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Os fins justificam os meios? - Daniel Amstalden, Diretor

Postado por Rilvan Batista de Santana 07/02/2016

Os fins justificam os meios?


          
 Daniel Amstalden, Diretor
     

Caro leitor,

Hoje peço licença para compartilhar uma reflexão que tive após ler e pesquisar sobre inovações em saúde.

Vamos lá...

A revista científica Nature publicou, em sua edição de 12 de novembro de 2015, um artigo incrível sobre a implantação de órgãos de porco em seres humanos.

Isto não era possível antes, porque o sistema imunológico do porco é diferente do nosso. Tentativas de transplante resultaram em rejeição, algo muito previsível.

Mas os geneticistas conseguiram alterar o sistema imunológico do porco implantando genes humanos no seu DNA. O sistema imunológico destes porcos transgênicos tornou-se mais compatível. A estrada foi reaberta para transplantar órgãos de porco em humanos.

Na China, por exemplo, já é permitido transplantar em humanos as córneas do porco.

Nos EUA é possível ser enxertado com pele de porco. Não é permitido oficialmente, mas também não é proibido. Um estudo realizado pelo Hospital Geral de Boston, identificou dezenas de pessoas que usaram este procedimento.

Uma empresa na Nova Zelândia chamada Living Cell Technologies está fazendo a implantação de pâncreas suínos em humanos – com o objetivo de produzir insulina. Este sistema é chamado DiabeCell e visa tratar os diabéticos.

Curioso (para não dizer bizarro) não é?


O cirurgião Muhammed Mohiuddin, do Instituto Nacional de Coração, em Maryland (EUA), implantou um coração de porco em um babuíno - que sobreviveu dois anos e meio após a operação.

Após superar os problemas de rejeição, ele acredita que o caminho está aberto para realizar o experimento em seres humanos.

O cirurgião David Cooper, da Universidade de Pittsburgh (EUA), anunciou em junho de 2015 que um babuíno tinha sobrevivido 136 dias com um rim de porco, também geneticamente modificado para resistir ao transplante e à rejeição do enxerto.

Robin Pierson, que dirige o Laboratório de Pesquisa da Universidade de Marylande fez dezenas de tais operações, está atualmente tentando transplantar pulmões de suínos em babuínos. A dificuldade é que os pulmões são feitos de uma fina trama de vasos sanguíneos.

Isto significa que o sangue dos babuínos está em estreito contato com a proteína de porco (que forma os vasos sanguíneos), o que faz com que coágulos apareçam.

Atualmente os babuínos sobrevivem apenas alguns dias. Esta técnica requer mais evolução antes de se tornar prática.

No entanto, a empresa americana United Therapeutics, Maryland, investiu 100 milhões de dólares para produzir porcos geneticamente modificados. Eles são projetados para produzir órgãos para seres humanos. Ela diz que quer "fazer os primeiros testes clínicos em 2020". Alguém se habilita?



Até onde nós vamos?

Tecnicamente sabe-se que os porcos são portadores de muitos vírus e retrovírus, também presentes em órgãos transplantados, e que poderiam despertar nos seres humanos consequências imprevisíveis (lembram da gripe suína?).

As autoridades de saúde do mundo todo estão relutantes a dar o sinal verde.

No entanto, experimentos de enxerto de pele de porco aparentemente não desencadearam o problema.

Portanto, é possível e na minha opinião bastante provável (se não certo), que a primeira tentativa de transplante de órgãos de porcos em seres humanos será feita em breve.

O procedimento é conhecido. Em primeiro lugar, a experiência será tentada em um paciente que se encontra em um estado de desespero. “De qualquer forma, ele vai morrer, então você não tem nada a perder” – dirão os médicos.

Depois de vários fracassos, a operação será bem-sucedida. Começamos com um "mero" transplante de órgãos, como o rim.

Em seguida, será o coração, pâncreas, pulmões, artérias, olhos, pedaços de intestino, traqueia, e por que não "pé de porco" (não, eu estou brincando, é claro).

Brincadeiras à parte, é assim que começaram todas as experiências médicas inovadoras. O que parecia impensável para as gerações anteriores, em seguida tornou-se o padrão.

Como reagir?

Imagine a seguinte situação: seu filho está em perigo. O coração dele pode deixar de bater a qualquer momento.

O cirurgião, enlouquecido, explica que a escassez de órgãos humanos é total. Não há doadores para o seu filho. Mas há uma solução: podemos salvá-lo com o coração de um porco. Esta não é solução mais glamorosa, obviamente, mas sua vida será salva!

Que pai iria desistir dessa solução? E depois de tudo, a partir do momento que não faz mal a ninguém, qual é o problema? Temos tudo a ganhar, não é?

Estou convencido de que esta é a forma como vamos reagir, inclusive minha própria reação seria a mesma. Mas, no entanto, não estou completamente certo que a transação "não vai machucar ninguém."


Progresso a que preço?

A operação vai doer ... para a criança. Ele provavelmente vai viver, mas vai aceitar a si mesmo? Viver com a ideia de que há um coração de porco batendo em seu peito? Será terrivelmente doloroso.

Os jardins de infância irão integrar a aprendizagem em programas de não-discriminação contra as pessoas com órgãos de porcos. Psicólogos serão recrutados para apoiar os indivíduos transplantados e suas famílias, para convencê-los de que isso é normal e desejável.

Os filmes de Hollywood sairão com histórias chocantes, onde o herói que salva o planeta conseguiu fazê-lo, por ele mesmo ter sido salvo alguns anos antes com um transplante de coração de porco. "Sem este progresso, a humanidade teria desaparecido," deduzirá o espectador inconscientemente.

Mas devemos considerar as implicações mais amplas do progresso tecnológico.

Todos nós colocamos a vida como nosso maior bem.

O valor absoluto através do qual não devemos colocar nenhum obstáculo legal ou moral.

Se minha esposa fosse ameaçada de morte e a única maneira de salvá-la fosse colocar nela um coração de porco, confesso que aceitaria. Mas no fundo da minha mente, o que eu acho desumano é que estamos sempre andando na contramão da solução definitiva dos problemas de saúde.

Nossa civilização gasta enormes quantidades de dinheiro em pesquisa e desenvolvimento de fórmulas mirabolantes, quando a verdadeira causa dos problemas de saúde está nos hábitos, atitudes e prioridades de todos os dias, que escolhemos por toda nossa vida.

É muito mais barato fazer as revisões em dia do seu carro do que deixar tudo “em cacos” e depois gastar “os tubos” para arrumá-lo.


Porque então com sua saúde a técnica seria diferente?

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