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TÁCITAS ELUCUBRAÇÕES - Genny Xavier

Postado por Rilvan Batista de Santana 02/02/2016

Fonte: Google

TÁCITAS ELUCUBRAÇÕES


As urgências
nos roubam os planos…
Porém, semanticamente, convém esclarecer:
as urgências, não a pressa…

Pois o que urge num tempo
de necessárias atitudes,
retorce as rotas
dos dias passados para frente…

Então, tardiamente percebemos
que um ponto fora da trama
na urdidura do tecido da vida,
compromete seu resultado…

É como virar a cabeça
para o lado oposto da rua que atravessa.
Só isso pode mudar as coisas
nas consequências do porvir.


Genny Xavier 


Magdalena Korzeniewska

SEMEADURA


Há hoje em mim todos os sentidos expostos:
uma frieza nos rios das veias
uma ardência na superfície da pele
um rasgo no nascedouro das ideias
um fundo mais que fundo no coração da alma…

Há fruição também,
que se sacia na semeadura da palavra
que germina o verso de luz
no solo da vida.
Lavra de sede e ânsia…

Genny Xavier

Catherine Alexandre

Fonte: Google


MEMÓRIAS DOS BALÕES

Remotamente,
a infância transgride
a curva do tempo
e salta no espaço
para encontrar
a memória vívida dos dias…
E traz, na superfície dos sentidos,
a magia acima da lógica,
as horas longas,
fora do relógio dos homens;
o riso solto,
além das lágrimas;
o coração aos saltos,
inflado da leveza dos balões…

Saudosamente,
a infância se dilui na aurora,
deixando seu frescor
para colorir a manhã azul…

Genny Xavier

Fonte: Google


NOITE ENLUARADA


Meu passo tonto
costura o vento
ao curvar a rua.

O gato preto
espreita meu olho
que vagueia a noite.

De longe, a coruja pia
testando meu medo
dos presságios da vida.

De perto, a sombra cresce
trazendo as memórias
dos pesadelos infantis…

Assim, desperto
e espio o silêncio
da lua tão grande,
tão cheia...





Genny Xavier








Homenagem da Rede Sul Bahia, da jornalista Vera Rabelo, aos 105 anos de Itabuna-Bahia
https://www.facebook.com/RedeSulBahia


O ANIVERSÁRIO DA CIDADE


Para Itabuna


A cidade é marca indelével
cravada num peito aberto.
Expressa, na dureza dos anos
e na fragilidade dos dias,
a erosão inevitável do tempo
que move as pedras pretas
ao sabor das águas turvas do rio.

A cidade comove os homens,
na sua falta de riso e paisagem,
em sua ausência de sentido e arte,
em sua dor de mácula e fome.
E se recente do tapa que fere o povo
e se debate na água suja que afoga os reis
e se contorce na tortura explícita que aniquila os sábios.

A cidade tão minha de paixão,
tão nossa de ilusão,
resiste aos dias ensimesmados
e toma o sol das manhãs,
a chuva das tardes
e as estrelas das noites
no aniversário dos anos.

Genny Xavier
Fonte: Google

INVERNO


O peso cinza das horas
expõe a melancolia da tarde plúmbea...
Os passos pisam a areia úmida
que revolve seus grãos de prata
nas águas salgadas da maré bravia.
O vento que atravessa a alma
esfria o coração...

Há um inverno em mim,
hibernando meus sentidos...

Genny Xavier

Fonte: Google


"Poesia é voar fora da asa." (Manoel de Barros)



POESIA, ESSÊNCIA DE TUDO

"Entre a idéia e o ato cai a sombra
e neste hiato está a poesia e sua
capacidade de relacionar o indizível”
                          (T.S. Eliot)


A poesia é a essência, expressa na paisagem noturna que sopra indagações e dissabores; ou a cadência do andar feminino que embala o ritmo e que moleja o vai-e-vem dos passos, a ondulância das formas; A poesia é a essência, expressa na voz bendita do menino que vende doce e grita “Olha o quebra-queixo! Olha o quebra-queixo!”; ou no poema que se inscreve no palavrear mágico e abominável que o poeta cria; A poesia é a essência fluídica de um perfume no ar, que vai percorrendo entrâncias, frestas e caminhos para pousar nos dedos do poeta que ensaia o poema... Da poesia não se diz, se percebe, se degusta, se aspira, se debruça.
Conceituar poesia nos remete aos olhos que pairam sobre montanhas e idéias. Dá-nos vontade de exercitar o onírico, o lúdico, o belo, o indizível. E lembrar-nos que as palavras se entranham, se combinam se atraem e restituem melodias, sons e ritmos; e criam metáforas e dizeres por trás das coisas.
A poesia e o poema estão unidos e próximos pela relação que o poeta lhes remete. O poeta capta a poesia que se eterniza no poema, “ideia” e “ato” de uma “sombra” que emerge dos escuros, da invisibilidade, da incapacidade daquilo que não se diz. A poesia é o impossível que se desvela; o suspiro, a divagação, a crítica, a construção, o belo e o feio, a dor, o asco, o susto, inseridos na projeção poética, no paradigma existencial do poeta que, entre a ideia e a forma, captura a poesia que se cristaliza no poema e se instala na literatura.
Mas, afinal, o que é a poesia? De que partícula ela se compõe? Que olhos tem? Que bocas? Quantas mãos? Com qual das faces nos olha a poesia?
Mediante os gostos e as diferenças, podemos dizer que a poesia é a essência subjetiva de uma sensação; é o fluído que percorre paisagens, atravessa pessoas e fotografa coisas e objetos; é o parêntesis entre o dizer (expresso pelo poema) e o não-dizer (expresso pela poética). A poesia é a refração, o interlúdio da razão e o prelúdio da emoção.

Genny Xavier     




Fonte: Google


POESIA


Palavrear:
Dizer o não dito
letra por letra…

Versificar:
Buscar o querer ser dito
entrelinhas, entrespaços…

Poetizar:
Capturar o dito querer
fibra por fibra
em cada risco… rabisco…


Genny Xavier

Fonte: Google


Amor é fogo que arde sem se ver,/ é ferida que dói, e não se sente;/ é um contentamento descontente,/ é dor que desatina sem doer." (Camões)

Fonte: Google


A RIMA DO AMOR


Amor rima com dor
em posição inversamente recorrente.
Mas, caso calhe ao amor
- voluntarioso e surpreendente -
a rima escapa à sua sina
para em outra combinação
buscar na palavra esplendor
a bendita razão da chama
que aquece o amor.
Pois não há como não dizer
que o sentido da rima
ora estará para a dor
ora servirá ao esplendor.
Assim, amorosamente,
o verso revelará a dor que nos consome
e o esplendor que nos liberta...

Genny Xavier

Fonte: Google

Fonte: Blog Baú de Guardados - Genny Xavier

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