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Ferreira Gullar relembra a infância e ditadura militar em livro de crônicas
Murillo Meirelles

Retrato do poeta Ferreira Gullar, que lança coletânea de crônicas, posa para a revista 'Serafina' MAURÍCIO MEIRELES - COLUNISTA DA FOLHA
Ferreira Gullar gosta de falar da zoologia do maravilhoso: sereias, grifos, dragões, centauros -e até dos "animais esféricos" que, segundo Platão, foram a inspiração de Deus para criar a forma redonda do mundo.
Como no cotidiano não há maravilhas assim suficientes para satisfazer as pessoas, ensina o poeta, o papel do artista é preencher tal vazio.
"Eu escrevi que a arte existe porque a vida não basta, não? A vida é pouca, ela precisa de mais. A arte é a alquimia que transforma o   sofrimento em alegria, a banalidade em beleza", afirma Gullar.
Não à toa, esse é o tema da primeira crônica de "A Alquimia da Quitanda - Artes, Bichos e Barulhos nas Melhores Crônicas do Poeta": a arte existe porque faltam sereias e dragões. O livro, lançado pelo Três Estrelas, selo editorial da Folha, é uma reunião dos melhores textos que Gullar publicou como colunista do jornal entre 2005 e 2015.

A compilação traz ainda uma seleção de memórias da infância no Maranhão, a luta contra a ditadura, o exílio e o desencanto, mais tarde, com o comunismo. "Não se trata de desilusão, minha posição é objetiva. Há que reconhecer que [o comunismo] deu errado. Mas ninguém se meteu naquilo por razões egoístas, todos queriam uma sociedade melhor. Não temos por que nos envergonhar", explica ele.
Mesmo com as lembranças de quando ser comunista era um risco, o cronista consegue garimpar uma história bem-humorada. Em 1968, foi preso porque a polícia achou em sua casa o original do livro "Do Cubismo à Arte Concreta" - e os agentes pensaram que "cubismo" se referia a Cuba. O causo fez outros presos rirem.
Das memórias do Maranhão, sabe-se que o escritor jogou futebol - na categoria infantil do Sampaio Corrêa. Mas felizmente virou poeta, porque era, diz ele, um perna de pau.
Além da curta carreira esportiva, também chega às livrarias a carreira de Gullar como compositor. "Cancioneiro" (Topbooks, R$ 79,90, 95 págs.) traz as letras que o poeta escreveu para melodias.
São canções famosas como "Trenzinho Caipira" e "Borbulhas de Amor", tradução da faixa do mexicano Juan Luis Guerra cantada por Fagner, cuja introdução -"Quem dera ser um peixe..."- marcou a música brasileira.

"O Fagner tem me ligado pedindo algo, mas não estou conseguindo fazer. Essas coisas a gente não faz só por querer", afirma Gullar.

Fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/01/1735330-ferreira-gul...

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