações independentemente da distância entre as pessoas.

No Brasil, o fenômeno tem sido uma experiência sociológica curiosa, porque tem dado a cada um imensa importância em suas opiniões. Quem nunca fez a experiência de ler os comentários publicados no facebook, nas publicações dos perfis de notícias, ou nas discussões de grupos, fóruns e mesmo na seção específica de comentários das páginas, talvez não tenha percebido quão deficiente é a formação educacional e cultural dos brasileiros.
Os blogs e vlogs – espaços em redes sociais em que pessoas postam vídeos com opinões etc. – basicamente são os formadores de opinião de uma grande massa de pessoas que utilizam a internet. 

Discute-se política, economia, religião, sexualidade etc., a partir de frases ou pequenos textos e vídeos contendo meia dúzia de argumentos, às vezes completamente equivocados do ponto de vista técnico e dissociados da realidade. Some-se a isso a quantidade de opinões vazias de qualquer inteligência que lotam os comentários desses espaços.

Uma relação muito simples que podemos fazer para compreender o desdobramento completamente vazio de significado da maioria de nossas discussões na internet é trazermos a situação para uma grande praça onde alguém está fazendo um discurso ou apenas gritando frases racistas ou homofóbicas, neste momento ninguém traz consigo um gravador ou câmera para registrar aquilo e depois sair mostrando aos amigos, fazendo campanhas para demonstrar o quão determinada pessoa é retrógrada ou racista, e ainda que neste exemplo alguém gravasse com o seu celular a divulgação seria por meio de alguma rede que utiliza a internet.

Há um excesso de prints de comentários de políticos, religiosos e até mesmo de pessoas comuns afirmando coisas completamente inadmissíveis do ponto de vista da sensatez, todavia damos público e palcos para aqueles que sequer mereciam a nossa atenção se estivessem dizendo aquelas coisas, que estão sendo compartilhadas por nós, em uma praça pública.

Se a internet se tornou a Ágora do nosso tempo, vivemos em uma democracia completamente imbecilizada pela falta de conteúdo e de raciocínio crítico daquilo que se deve ou não levar realmente em consideração. Falta, de outro lado, um incentivo à retomada da razão crítica, porque, ainda que algum conteúdo pudesse efetivamente ser usado nas discussões em rede, a ausência de capacidade cognitiva da grande maioria dos leitores e espectadores dessas discussões não consegue compreender completamente o que é dito para além do senso comum.

Em verdade, nossa sociedade vive o fenômeno da especialização em termos de conhecimento, mas contrariamente a isso, na internet, qualquer pessoa pode refutar o que disse um médico ou jurista, e sempre haverá público para dar atenção a ela, não obstante quão grosseiramente imbecil seja o que ela está dizendo. Além disso, difícil é encontrar uma discussão capaz de se prender a um objeto e trabalhar em cima dele, por isso, geralmente, no final dessas discussões de internet todos estão falando de coisas diferentes e ninguém convencerá ninguém de nada, apenas servirá para estragar a amizade entre aquelas pessoas, se houver.

Os livros e o estudo – no sentido clássico do termo – são facilmente trocados por essa espécie de cultura online em que as coisas podem ser ditas em 140 caracteres, vídeos de 15 minutos ou textos no facebook (que serão comumente chamados de textões!). E isso se torna mais dramático quando pensamos que se todos gastássemos as horas que gastamos na internet – sendo o Brasil o país que mais fica horas online – lendo um livro ou se debruçando sobre algum estudo avançaríamos muito como nação, o que melhoraria a nossa política, economia etc.

Escrevendo sobre este tema, não posso deixar de lembrar a reação do Chico Buarque ao tomar conhecimento de como funcionava as opiniões das pessoas na internet, vamos nos inspirar nele:
(HAHAAHAHAHAHAHA)





JOÃO LOPES

Sei um segredo, você tem medo .
http://lounge.obviousmag.org/canteiro/2015/10/reacao-do-chico-buarque-ao.html

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