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STAR WARS: REVISITADO 40 ANOS DEPOIS - Julio Cezar de Oliveira Gomes

Postado por Rilvan Batista de Santana 22/01/2016

STAR WARS: REVISITADO, 40 ANOS DEPOIS

Lembro-me de quando, em 1977, fui assistir em um cinema no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, o filme Star Wars. Na ocasião, tinha apenas 12 anos e me encontrava acompanhado de minha sempre tão crítica quanto hoje saudosa mãe.
Como era previsível para alguém naquela idade, adorei o filme; e minha querida mãe o odiou profundamente, dando graças aos céus quando terminou aquilo que ela qualificou, à época, como sendo algo, do ponto de vista cinematográfico, o mais pobre e clichê possível.
Passaram-se os anos, célere e intensamente. Me desinteressei pela saga estelar, atado aos problemas imediatos de sobrevivência pessoal em nosso inóspito planeta. Amadureci, por certo, menos do que envelheci; porque as mulheres, em regra, amadurecem mesmo sem envelhecer; e os homens envelhecem, mas teimam em não amadurecer.
Tive, há poucos dias, a possibilidade de assistir ao sétimo filme da série Star Wars, eu com 50 anos, acompanhado de minha filha Júlia, que tem 13 anos. Ela, como era previsível, adorou o filme. E eu vi que o que me parecia ruim era de fato muito pior.
Lembrava-me ainda do primeiro filme da série, que parecia um filme medieval de capa-e-espada, com duelos entre mocinhos e vilões, ambientados na tecnologia espacial. Talvez por isso mesmo o filme, à época, me agradara tanto.
Mas aos 50 anos, quando compreendemos o quanto é frágil a divisão maniqueísta entre “mocinhos e bandidos” e o quanto são distantes da realidade as “mocinhas” carentes de um herói que as proteja, só me restou uma visão, por assim dizer, sociológica dos valores que o filme implícita ou explicitamente exalta e apresenta como modelo de conduta.
Confesso: Fiquei verdadeiramente assustado com o militarismo e a belicosidade que presidem cem por cento do filme! Mesmo para mim, que fui e gostei de ser militar, passa de todos os limites o militarismo ali expresso.
Não há em todo o ambiente estelar, nem nos diferentes mundos e galáxias de Star Wars, nada de belo, de bom nem de sublime capaz de despertar a ação humana, exceto a guerra. Só esta se afirma, onipresente, em todos os gêneros: Em lutas com espadas de neon reluzente e poder avassalador; com homens municiados de revólveres e carabinas como nos velhos westerns (bangue-bangue), só que em versões supermodernas; em combates de aeronaves espaciais que fazem as lutas entre aviões caças da Segunda Guerra Mundial parecerem pálidos passeios e, sobretudo, na destruição total de planetas inteiros mediante o uso de poderosíssimas armas, pressupondo bilhões de mortes instantâneas, que fariam Hiroshima e Nagasaki serem um incidente sem nenhuma importância histórica ou humana.
O belicismo, presente nos diálogos, nas roupas, nas atitudes e nas relações entre os seres chega a sobrepor-se àquele presente nos combates propriamente ditos, onde o sangue e o despedaçamento dos corpos nem sempre aparecem, mas onde a morte violenta reina absoluta.
Por fim, uma das características mais positivas que Star Wars apresentou, desde o primeiro filme, que é a convivência, senão pacífica, ao menos surpreendentemente cordial e igualitária e entre seres de diferentes galáxias, cai por terra neste último filme da série ante um mal disfarçado racismo entre os próprios humanos.
Explico: Os dois principais protagonistas, os “mocinhos”, são uma jovem e bela catadora de lixo espacial e um jovem negro, que deserta das tropas das “trevas” e acaba por aderir aos “mocinhos”. Como ambos são jovens, descomprometidos e belos, nada mais natural do que supor que rolaria ao menos um “clima” entre ambos. Mas nada disso ocorre!
Se o jovem negro chega a se mostrar mais atencioso para com a moça, esta parece assexuada, sendo mais doce e terna com os robôs do que com o pobre rapaz, que sem uma carícia, sem um beijo, sem um olhar mais ameno sequer, morre no final para esmagar definitivamente quaisquer esperanças de relacionamento entre uma branca e um negro!
Definitivamente, Star Wars visitou inúmeras galáxias, mas jamais esteve no Brasil, onde podemos até ser racistas, mas não perdemos a oportunidade de estabelecer um bom relacionamento por conta da cor.



Autor: Julio Cezar de Oliveira .Gomes e-mail: juliogomesartigos@gmail.com

Permitida a reprodução total ou parcial, desde que citada a autoria.

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